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Dia 1 

É chegada de mais uma romaria a Beja, para o evento que colocou o Sul de Portugal no mapa dos grandes acontecimentos de peso nacionais. Sendo o primeiro ano em que a entrada não seria gratuita, ficava no ar a expectativa se tal afectaria a adesão mas com um cartaz deste calibre e com uns singelos 12 euros de preço do passe de três dias, seria uma lamentável desculpa não rumar mais uma vez ao Alentejo e participar nesta já estabelecida tradição de Verão. Os concertos começaram no palco principal com os Oniromant, que substituíram os Mother Abyss e que grande surpresa foi esta banda. Apesar de serem um power trio e de o recinto ainda ter poucas pessoas, o peso e a distorção encheu não só o espaço como também deve ter enchido o distrito. Um peso sufocante sentido pelos seus executantes e por quase todos nas imediações. Sem dúvida, um diamante em bruto - e bruto é o termo perfeito - a descobrir no espectro do doom hipnótico e catártico nacional. Nem sequer alguns problemas com o som da guitarra numa das músicas os afectou, já que o mantra sonoro por eles emitido era bem eficiente, no qual a costela experimental e noise encaixa que nem uma luva. Uma banda sem lançamento nenhum mas que, se este mundo for justo, merece-o urgentemente.


Seguiam-se os Hellcharge, representantes da sonoridade que mais representatividade encontraria nesta edição, o grind/crust, tingindo de negro. Descargas curtas de grind arraçado de punk com nítidas influências de bandas como Discharge e Anti-Cimex e com um espírito black metal foi o que se pôde encontrar, que soa em palco bem mais ameaçador do que em estúdio. Com pouca comunicação com o público a sua actuação conseguiu arrancar poucas reacções, a banda do Porto teve uma passagem algo estranha pelo palco de Beja, assim como final da actuação, onde a banda saiu de repente, quase a correr. Foi com os Brutal Brain Damage que as motivações mais sérias em frente ao palco começaram. Sem baixo, a banda parecia um furacão na porrada que distribuía e no bailarico que criou com Carlos "Cami" Lopes a incitar constantemente o público tal como o dever de um bom frontman - chegando inclusivamente a saltar para o público e fazer parte do circle pit. Já se sabe que o humor (negro) é uma boa parte da identidade da banda e boa disposição era exactamente o que foi transmitido de cima do palco, um sentimento contagiante e apreciado por todos. Destaque para o tema "Bang Bang Theory", tema que será, em princípio, o nome do próximo álbum e que teve a sua estreia ao vivo em Beja e que era tocada pela banda apenas pela segunda vez. Apesar de Carlos referir que sairia uma merda, foi tocada como se já tivesse anos de rodagem. 



Se o público já estava bem quentinho com o death metal brutal dos Brutal Brain Damage, a loucura estava instalada com os Switchtense que são, por excelência, o exemplo de como se deve dar concertos com energia inesgotável. O público foi atraído para o palcom, com uma plateia já mais bem composta e bem alimentada com malhas que já são verdadeiros clássicos como "Second Life" e "Into The Words Of Chaos". Uma atitude sempre de salutar de humildade e de serviço ao estilo que tanto amam tocar e é graças a essa atitude que também lhes é fácil reconhecer as mesmas atitudes nos outros, como Hugo referiu ao agradecer à organização por este festival que já é incontornável pela aposta naquilo que é nacional, fora algumas excepções. Também não faltaram os agradecimentos a Rolando Barros qu"The Right Track" e "Ghosts Of Past" (dedicada àqueles que nos últimos quarenta anos se serviram a eles próprios antes de servir o povo e a nação) foram outros bons exemplos de como a banda domina qualquer palco por onde passe, pedindo inclusivamente mais dois minutos para tocar mais um tema rápido antes de acabarem. Um concerto intenso como só a banda da Moita sabe dar.


