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Dia 11/09 / Dia 0

O mais ambicioso festival português arrancou oficialmente com uma série de concertos gratuitos, no chamado Marina outfest onde tocaram Unrecognized e os DW Void (duas bandas locais, mostrando também a preocupação da organização em apoiar o cena local), depois os Torpe (a banda da série Os Filhos do Rock), os Souq (de Aveiro com uma espécie de stoner rock psicadélico). os Aqua Nebula Oscilator (psicadelismo à farta de França) e a terminar com os Mars Red Sky (um dos grandes nomes do stoner francês). 

Dia 12/09 - Dia I

Seria no entanto no dia seguinte que a maratona a sério de música começaria, sendo que a acção foi repartida entre dois palcos, o palco Rio e o palco Sabotage. O horário foi construído, pelo menos neste primeiro dia, de forma a que acabando um concerto, o outro tivesse começado à pouco tempo e foi o que acabou por acontecer. Começou pelos Cave Story, um jovem banda das Caldas da Rainha que anda pelos meandros do garage rock, indie alternativo. Uma boa vinda a todos aqueles que estavam a entrar. Pouco tempo depois foi tempo dos Black Leather, que tinha como cartão de apresentação o rock psicadélico, com muita distorção à mistura, mas capaz de prender a atenção verdadeiramente. A primeira banda estrangeira deste primeiro dia foram os franceses The Jabberwocky Band com a sua trip sonora embebida em shoegaze e psicadelismo viajante. A primeira a conseguir prender realmente a atenção, com um bom som, hipnótico, tendo apenas um problema, algo que se iria verificar mais vezes neste e no dia seguinte. O palco Rio era o palco que estava mais perto do palco Reverence, o palco principal, e o sound check revelou-se alto demais para quem queria apreciar a música no palco Rio. Algo a ter em atenção em futuras edições. 
De volta ao palco Sabotage, um dos momentos mais fracos do primeiro dia, a banda portuguesa Putas Bêbadas, que com o seu punk rock noise, de certeza que devem ter criado algumas dores de cabeça, sendo que o caos sonoro desconexo e descoordenado e voz imperceptível foi o prato principal da sua actuação, com jams intermináveis onde cada um parecia tocar para o seu lado. Uma verdadeira javardeira musical mas provavelmente é esse intuito e se assim for, estão de parabéns, conseguiram. Os The Feeling Of Love contrabalançaram esta vertente com um som vintage, muito graças ao teclado do seu garage rock bebendo um pouco ao poço do rock alternativo também. No palco Sabotage, o primeiro abalo sísmico veio com os Kilimanjaro. O power trio de Barcelos foi a primeira banda a reunir mais interesse por parte do público e também a justificá-lo com uma actuação curta (como todas dos palcos secundários, embora tenha sido no caso de bandas como esta em que isso se notou realmente) mas demolidora. "Howling" foi um dos temas em destaque do mais recente álbum, "Hook", lançado apenas alguns meses atrás. François Sky e convidados era uma actuação procurada por alguns com curiosidade, já que o músico francês radicado na Alemanha já criou uma boa reputação por essa Europa fora pelas suas actuações improvisadas. No que diz respeito ao que pudemos ver, a música foi instrumental, sem bateria e com uma caixa de ritmos a marcar a batida, com a agravante de a batida ser basicamente a mesma o que também fez com que as músicas soassem todas iguais. 
Teve a participação de André, o baixista dos Dream Weapon (cortesia que o François retribui no dia seguinte - já lá vamos). Mais uma vez o palco Sabotage a registar momento de grande qualidade com uma banda portuguesa a ser responsável. Os Born A Lion deram cartas com o seu rock energético onde nem problemas com a bateria foram suficientes para manchar a sua prestação. No palco Rio confirmou-se que a grande tendência deste festival era o space rock e o psiquedelismo. Os The Asteroid #4 misturam o feeling pop acústico de uns Beatles com sonoridade tripante dos Hawkwind da década de setenta. A banda foi muitíssimo bem recebida e acusou o toque, referingo como era bom estar no nosso país e em como Portugal era a Califórnia da Europa, corrigindo e indo ainda mais longe ao dizer que a Califórnia é que é Portugal dos Estados Unidos (a banda é de São Francisco). Graxa à parte, um bom concerto e um bom nome a reter.
Da Suécia vieram os Bombus e com eles, o primeiro sinal de peso metálico que o público de Valada apreciou muito. Um hard'n'heavy sujo à boa maneira da década de setenta onde duas músicas se destacaram obrigatoriamente, sendo uma delas a "Let Her Die" e a, segundo a banda, sua melhor música de sempre, "Into The Fire". No palco Rio, foi tempo de alguma introspecção com os Wooden Wand, que é como quem diz, com James Jackson Toth. Guitarra e voz como manda a tradição dos cantautores norte-americanos, numa actuação também muito apreciada. Apesar de à primeira vista não parecer, a variedade foi uma das grandes armas do alinhamento do festival ribatejano. No palco Sabotage, foi a vez dos portugueses demonstrarem como se faz rock psicadélico, com os Sunflare a desfilarem de forma triunfal com as suas jams viajantes e a terem um dos melhores sons que o Sabotage tinha oferecido até então. Sem dúvida, uma banda a ter em conta, um power trio de valor.
