About Me

Entrevista aos Evergrey


“A Heartless Portrait (The Orphean Testament)”, foi lançado através da Napalm Records, no dia 20 de maio de 2022, é uma obra-prima dos Evergrey. Um novo capítulo está a começar para a banda e o disco é incrível! Tom Englund falou sobre mitologia grega, as letras, a equipa que produziu o disco e até a vontade de regressar a Portugal! Um tipo muito fixe, com muita cultura! Ouçam o disco, não se vão arrepender!

M.I. -  Olá, Tom. Em meu nome, da Metal Imperium e dos fãs portugueses, quero agradecer a oportunidade pela entrevista. Como estás e o resto da banda?

Estamos bem! Muitas entrevistas! Semanas seguidas, 8 horas por dia! És a primeira hoje! Muito ocupado, muito satisfeito pelo interesse de todos! Tudo está excelente!


M.I. -  Um novo capítulo está a começar para vocês, com uma estreia ao lado da Napalm Records. Parabéns! Como é que te sentes ao trabalhar com eles? Que principais diferenças, artisticamente falando, sentiste entre as duas editoras (Napalm e AFM)?

Obrigado, obrigado! Esperemos pelo melhor! Até agora tudo bem, mas ainda é muito cedo. Lançamos dois singles. Se me perguntares daqui a um ano, dou-te uma resposta melhor. Tomara que esteja tão satisfeito como estou agora. Mas nunca saberás!
Artisticamente, nenhuma diferença! Temos 100% de liberdade. Estamos a fazer isto há tanto tempo, que é impossível para uma editora começar a interferir no lado artístico dos Evergrey. Não há diferença!


M.I. -  “A Heartless Portrait (The Orphean Testament), foi lançado no dia 20 de maio de 2022, é um nome excelente para um álbum. Como é que decidiram este nome? Quão importante é a mitologia grega, nas vossas músicas e letras?

Diria que a parte do título: “A Heartless Portrait”, é baseada num resumo de todos os outros álbuns que já lancei, onde falo sobre mim. Diria que são trechos de diários. De uma vida, eu diria!
A segunda parte do título, é baseada na mitologia grega, claro! Do Orfeão, mas coloco no contexto dos homens, das falhas. Como pensamos que somos deuses, egoístas, não seguimos a moral humana. Podes ver que estão agora no mundo! Então, para mim, quando o Orfeu teve a hipótese de salvar a sua amada do Inferno, a única coisa que ele tinha de fazer, era olhar para a frente! Ele escolheu para trás! Essa é uma ação muito egoísta da parte dele! É simbólico na humanidade nos dias de hoje!
(Risos) Nem por isso! É apenas algo que me fascina às vezes, ver e ler pequenos resumos da mitologia grega, porque teve um grande impacto no drama e na música, desde o início dos tempos, eu diria. Não mais que isso! Não sou muito instruído!


M.I. -  Ainda sobre o título, que é fascinante como um Orfeão. Que características do poeta Orfeão te fascinaram, que te inspiraram para o escolher?

Apenas a parte que ele escreve músicas tristes, que faz os deuses chorarem, mas também é uma versão muito egoísta dele, sentir pena de si mesmo, em vez de estar a lutar pela sua amada, mas ele também está a colocar todo o foco nele mesmo, o que é muito comum hoje em dia.


M.I. -  A tua voz nunca deixa de surpreender e fica melhor a cada álbum. A tua jornada pelo progressivo, o peso mistura-se e combina com a emoção. Tão incrível que os vossos fãs são os mais dedicados do mundo. Como te preparaste vocalmente para este disco? Quais as principais diferenças que notaste?