Foi a vez do death metal técnico dos Undersave tomar conta das operações com uma recepção algo fria (de forma injusta) por parte do público. O tempo prolongado do soundcheck quebrou o ritmo e depois da bomba que foi a actuação dos Switchtense, a posição seguinte seria sempre desafiante. A banda não tremeu perante a responsabilidade e debitou o seu som como se fosse um tanque imparável e implacável. Mais impressionante é se tiver-se em conta que apresentaram um guitarrista novo e um baixista que está na banda desde 2013. Com apoio no álbum de estreia editado há dois anos, onde se destacaram temas como "Assuming A Position... A Way To Criticize One's Own Hypocrisy" e "Digging And Blocking The Exit To The Unwanted Freedom", a prestação foi imaculada embora sem brilho, talvez pelo feedback mais frio (ou mesmo a ausência total do mesmo), facto notório quando Nuno, vocalista/guitarrista anunciou que iam tocar a última música e não houve nenhuma reacção. Como disse no início, algo injusto.

A primeira internacionalização no palco principal esteve a cargo dos Rompeprop, banda holandesa de gore grind que, se formos honestos, a avaliar pela qualidade sonora, não teria lugar como send das últimas bandas a actuar. A intro folclórica chamou logo muito público à frente do palco, inclusive muitos mascarados tal como a própria banda, com o guitarrista e vocalista Dry Dr Dente vestido de cirurgião e todo sujo de sangue, enquanto o baixista estava vestido de esqueleto, enquanto o baterista estava apenas banhado em sangue. Assim que começaram as coisas tornaram-se bem mais sérias, com o seu som bruto e javardo a provocar grande agitação no circle pit. A voz de Dente ia alternando - um microfone debitava a voz normal e outro estava ligado a um pedal de efeitos que a distorcia por completo, o que fazia com que a sua música não tivesse dinâmica quase nenhuma. Se a banda em estúdio é para lá de fraca, ao vivo acabam por beneficiar da sua boa disposição e da extrema humildade que apresentaram. Um genuíno sentido de gratidão por estarem ali e pelo público presente que se sentiu para todos os que assistiram. O final apoteótico teve direito quase a mais pessoas no palco do que a assistir - perdoe-se o exagero. Depois disso, o público gritou por mais e a banda acedeu para mais uma curta mas potente descarga de gore grind. Apesar das limitações da sua música, acabou por encaixar como uma luva neste final do primeiro dia da quinta edição do Santa Maria Summer Fest.

Para terminar o dia e aproveitando a maré dos Rompepro, vieram os minhotos Serrabulho. De atraso em atraso, a última banda entrou quando já deviam estar a sair. Foi exactamente às quinze para as duas, que se fez ouvir a intro "Eu Vi O passarinho" e que antecedeu a entrada da banda mascarada numa espécie de amish surfistas ou skaters - amish da parte de cima, surfistas/skaters da parte de baixo. Como já é costume, começou a loucura, com a distribuição de boias para o público e as danças frenéticas que o grind gore da banda obriga. Malha após malha, os Serrabulho tiveram sempre o público na mão e acabaram por ser a banda ideal para fechar este primeiro dia - quando o público entoa "Quero Cagar E Não Posso" por livre e espontânea vontade e a banda responde com o respectivo tema é sinal que a simbiose entre os dois é quase perfeita. Intros descabidas, a estranha fixação pelas boias e colchões de praia são as armas da banda minhota para a garantia de boa diversão, com resultados normalmente garantidos e que aqui não foi excepção.

