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Doze álbuns e vinte anos de carreira, fazem dos Primal Fear uma banda que já não precisa de apresentações. Com um poderoso Heavy Metal,  determinação e garra são adjectivos que podem descrever este (agora) sexteto. Na estrada, com "Apocalypse", a banda promete não parar e conseguiu tempo para falar com a Metal Imperium.

M.I. - Muito obrigada por terem aceite fazer esta entrevista. É um prazer conversar com uma das mais consistentes bandas de metal dos últimos tempos. Vamos começar por “Apocalypse”, o vosso álbum, recentemente lançado e que é, talvez, o mais diversificado dos Primal Fear, levando quem o escuta, numa viagem de riffs fortes, melodias marcantes e refrães que ficam no ouvido. Esta diversidade foi propositada, ou as músicas assim o foram construindo?

Para a pré-produção, reunimos cerca de 25 boas ideias, reduzimos para 20, depois para 14 e começámos a trabalhar nos detalhes, montagens, melodias, grooves, etc. Então, começámos as gravações a sério com a bateria, depois as guitarras, baixo e voz. Durante o processo ficou claro que queríamos gravar um álbum diferente de “Rulebreaker”, mas 100% alinhado na direcção dos Primal Fear.


M.I  - Tal como o nome indica, este álbum remete-nos para a escuridão, para o fim dos tempos, com um início instrumental apocalíptico. Pode-se dizer que “Apocalypse” é um álbum conceptual?

Não, de forma alguma, nunca estivemos interessados em escrever um álbum conceptual, mas o conteúdo lírico relaciona-se com o progresso no nosso planeta, políticas corruptas, palavras duras, sem lealdade, tópicos, falta de dignidade, e pensamos que não seria problema se escrevêssemos algumas letras com a nossa visão da situação actual, em vez de escrevermos 12 canções de amor.


M.I - Doze álbuns em 20 anos implica um processo criativo quase permanente. Como é que trabalham nos novos temas? Compõem na estrada? Queres desvendar um pouco o vosso processo de composição?

Eu trabalho com o Magnus, o ano inteiro, em ideias, riffs, melodias e guardamos tudo até certa altura. Vou tentar fazer o mesmo com o Tom. No final, temos um conjunto de ideias e tentamos encontrar a melhor combinação para o próximo álbum. Temos muito mais a dizer e ainda podemos fazer muitas modificações, para melhor.


M.I - Mantendo o ritmo, já estão a pensar no próximo álbum, certo?

Sim, temos actualmente duas ideias interessantes terminadas e continuaremos, mas primeiro vamos em tournée mundial, para comemorar o nosso 20º aniversário e o novo álbum “Apocalyppse”. É o foco principal para os próximos meses. 


M.I - O ano de 2015 trouxe algumas alterações aos Primal Fear: Aquiles Priester saiu da banda, e a bateria passou para as baquetas de Francesco Jovino (U.D.O.). O que é que Francesco veio trazer de novo ao som dos Primal Fear?

Foi o Randy Black quem deixou a banda e nós tentámos substitui-lo por Aquiles, que acabou por tocar apenas 7 concertos com a banda e não resultou. O Francesco tinha deixado UDO e ele era o que nós procurávamos. Tocámos um concerto juntos para confirmar se ele era o tipo certo para o lugar e foi excelente!


M.I - Foi também nesse ano que Tom Naumann, um dos elementos fundadores da banda e que estava em tournée convosco, nos dois últimos anos, integrou novamente os Primal Fear, como membro oficial e terceira guitarra. O que motivou esta decisão? 

Tom iniciou a banda comigo e com o Ralf e é certo que ele está de volta. Ele é da banda e é uma parte principal da banda. Estamos muito contentes por tê-lo de volta.


M.I - Se pudessem fazer de novo um dos vossos álbuns, qual escolheriam e porquê? O que fariam de forma diferente?

Black Sun – porque tivemos imensas dificuldades técnicas durante a produção. Por outro lado, aprendemos imenso e essas questões não voltaram a acontecer. 


M.I - “Apocalypse” é o vosso 12º álbum. O que é que vos move e inspira ao fim de 20 anos de carreira?

Cada álbum novo é um enorme desafio. O nosso estilo de vida e paixão é o nosso trabalho – não é fantástico e motivação suficiente para dar 100%, 24h/dia? Estou muito feliz com o estado e poder actual da banda. Não é preciso mais motivação e acabámos de assinar um novo contrato de gravação com a Nuclear Blast, portanto o primeiro álbum deste contrato tem de ser esmagador!


M.I - Estúdio ou palco? Qual preferem?

Ambos – gosto de juntar a imagem da produção de um álbum como um grande puzzle. Por outro lado, no palco, é a cena real. Um concerto da treta pode ser transformado num grande concerto no dia seguinte. Um álbum fica para sempre – o que é de maior responsabilidade!


M.I – Os Primal Fear são uma banda europeia. Achas que existe um metal europeu diferente do americano, por exemplo? Quais as diferenças?

Para mim apenas há bom metal e metal não tão bom. Não me interessa de que país é proveniente. Há tantas grandes bandas dos EUA – desde que me toque, eu ouço tudo.


M.I - Portugal está na vossa rota para a tournée de “Apocalypse”?

Adoraríamos tocar para vocês, mas precisamos de um promotor que acredite em Primal Fear e que nos dê a oportunidade de tocar em Portugal e apresentar a banda de uma boa forma!


M.I - O que é que ainda vos falta fazer?

Ensaiar para os próximos concertos em 12 países europeus, Japão e Austrália.


M.I - Muito obrigada!

Cheers!

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Entrevista por Rosa Soares