Fui direto do álbum “Escape Of The Phoenix” para este. Acho que a preparação era apenas eu estar no estúdio o tempo todo. Isso é o que eu faço todos os dias. Estou no estúdio a trabalhar para diferentes projetos, diferentes bandas. Acho que a minha melhor preparação, é estar ocupado! Continuar a cantar, continuar a fazer coisas, manter a voz em forma e não falar tanto como faço agora. Agora falo 8 horas por dia e isso prejudica muito a voz, para falar a verdade. Mas é o que é!
Eu tenho outra banda, chamada “Silenced Guys” também e em “Silenced Guys” canto muito suave e low-key. Talvez um pouco disso tenha influenciado a minha forma de cantar no álbum “A Heartless Portrait” também. A outra coisa, é que eu só quero ser melhor e melhor, e melhor, e melhor. Não parei o meu progresso, a evolução da minha voz. Ainda continua! É algo que eu partilho muito!


M.I. -  Este é o vosso décimo terceiro álbum e demoraram dez meses para escrevê-lo. Como escreveram as músicas? Têm músicas restantes da sessão do álbum “Escape of the Phoenix”, de 2021? Podes, por favor, contar-nos tudo sobre o processo de escrita? 

Lançamos “Escape of the Phoenix” em fevereiro do ano passado. Como disse, fomos direto do álbum “Escape of the Phoenix” para este, porque sabíamos que não poderíamos andar em tournée. “Escape of the Phoenix” saiu em 2021 e este em 2022. Foi um processo de gravação extremamente rápido para nós. Por não estarmos em tournée, queríamos fazer algo que fosse rápido! Também estávamos a trocar de editora e, portanto, fazia sentido fazermos mais música, pois tínhamos tempo para isso!
Não! Nunca temos músicas de sobra! Nós temos muitas ideias, mas as ideias permanecem ideias, porque não se tornam músicas. E também nunca usamos material antigo! Acho que temos, pelo menos, 200 ideias de músicas nos nossos computadores, mas nunca serão usadas, porque são antigas e gostamos de escrever coisas novas. Então não, nenhum projeto é salvo para álbuns posteriores!
O processo de escrita é o habitual! Como disse, encontramo-nos depois do dia que o “Escape of the Phoenix” saiu, sentamo-nos e dissemos: “Sim! Talvez devêssemos continuar a escrever!”. E todos nós voltamos para os nossos diferentes estúdios e começamos a escrever as nossas próprias coisas. Depois de seis semanas, encontramo-nos novamente, sentamo-nos e tentamos descobrir quais as ideias que queríamos usar. E houve 12 a 10 ideias de músicas, que eu e Jonas, o baterista, voltamos e começamos a fazer músicas com elas. E geralmente é assim que trabalhamos! Depois de um mês, voltamos para a banda e dizemos: “Ok! É aqui que estamos agora! Como vos soa? Querem acrescentar algo? Acham que está bom assim?”! Então, levando em consideração o que todo a gente diz, voltamos novamente para os nossos estúdios e continuamos a produzir o material! Depois disso, gravamos as guitarras, vozes primeiro e todos os teclados. No final da gravação, gravamos o baixo e a bateria juntos, para que eles tenham um backing track completo de tudo em perfeita qualidade e possam descobrir quanto das suas quebras, preenchimentos e outras coisas, podemos usar, com base no que já está lá, em termos de vozes, porque o ar na produção é extremamente importante para nós. Sim! Por isso, é como funciona!


M.I. -  Cada música tem também a sua própria instrumentação e maneira de tocar. Uma pessoa com bom ouvido e sensibilidade notará isso. Muito bem! É groovy e dinâmico. Que tipo de magia fizeram desta vez e como escolheram os instrumentos para elas?

Como devo responder a isto? Nós apenas tocamos música do jeito que podemos tocar música! Nunca pensamos nas nossas próprias capacidades ou instrumentos. Usamos os nossos instrumentos como ferramentas, para fazer a música! Para mim, sou extremamente baseado em músicas! Estou interessado apenas no resultado final da música! Eu não estou particularmente interessado em instrumentação se não serve a música! A música é a primeira, 95% da música, é a qualidade real da música para mim! E então, é claro, somos capazes de tocar solos de guitarra, solos de baixo, solos de teclado, mas apenas se a música precisar!