Foi um começo de qualidade neste primeiro dia e aquele espírito muito próprio que o festival já tem e que este ano além do palco principal, ainda tinha um palco secundário onde se iniciavam as actuações do dia durante a tarde, actuações essas que eram grátis e não obrigavam a ter o passe para o festival. Os T.204 previstos para actuar tiveram de cancelar a sua actuação e passaram para o último dia. Sendo assim, chegaram-se à frente os Shredded To Pieces com o seu rock/metal alternativo cheio de garra, seguindo-se o rock energético de faro dos The Stray, o hard'n'heavy tradicional dos Hard Tension, também do Algarve e os grindgore dos Smashing Dumplings da Républica Checa. Uma iniciativa que só fez com que fosse dado mais um passo em frente na melhoria do festival. Depois dos Serrabulho, finalizou-se um dia com um set de DJ intitulado Old Skull e que levou a festa até às quatro da manhã.

Dia 2

Depois de um primeiro dia intenso, iniciou-se este segundo de uma forma igualmente intensa com os Death By Armborst a providenciarem uma das melhores aberturas de todo o festival. O seu punk rock injectado de hardcore e lubrificado a muito suor, chamou logo a atenção do público que ainda estava a chegar aos poucos. Num instante se formou logo um circle pit e a banda transmitiu tanta energia como aquela que depois colheu por parte da plateia. A energia que era debitada das colunas era a mesma vivida pelo quintento em cima do palco principalmente pelo vocalista Fabian, que era quem vivia mais intensamente a música que estava a ser tocada. De tal forma que, inconformado pela distância (quase nula) que separava a banda do público, saltou do palco para junto do mesmo por diversas vezes para cantar junto da assistência. A entrega foi de tal forma perfeita que Fabian mostrou-se surpreendido quando lhe disseram que tinham esgotado o tempo, quando por ele continuava a tocar até esgotar o reportório e talvez repetí-lo duas vezes. Uma banda com apenas dois EP lançados mas com uma qualidade extraordinária e que deve ser tomada em conta.

O rock movido a punk e hardcore deu lugar a sonoridades mais tradicionais, sendo que os Ravensire não chamaram imediatamente tantas pessoas a si como os suecos Death By Armborst, mas aos poucos o público foi-se concentrando em frente ao palco. Prejudicados por um som algo desequilibrado onde picos de agudos e graves, ocasionalmente prejudicavam a audição, o que foi pena porque é uma das bandas que mais gosto dá ouvir com um som poderoso - embora apostem sempre no seu heavy metal cru e sem grandes brilharetes sonoros. Não puderam faltar temas como "Drawing The Sword" , "Gates Of Ilion" e, o já hino, "Stay True, Stand Tall", a fechar uma prestação de valor da banda nacional e a provar que é possível o verdadeiro heavy metal estar presente em cartazes de metal extremo - de outra forma também não faria sentido, o "pai" ser banido da casa dos "filhos".

Do heavy metal tradicional passou-se para a mistura entre o death metal e o hardcore, com bastante energia e que foi aos poucos construindo a sua conquista do público, que teve a atitude de ficar contemplativo a abanar a cabeça - facto referido pelo vocalista como sendo algo que até os fãs do Justin Bieber podiam fazer. Sendo discutível, era um facto que o som da banda pedia mais energia do público. Embora não se verificassem os desequilíbrios sonoros como em Ravensire, a verdade é que por vezes os graves por vezes sufocavam tudo e todos. De qualquer forma, malhões como "My Arms Are The Oceans" foram manifestos de energia debitados desta banda que reuniu-se para esta ocasião depois de terem acabado em 2011 e de uns esporádicos concertos dessa data para cá. 


Voltando às sonoridades mais punk, foi a vez dos Trinta & Um, banda de Linda-À-Velha que entrou em palco decidida a causar movimento entre o público e foi precisamente isso que aconteceu. Com um som poderosíssimo, o hardcore fez logo amigos entre a assistência e começou logo a provocar movimento, com um circle pit energético, tendo já uma assistência considerável. A aquisição de Deris na guitarra  e de Rato na bateria foram dois tiros em cheio e a já instituição do hardcore nacional ficou revitalizada com este sangue novo, principalmente Deris, que é sem dúvida uma mais valia extraordinária para o som da banda. Não faltaram clássicos da banda como "Merda de Polícia", "Porque Eu Acredito", "Linda-À-Velha Hardcore" e a inevitável "O Cavalo Mata". Não fossem as contingências de tempo de estar a tocar num festival e a banda tocaria sem muitas dificuldades por mais uma hora, pelo menos assim parecia ser a sua vontade e a do público.



