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O coletivo de doom belga-britânico, Pantheist, é um daqueles excelentes exemplos de evolução contínua na sonoridade. Os tempos de “O Solitude”, o primeiro álbum, já lá vão, bem como o funeral doom embrionário que definiu os tempos iniciais da banda e que terá captado as atenções dos primeiros seguidores. Desde então, a banda lançou mais quatro discos até aos dias de hoje. Ao viajar por eles nota-se que o ritmo acelerou, os teclados ganharam presença e muitas características do Gótico foram acrescentadas. Com muita naturalidade, a banda foi avançando na idade e o seu som voltou-se mais para o progressivo, culminando no álbum homónimo de 2011, uma excelente peça de música que afirmava que a sonoridade da banda já nada tinha a ver com o que era quando começaram em 1999, mas que o distinto resultado final falava por si.

Foram precisos sete anos até que este “Seeking Infinity” surgisse, o maior interregno entre discos que a banda teve e, a primeira coisa que se pode dizer deste lançamento, é que é mais um caso de regresso às origens. Mas não um assim tão óbvio!

Releiam o primeiro parágrafo, desta vez não como uma introdução aos Pantheist, mas sim como uma descrição deste novo álbum. “Seeking Infinity” é uma absorção do trabalho da banda durante todos estes anos: logo assim que entra “Control Fire” vemos que o death/doom sinistro volta a ser a espinal dorsal da música aqui concebida, mas que tudo o resto está cá também: os teclados omnipresentes, as melodias graciosas e a atmosfera melancólica. “500 B.C. to 30 A.D. - The Enlightened Ones” reforça a ideia presente no tema anterior, refinando os riffs arrastados e crescendo para contornos épicos com secções de canto espiritualista capazes de provocar arrepios na espinha; já “1453: An Empire Crumbles” apresenta-se como a faixa mais exótica do disco, com elementos que vão desde o canto gregoriano até aos ritmos tribais. Mas, a cereja no topo do bolo está mesmo nos dois temas que fecham o álbum: “Emergence” e “Seeking Infinity, Reaching Eternity”. Aqui comprova-se que os Pantheist não queriam deixar o ouvinte indiferente ao seu trabalho mais recente, a banda quer deixar uma marca mais vincada que uma queimadura de ferro de engomar ao terminar a sessão com dois temas que brilhantemente representam a faceta actual dos Pantheist.

Dizer que este é o melhor álbum da banda até agora será sempre discutível, visto que os restantes também foram muito bem conseguidos, no entanto, em vez de se lançarem a explorar novas sonoridades, os Pantheist aglomeram tudo o que já fizeram no passado para darem o passo em frente. Épico, vagaroso, belo e solene são os rótulos que podemos colar em “Seeking Infinity”, uma pérola de doom metal que merece estar na colecção dos apreciadores do género.

Nota: 9.2/10

Review por Tiago Neves