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Dia 13/09/2014 - Dia II




Abertura das portas do segundo dia deu-se com algum atraso por razões de ordem técnica, pelo menos de acordo com as pessoas por parte da organização com quem falámos. Talvez o atraso da abertura das portas se tenha devido ao cancelamento dos norte-americanos dos Holy Wave que perderam o vôo, segundo o que se conseguiu apurar, com a organização a preferir atrasar o início dos concertos mais um pouco, apesar de alterar assim o horário que o público tinha acesso, levando a que muitos andassem um pouco perdidos em relação ao que estavam a ouvir. Sendo assim, cerca de mais de uma hora depois do previsto subiram ao palco Sabotage a banda portuguesa Conjunto!Evite (grande nome) que abriu este segundo dia em grande com longas jams a transportar o público para fora deste mundo. 
Um festim de rock stoner e psicadélico que o público do Reverence aderiu com gosto, a provar que este tipo de música não evelhece. Do outro lado do recinto, no palco Rio, os espanhóis Celestial Bums debitaram o seu som quase religioso, se é que se lhe pode chamar tal, a incitar ao mantra no bom estilo dos momentos mais viajantes dos The Doors. O algum público que se juntou sentado em frente ao palco agradeceu e nem o check sound dos Mão Morta (sim, a tendência do primeiro dia manteve-se no segundo) perturbou a sua actuação. Quanto aos One Of These Days And Thee Heavy Random Tone Colour Lab, devido a um problema, apenas pôde aparecer a segunda metade da banda (os Thee Heavy Random Tone Colour Lab), em formato power trio, com bateria, sintetizador, guitarra e voz que demorou algum tempo a arrancar, tal como um vaivém mas que assim que ganhou altura suficiente, já ninguém os apanhou com o seu space rock viajante.
No palco Rio, os italianos Sonic Jesus mostraram que o fuzz e a distorção foram os seus principais atributos, usando e abusando da percussão e do feedback e conseguiram congregar à frente do palco uma boa quantidade de público, conseguindo arrancar ainda algum headbang por parte do mesmo. Como as bandas nacionais foram também uma das grandes forças deste Reverence, os  Dream Weapon e os Keep Razors Sharp foram apenas mais dois exemplos do olho atento por parte da organização em relação ao que anda por aí. os primeiros apresentando no palco Rio um psych rock shoegaze que contou em palco com a presença de François Sky (depois do baixista dos Dream Weapon ter participado em palco na sua prestação no dia anterior) enquantos os segundos no palco Sabotage, indie e psych rock com elementos dos Poppers e dos Men Eater. Boas prestações, boas performances.