Mais uma banda e mais uma viragem estílistica, desta vez os A Tree Of Signs, talvez colocados numa posição difícil do alinhamento, sendo que depois da actuação explosiva dos Trinta & Um, o doom/stoner da banda lisboeta previsivelmente encontraria alguma resistência entre o público, tendo mais efeito em ambientes mais fechados e intimistas. De qualquer forma, houve muitos a apreciaram a sonoridade muito própria dos A Tree Of Signs, que não acusou o toque do desafio em mãos, tocando de forma sentida e energética a sua proposta muito própria. A instrumental "Red II" que serviu de intro, "Red Lune II", "Saturn", "Book Of Silence", "Of The Division Of Chaos" e "Greate Python" foram dos melhores momentos do grupo em cima do palco. O grande problema acabou mesmo por ser alguma apatia - ou talvez estivessem todos em transe - por parte do público mas mesmo assim, foi uma actuação irrepreensível com um som igualmente bom, com os teclados cada vez mais inseridos na actuação com João Galrito já integrado por completo. Ficou a boa notícia de que o álbum viria a caminho e a sensação de dever cumprido.



Atentado, uma das novas sensações do grindcore nacional, foi a banda escolhida para antecederem uma das grandes sensações desta edição do festival, os Extreme Noise Terror. Após o transe dos A Tree Of Signs, foi a vez de começar o movimento em frente ao palco e para tal não haveria melhor do que a banda lisboeta. Uma máquina bem oleada, o quintento caiu como uma bomba em Beja, fruto da experiência obtida pelos concertos que os dois álbuns já lançados e os concertos que os mesmos proporcionaram. Bailaricos constantes e uma mistura vencedora entre o espírito punk e a força do metal resultaram numa actuação explosiva e incansável. Nota para um factor que aconteceu ao longo do festival, das pessoas que subiam ao palco, supostamente para fazerem stage dive e que ficavam por lá, ora a ver ora a atrapalhar quem tocava. Tal como Rafael, vocalista, disse a certa altura, "subires ao palco para ficares a olhar é que não dá com nada".


Foi chegado o momento mais aguardado para muitos dos que estavam presentes no segundo dia do Santa Maria Summer Fest, a lenda viva do Crust/Grindcore/Death metal britânico (e porque não mundial?), que justificou todas as expectativas geradas em relação à sua vida a Portugal. Se com os Atentado havia membros do público que insistiam em estar em cima do palco a assistir o concerto de outra perpectiva, com os ENT, isso foi levado a um extremo, causando um efeito visual engraçado mas tornando-se algo distractivo para quem estava a ver. A uma certa altura não se sabia a quem se estava a prestar atenção, se à banda se aos "penetras". Faz parte do espectáculo e do género e a banda, apesar de um momento o outro de impaciência, conviveu bem com esse facto. Além de ter sido passado em revista grande parte dos clássicos crust da banda, ainda houve tempo para a merecida homenagem ao Phil Vane, ex-vocalista da banda entretanto já falecido. "Bullshit Propaganda", "Deceived", "Third World Genocide" e "Religion Is Fear" foram alguns dos temas tocados e que foram recebidos de muito bom grado pelo bailarico alentejano. A questão do tempo tornou-se crucial já que devido aos atrasos que se foram acumulando acabaram por provocar com que não houvesse muita margem para manobra. A banda queria mais, o público também, mas são os malefícios dos festivais, existem sempre estas questões relativas ao tempo disponível para tocar. Ficou um concerto excelente e a banda completamente rendida ao público nacional e vice-versa.