M.I. -  Trabalharam com as pessoas mais incríveis da cena musical para produzir este álbum. Como foi trabalhar com Jacob Hansen, Jonas Ekdahl, Jakob Herman, Giannis Nakos e Patric Ullaeus?

É ótimo! Quero dizer, esta é a equipa dos Evergrey hoje! Eu e o Jonas produzimos o álbum, o Jacob faz a mistura e o Giannis faz as capas. O Patric faz com que as ideias visuais ganhem vida juntamente comigo. São ideias minhas, mas ele faz com que as minhas palavras se traduzam para a câmara, virem histórias e vídeos!
É uma grande equipa que temos! Os Evergrey e o Patric trabalham juntos desde 2001. É muito tempo para nós juntos! São duas décadas a fazer filmes juntos. Conhecemo-nos muito bem! Não sei quantos vídeos fizemos! Talvez eu devesse contar algum dia! Ao trabalhar juntos há tanto tempo, conhecemo-nos bem. Também somos amigos pessoais! Profissionalmente, conhecemo-nos a um nível muito profundo! Assim, sabemos o que queremos fazer! Podemos entender o que queremos! Com o Jacob, este é o seu quinto álbum com os Evergrey! Também é muito tempo! São mais álbuns do que muitas bandas fazem em toda a sua carreira, mas é o que fizemos com o Jacob até agora. O Jacob é o 6º membro da banda, em termos de tornar o nosso áudio sonoro, os sonhos saem. Desses 5 álbuns, o Giannis fez três capas! Ele é extremamente atencioso e um grande artista. Deixo-o fazer o que ele quiser, baseado na letra que lhe dei e no título do álbum. 
É uma equipa que sou muito grato por ter e aprecio muito!


M.I. -  Vocês têm um catálogo notável, com álbuns lançados pela AFM Records, Inside Out Records e Napalm. Irão relançar os antigos através da Napalm?

Lançamos os antigos com através da AFM. Desde o primeiro álbum, nós relançamos com a AFM.


M.I. -  Tens também outro projeto: “Silent Skies”, com o pianista clássico Vikram Shankar. Tão bonito! Irão lançar algo em breve?

Temos de esperar por outro, já que lançamos um novo disco! São dois anos entre os álbuns! Vamos ver! Estamos a trabalhar constantemente juntos. Por isso, vai haver mais música!


M.I. -  Contam com 25 anos de existência e novas oportunidades estão a ser abertas com este álbum. O que esperam com o início deste capítulo: uma digressão europeia, que virá a Portugal? Quem será a banda de abertura? Podes-nos contar alguns planos, por favor?

Não sei! Não verifiquei se vamos a Portugal! Começamos a tournée europeia, em setembro, por 6 semanas! Não sei se vamos a Portugal, para ser sincero! Como não estou muito confiante de que isso aconteça ainda, por causa da pandemia, não vou entrar em detalhes da tournée ainda! Farei isso mais tarde, quando souber que vamos em tournée. Nessa altura, aprofundarei os detalhes da tournée!
Sim! Adoraria voltar a Portugal! Já estivemos aí algumas vezes, mas gostaríamos de voltar, é claro! Ainda não sei!


M.I. -  Mais uma vez, obrigado por esta oportunidade, Tom. Podes deixar algumas palavras para Portugal, para os fãs portugueses e para os leitores da Metal Imperium?

Obrigado por me receberem! Assim que tivermos oportunidade, iremos a Portugal! Temos muitos amigos aí! Vocês têm um monte de ótimas bandas, e nós adoraríamos ir tocar para vocês! Festivais, clubes: contactem-nos e estaremos aí o mais rápido possível!

For English version, click here

Ouvir Evergrey no Spotify

Entrevista por Raquel Miranda