Dos Estados Unidos veio rock do deserto, trazido pelos Sleepy Sun,com uma dose forte de blues viajante e com um certo toque de neo folk norte-americano, um sabor a country com direito a harmónica e tudo. Acabaram por ameaçar cair num certo marasmo mas tal não chegou a acontecer. O que também não ajudou mais uma vez foi o sound check que vinha do palco principal. Também dos Estados Unidos vieram os Cave e a melhor maneira de descrever o seu som é... JAM. Psych rock ou space rock ou rock psicadélico, chega a uma certa altura que se torna impossível distinguir de forma correcta ao que se ouve, mas o que é certo é que ouvir o som dos cave é como ouvir uma enorme jam. Som instrumental, repetitivo e hipnótico, com forte ênfase no trabalho ritmico e recorrendo a alguma electrónica. Uma grande banda. Ainda dos Estado Unidos vieram os Ringo Deathstarr com rock alternativo com fortes tiques de shoegazes e noise da década de oitenta, a fazer a promoção ao seu novo trabalho, "God's dreams". Mais um power trio - o formato mais visto nestes dias - de qualidade. O palco Sabotage deu as boas vindas ao rock indie do duo norte-americano Woods. Suave e melancólico mas boa onda, a recorrer também à harmónica - um instrumento que ainda não é usado o suficiente - numa actuação simples mas eficaz. Era a vez dos nomes do palco principal, o palco Reverence entrarem em acção. 
Os The Wytches foram os primeiros, com quinze minutos de atraso em relação ao estipulado mas a agradarem ao já muito público concentrado em frente ao palco. Rock psicadélico reminiscente tanto daquilo que está nas raízes dos Nirvana assim como do new wave em voga nos finais da década de oitenta e nos inícios da de oitenta. Actuação interessante, tirando o efeito de reverb da guitarra irritante."Gravedweller" foi um dos temas em destaque. Seguiram-se os Swervedriver, uma banda já veterana a trazer um pouco daquele som que saía do Reino Unido em meados dos anos noventa. Som que alternava entre o contemplativo e o energético mas sempre hipnótico. 
Seguiram-se aqueles que eram um dos grandes nomes do primeiro dia e de todo o festival, os Red Fang. De regresso ao nosso país depois de escasso meses de passagem por cá, a actuação da banda norte-americana foi um desfilar de clássicos atrás de clássicos, sem muitas conversas pelo meio, tais como "Malverde", "Blood Like Cream" (já obrigatória), a "Wires", a "Sharks", a "DOEN", "No Hope" e "Into The Eyes" - esta última representativa do espírito da banda nesta actuação em que Aaron Beam depois de uma piada forçada referiu que como não tinham jeito para falar no meio das músicas, o melhor era mesmo tocarem e assim fizeram. Ainda referiram mais do que uma vez o prazer de estarem de volta ao nosso país, ainda por cima num cartaz tão grandioso como o de Reverence. O público gostou e a banda também.
Mais uma das bandas mais aguardadas, os Graveyard. A banda sueca são um dos nomes em que se pensa obrigatoriamente quando o assunto é hard'n'heavy retro e as expectativas não saíram goradas já que a banda deu um grande concerto com o seu rock pesado de sabor à década de setenta a causar delírio entre o público seja nos sons mais introspectivos como a "Slow Motion Countdown" assim como nos momentos mais agitados como "Ain't Fit To Live Here". Um excelente concerto, tal como esperado. Os senhores que se seguiam é que já eram aguardados há muito tempo no nosso país sendo que a passagem em 2010 parece que foi numa outra vida. Mesmo com as expectativas em alta estas forma correspondidas por completo. Um som que favoreceu em todo o peso monolítico da banda e onde malhas como "Dopethrone" e "Satanic Rites Of Drugula" não puderam faltar. Um regresso em grande e que se espera que se repita não só daqui a três anos.
Depois do palco principal acabar foi vez de voltar a alternar novamente entre os palcos Rio e Sabotage, onde a música iria prosseguir até ao raiar do dia, sendo que os mais resistentes seriam brindados com projectos de qualidade superior - talvez ainda mais do que aqueles que iniciaram o dia. E foi aqui que talvez a organização pecou, porque bandas como Process Of Guilt, Black Bombaim e Miss Lava mereciam ter tido mais público do que aquele que tiveram. Os Process Of Guilt são sem dúvida uma das maiores/melhores bandas de metal portuguesas que com cada actuação, com cada lançamento seu, conseguem superior o que ficou para trás. Apesar do pouco tempo - é sempre pouco tempo - a banda deu um grande concerto onde não faltou a novidade "Liar: Movement I" do recém lançado split com os Rorcal. Os White Hills e o seu stoner space rock fizeram as honras do palco Rio, para quem lhe apetecia viajar na maionese. Ainda se teve direito ao hard rock psicadélico dos The Rising Sun Experience, uma banda lisboeta que também merecia estar noutro horário, assim como os The Telescopes, um dos grandes valores do noise, space rock, shoegaze britânico, e os Naamm, com a sua mistura muito própria entre o drone e o rock alternativo e psicadélico. E o que dizer dos Black Bombaim, uma banda que assenta como uma luva no espírito do festival e que pelas suas capacidades mereciam mais do que tocar às quatro horas da madrugada num palco secundário. Mesmo assim não faltou garra e profissionalismo ao grupo de Barcelos, como seria de esperar. Do mesmo se pode dizer dos Miss Lava, outra banda portuguesa que demonstra estar ao nível de muitas das propostas estrangeiras. Os resistentes foram premiados com uma grande actuação onde se ouviu música nova e um novo membro, o baixista Ricardo Ferreira. A noite acabaria (ou será, o dia começaria?) com os The Cosmic Dead da Escócia, uma das mais clássicas bandas de space rock psicadélico vinda das ilhas britânicas.


Texto por Fernando Ferreira
Fotografia por Paulo Tavares
Agradecimentos: Reverence Valada