Para terminar, outro dos momentos mais aguardados. Uma actuação única de músicos do nosso underground, onde se incluiam, N.H. (Corpus Christii e A Tree Of Signs), João Galrito (também A Tree Of Signs e dos Göatfukk, Alchemist) e Deris (Göatfukk, Alchemist e Trinta & Um) que visou recriar ao vivo o álbum "Panzerfaust" dos Darkthrone. Um álbum subvalorizado no panorama black metal e na própria discografia da seminal banda norueguesa. Temas como "En Vind Av Sorg" (tipicamente black metal escandinavo ou Darkthroniano) ou "Triumphant Gleam" (totalmente Celtic Frost) soaram tão bem ao vivo ou arriscando a blasfémia, melhor que em disco, principalmente devido às vozes over the top (demasiado) que foram registadas pelo duo na primeira metade da banda. A intro usada foi a última música do álbum, a "Sno Og Granskog (Utferd)" e fez com que a expectativa fosse crescendo aos poucos até clássicos começaram a ser debitados. A banda montada para esta ocasião passeou pela referido álbum como se seu se tratasse, com apenas um percalço na "Hans Siste Vinter" mas que passou praticamente despercebido. Uma sensação indescritível para o comum fã dos Darkthrone e do black metal escandinavo ver e ouvir as músicas que tantas vezes ouviu e que nunca teria oportunidade de ver tocadas ao vivo não fosse uma iniciativa como esta. Uma excelente dia a fechar com chave de ouro o segundo dia do Santa Maria Summer Fest. 


Tal como anteriormente, este segundo dia iniciou-se com os concertos no palco secundário que foram sendo intercalados com a SMSF Extreme Battle (três bandas a tocar no palco principal para ganharem, através do voto da assistência, pelo primeiro primeiro prémio que incluia a gravação  de três temas no Poison Apple Studios e ainda a gravação e edição de vídeo profissional da prestação no SMSF levada a cabo pela Red Lizard - Produções Audiovisuais.) As bandas a disputarem esta extreme battle foram os Mindtaker, os Sangue-Xunga e os My Enchantment. Assim sendo, as hostilidades começaram com os Since Today, hardcore de Odemira, no palco secundário sendo que de seguida tocaram os Mindtaker, no palco principal com o seu thrash metal old school, cheio de garra. Voltando ao palco secundário, estiveram os Northern Light, um black metal melódico não muito inspirado, nem nas covers de Cradle Of Filth ("Funeral In Carpathia") e Mayhem ("Freezing Moon"), enquanto no principal tocavam os segundos concorrentes, Sangue-Xunga com o seu hardcore metalizado. Finalizando o palco secundário, estiveram os Artnis, com música acústica e instrumental, a mostrar o factor diversidade, mais uma vez, das ofertas sonoras do evento, enquanto os My Enchantmen fechavam a Extreme Battle e demonstraram ser a mais profissional de todas as bandas concorrentes, acusando toda a experiência ganha nos últimos tempos, onde se inclui o lançamento do EP, "The Death Of Silence", no passado mês de Março. O início em grande para mais um dia forte de propostas de qualidade no Santa Maria Summer Fest.

Dia 3

Cubo de Mierda poderá ser o sinónimo para Grindcore em castelhano e foi com eles que se deu início às hostilidades no terceiro e último dia do festival alentejano. Grind/crust debitado com duas guitarras, duas vozes e uma bateria foi o que fustigou os primeiros a entrarem no recinto onde a raiva e crítica social foram uma constante. Tal não teve grande impacto no público e surpreendentemente não causou o rebuliço esperado no circle pit. Ainda assim, um bom número de espectadores manteve-se em frente ao palco a abanar a cabeça a assistir uma prestação sem muito a assinalar a não ser a falta que o baixo faz na sua música. Ajudou o facto do vocalista, Tiago, ser português e facilitar na comunicação. Para finalizar a actuação escolheram uma cover dos Crise Total, "Santa Inocência".