Da Inglaterra vieram os shoegazers aficionados de post-rock, Air Formation com um som viajante ainda que um pouco genérico, onde se destacaram faixas como "I Can't Remember Waking Up" e "Low December Sun". Do Reino Unido também e para o palco Sabotage, os Exit Calm, a provar que o rock alternativo ou indie foi um dos grandes estilos aqui presentes e eles Exit Calm foram uma das suas propostas mais vigorosas, com destaque para o poderio das linhas de baixo e da voz carismática. Os Mugstar, além de terem sido a última banda a participar nas lendárias Peel Sessions, também foram um dos destaques do palco Rio deste segundo dia. São chamados como descendentes dos Hawkwind e talvez possa soar um título demasiado grandioso para ser passado mas a qualidade da sua actuação obriga a que tais afirmações sejam feitas. Anunciados por um membro da organização como a melhor coisa desde os Beatles, a banda britânica deixou uma óptima impressão e de certeza que converteu grande parte do público que os assistiu.
Era chegada a vez de uma das grandes bandas nacionais dos últimos anos, os The Quartet Of Woah! A banda lisboeta vive da energia dos palcos e embora inserida em contextos mais metal, aqui era como se estivesse em casa. E estava verdadeiramente. Seria também mais uma banda nacional que merecia mais tempo de antena mas que agarraram o pouco tempo disponível como se não houvesse amanhã e foram eles, possivelmente, quem mais reuniram pessoas em frente aos palcos secundários. "The Announcer, "Empty Stream","The Path Of Our Commitment", a novíssima "Backwardsfirstliners" e inevitável "U Turn" foi um desfilar de energia que nem surpreendeu os já alguns fãs da banda. Por falar em bandas nacionais, uma outra banda que espalha classe é os Asimov que distribuiu psicadelismo vitaminado sem dó nem piedade. Se o Lemmy quando saiu dos Hawkwind para fundar os Motörhead se tivesse deixado contagiar pelo legado da clássica banda de space rock, o resultado seria algo muito próximo disto. "On Through The Night" foi um tema de destaque de mais um concerto com plateia cheia a demonstrar o valor e importância dos projectos portugueses neste tipo de eventos. 
E terá que admitir-se e reconhecer-se o esforço que a organização fez nesse sentido. Continuando pelos projectos nacionais, chegaram ao palco Sabotage os Murdering Trip Blues, um power trio, mais um, a debitar rock sujo, bluesy e viajante (estes termos já começam a ser redundantes mas continuam a ser formas perfeitas de descrição de grande parte das bandas que passaram pelo parque das merendas em Valada). Umas certas semelhanças com os White Stripes mas mais pesados. Mais um nome a ter em conta. No palco Rio chegaram os Bardo Pond, dos Estados Unidos, com uma mistura muito própria de rock psicadélico com shoegaze e até com um certo doom. 
A voz de Isobel tem uma tonalidade frágil e ao mesmo tempo etérea, sendo por si só motivo para uma viagem. Caso não se quisesse embarcar em tal viagem, a flauta usada de vez em quando trataria de hipnotizar os mais resistentes. Numa onda diferente, o palco Sabotage trouxe Bruto and the Cannibals. Para quem não sabe, é o projecto de Jorge Bruto dos Capitão Fantasma e o rockabilly alucinado foi a sua dádiva para o público presente. Uma boa prestação, mesmo com a abordagem vocal muito própria de Jorge Bruto. Os Christian Bland And The Revelators são uma banda norte-americana e premiaram os seus espectadores com algo que fazia todo sentido: uma cover da "Astronomy Divine" dos Pink Floyd. Na verdade, se se fechasse os olhos e se tivesse-se apenas concentrado naquilo que se ouvia, poderia jurar-se que se estaria em Londres, em 1969, a ouvir a banda britânica, no início da sua carreira. Esse factor também acabou por jogar contra si, porque depois disto, a imagem/ideia já não saía da cabeça. Uma das grandes propostas dos Estados Unidos chegou ao palco Sabotage, onde os Spindrift, deram um cheirinho intenso a western spaghetti, como se estivessemos todos num filme do Sérgio Leone. A lembrar os Shadows nos seus melhores momentos, a banda pôs todo o público a mexer. 
Maioritariamente instrumental, a banda acabava por usar a voz quase apenas como coros. Mais uma boa surpresa mais um grande nome e a forma de fechar os palcos secundários antes do palco principal abrir actividades. A Place To Bury Strangers de Nova Iorque fizeram as honras de abrir as hostilidades do palco Reverence, com o seu rock psicadélico e experimental e aproveitaram para experimentar ao vivo músicas do novo álbum, prestes a sair. A avaliar pela reacção do público, a experiência foi bem sucedida. Também dos Estados Unidos, era a vez de uma das grandes atracções deste festival, a peculiar banda Psychic TV, de culto e que forte foco na teatralidade e que fizeram bom uso da tecnologia disponível, no que diz respeito às imagens a passar no ecrã gigante no fundo do palco. Mesmo para quem não conhecia, foi uma boa surpresa. 
Genesis, o frontman, referiu que a banda já tinha aberto para os Hawkwind em 1971 e que os mesmos continuavam grandes e isso foi algo que o público de Valada conseguiu comprovar algum tempo depois. Com estreia absoluta da banda no nosso país e com um som muito poderoso, a banda britânica desfilou classe e mesmo sem tocar um dos seus maiores clássicos de sempre, "Levitation", conseguiu ter do início ao fim, o público do seu lado. 
Os Mão Morta foram a banda nacional escolhida para o palco principal no segundo dia do Reverence e fizeram por merecer essa escolha. Com um som poderoso - que mesmo assim e segundo Adolfo, o público e o próprio ainda queriam ver mais alto - a banda desfilou classe, e o público, nem mesmo com início uma hora mais tarde que o previsto (os intervalos anteriores entre as bandas foram demasiado largos), o público viveu e vibrou com actuação da banda, que também correspondeu. Desde clássicos como "Charles Manson" e "Berlim" até às novidades de "Irmão da Solidão" e "Pássaros A Esvoaçar" sem esquecer as velhinhas "Até Cair" e "E Se Depois" e a faixa título do último disco, "Pelo Meu Relógio São Horas de Matar", foi um dos pontos altos do Reverence e a colocar a fasquia alta para os The Black Angels que se seguiam. E por falar na banda norte-americana, uma forte viagem sem ajuda de psicotrópicos foi o que a banda provocou ao público presente no palco principal. Sendo o único concerto que a banda deu este Verão seria caso para que toda a assistência se sentisse especial, mas para isso bastava mergulhar no som que emanava das colunas. 
Acabada a música no palco principal chega a vez dos palcos secundários darem música aos mais resistentes. Assim sendo, um dos grandes destaques do palco Rio foi o projecto de Justin Greaves, Os Crippled Black Phoenix, que foram a banda que mais tempo tocou num palco secundário, onde não faltaram temas como "Rise Up And Fight" e "NO!", neste que foi mais um dos grandes atractivos do festival, assim como os System 7 embora estes últimos numa vertente diferente, o projecto inglês a ter uma abordagem mais electrónica dentro do tecnho e com toques de ambient. Ainda foi possível ouvir os 10000 Russos, projecto de drone do Porto, assim como os norte-americanos Moon Duo, donos de um som para lá de hipnótico e os The Oscillation, numa onda mais de rock psicadélico e shoegaze. 
Para finalizar o segundo dia e quase a atingir as 36 horas (18 do primeiro dia mais 18 de segundo dia) de maratona musica, foram chamados ao serviço os Equations, com o seu rock psicadélico, os californianos White Manna a finalizar o palco Rio com um stoner de tendências space rock psicadélico e os Jiboia, também no campo do rock psicadélico, no palco Sabotage. Inédito no que diz respeito à oferta tanto em quantidade, tanto em qualidade nos géneros musicais atrás descritos, géneros em que existia uma lacuna na oferta do panorama dos festivais nacionais. Felizmente, e esperemos nós, temos para o futuro uma proposta de top da música pesada, já que a avaliar pela resposta do público e pela qualidade do trabalho feito pela organização nesta primeira edição, foi uma aposta, talvez de risco, talvez megalómana, mas definitivamente ganha. Por todos. Organização, população local, bandas e claro, o público. Que para o ano venham mais de oitentas bandas.

(ver mais fotografias do evento)

Texto por Fernando Ferreira
Fotografia por Paulo Tavares
Agradecimentos: Reverence Valada