De Espanha foi-se para Braga e foram os Hunted Scriptum a banda escolhida para dar andamento ao segundo dia, com a sua proposta de death metal moderno (modernaço), com aposta no groove e na brutalidade. Entraram em palco vestidos de cirurgiões, com máscara, enquanto o vocalista entrou com uma camisa de forças. Apesar do som forte, ainda não foi com eles que o bailarico se iniciou. Os breakdowns e assomos de deathcore também não ajudaram muito à festa, embora o peso fosse inegável. O inconformismo por parte do vocalista em provocar algum movimento raramente deu frutos, tendo dado principalmente nas vezes em que saltou para o público e começou ele próprio a meter o circle pit em movimento - quando queres alguma coisa bem feita, fá-la tu mesmo, já diz o povo. Destaques para o tema cantado em português "Melâncolia" e a inevitável "Slay Kill Torture" que antecede sempre o revirar o palco do avesso antes de abandonarem. 

Inicialmente poderia estranhar-se a presença destes espanhóis Strikeback no palco principal quando são praticamente desconhecidos mas mais uma vez, são uma prova que a organização fez o trabalho de casa e que está atenta às redondezas. No início da sua actuação, o palco não tinha público à sua frente mas conforme o quinteto espanhol começou a tocar o seu thrash metal old school, depressa se foram juntando. Embora desconhecidos de grande parte do público, a banda atacou com tudo e proporcionou uma actuação demolidora com temas como "Bringers Of Destruction", "Kill Or Be Killed" (um grande hino thrash), "Share Your Hate", "Revolution" e "This Is Thrash", onde o vocalista Liber saltou para o público para se juntar ao bailarico e ainda trocou de posição com o guitarrista slo e os dois saíram-se muito bem nos respectivos postos. Liber ainda solou como se não houvesse amanhã. Uma boa surpresa esta banda espanhola e que venham muitas mais vezes ao nosso país.

Passando para sonoridades mais obscuras, os Nefastu tomaram conta das operações, com direito a corpsepaint da ordem e debitaram o seu black metal necro e odioso. Não houve grandes espaços para comunicações com o público - afinal é de black metal de que estamos a falar. Ainda reuniram um número razoável de espectadores em frente ao palco num dia onde já se notava o facto de ser Domingo, sendo o dia com a afluência mais fraca do festival. De qualquer forma, alheios a tudo isso, os Nefastu tocaram de forma irrepreensível e ainda conseguiram arrancar muitas boas reacções por parte do público. 

Por falar em black metal, os Filii Nigrantium Infernalium foram chamados ao palco para uma das grandes atracções desta edição. A sua mistura muito própria de heavy, black metal, punk e rock n'roll chamou o público que já parecia ter ido para casa. Belathauzer estava em chamas, na voz, na guitarra com direito a ocasionais solos de guitarra, mas sobretudo na arte de entreter. A formação dos Filii é de luxo com Rick Thor no baixo (Ravensire e Ironsword), Norberto Arrais (Atentado e também Ironsowrd), Mantus (ex-Moonspell) e o já mencionado Belathauzer. Temas como "Labyrinto", "Morte Geométrica", "A Força de Deus", "Necro Rock'N'Roll" e a inevitável "Abadia do Fogo Negro" foram dos melhores momentos da sua actuação, com direito a convidados especiais, tais como Beyonder dos Martelo Negro e Avé Fodas com um final caótico, apoteótico ou mesmo apocalíptico. Ainda se teve direito a cuspidores de fogo, numa actuação que foi sem dúvida um dos pontos altos da noite e do festival.

Com um disco novo às costas acabado de lançar pela Lifeforce, os We Are The Damned foram mais um foco de porrada sonora que fez que as pessoas se aproximassem do palco após um longo e prolongado soundcheck. Como uma locomotiva, os We Are The Damned entraram com tudo, com Correia a incitar à acção por parte do público. Não era necessário pedir já que o bailarico ficou logo montado assim que a intro finalizou. A banda foi alternando novidades de Doomvirate, lançado no final do mês passado, como "Dreams Under Surveillance", com temas mais antigos numa mistura homogénea e revelando aquilo que já todos sabem: são uma máquina temível em cima dos palcos e uma aposta sempre segura para qualquer cartaz, nacional ou internacional. 


E depois de uma experiência destas, seguiram-se os The Quartet Of Woah, talvez os mais desfasados do alinhamento desde segundo dia, colocados numa posição difícil, mas de qualquer forma deram um concertozorro onde até temas um pouco mais intimístas (pelo menos no seu início) como "Path Of Our Commitment" resultaram em pleno. Nem o som um pouco grave demais e algo imperceptível impediu da banda de passear autenticamente pelo palco do festival e transformá-lo numa verdadeira nave espacial em direcção ao espaço, graças ao forte teor de jam que a sua música tem. A banda agradeceu à organização pela sua persistência em tê-los no alinhamento do festival, um festival de metal extremo, sem medos e com convicção do seu valor. Todos os presentes terão motivos para agradecer pelo mesmo, já que a energia que esta banda coloca em cada actuação faz com que pareça sempre a última e esta não foi a excepção que confirmou a regra. Um grande concerto de um dos grandes valores do rock nacional.


Para finalizar o dia e o festival, seriam chamados os Besta. Com uma intro do Zé do Caixão, o Inferno subiu à terra. Foi um desfilar de porrada que ainda encontrou muitos ouvidos resistentes e àvidos de apanhar death/grind/crust necro e que impediu que o circle pit arrefecesse. Nem o facto do vocalista ficar sem som no micro durante quase duas músicas impediu que o ritmo abrandasse. Nem mesmo o facto de Correia e Lafaia já terem tocado com os We Are The Damned nem chegou a duas horas antes. Uma prestação explosiva de outro dos tesouros nacionais e um fecho em altas de um festival que já faz parte da tradição metaleira do nosso país. 

Como foi habitual, no início do dia tivemos os concertos no palco secundário, sendo que desta vez começou mais cedo que previsto, com a actuação do projecto experimental T.204, que tinha tido a sua actuação cancelada na sexta-feira, primeiro dia do festival. Depois seguiram-se os Jackie D., power rock lisboeta e sem dúvida tinham valor para estar no palco principal, sendo um dos grandes valores emergentes nacionais. A finalizar estiveram os Wall Of Vipers com a sua mistura de thrash com death metal e o punk rock descontraído dos Suspeitos do Costume, com direito a covers de Peste & Sida, Censurados e Xutos & Pontapés. 

Todos terão ido para casa satisfeitos. Os espectadores pela qualidade dos concertos que assistiram, as bandas pelos concertos que deram e a organização de certeza que tem mais uma sensação de dever cumprido, por mais uma edição de um festival que tem algo de diferente a oferecer ao seu público. Quando no mainstream vimos cartazes a repetirem-se ano após ano, sempre com os mesmos intervenientes, é de salutar que com menos recursos, com mais criatividade e sobretudo, com mais amor à camisola, consegue-se atingir resultados bem mais satisfatórios. Haverão muitas coisas a melhorar, como tudo na vida, mas ter-se chegado a esta quinta edição, com um cartaz destes e com resultados a nível de afluência bem satisfatórios, será sem dúvida uma vitória não só da organização mas também das bandas envolvidas e de todos nós, que exigimos mais eventos, exigimos mais qualidade nacional, e quando as há, estamos presentes para apoiar. Para o ano há mais!


Reportagem por Fernando Ferreira
Fotografias gentilmente cedidas por Pedro Santos
Agradecimentos: Santa Maria Summer Fest