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A Metal imperium esteve a conversar com Einar, vocalista e membro fundador de Leprous, acerca do percurso da banda, influências musicais e ideias, e sobre o seu mais recente álbum de originais, “The Congregation”, lançado no final do mês de Maio.

M.I. - Alguns de vós acompanharam o projecto a solo do Ihsahn como banda de suporte, e tu chegaste mesmo a trabalhar com Emperor. Isso influenciou de alguma forma a vossa forma de comporem música ou a dinâmica enquanto banda?

Não, nem por isso. Tanto em Emperor ou com Ihsahn não tive, nunca tive (nem os meus colegas de banda), nada a ver com a parte criativa. Apenas me limitava a aprender as músicas para as tocar ao vivo. O meu estilo musical e a forma de compor é completamente diferente desses dois projectos. Não posso dizer que não tenha influenciado de alguma forma a música que faço, pois de tanto ouvir e tocar com eles é normal que tenha sido inconscientemente inspirado por eles. Temos estilos e origens musicais completamente distintas, o Ihsanh foi buscar grande parte da sua inspiração às bandas de heavy metal da década de 1980, enquanto que as minhas origens são outras. Mas sim, no geral, a dinâmica é outra e isso nunca interferiu com o trabalho feito com Leprous.


M.I. - Achas que estar associado a esses actos ajudou a promover o trabalho que fazes com Leprous?

Sim. Especialmente tocar com Ihsahn, com Emperor nem tanto, pois é um estilo completamente diferente, e geralmente o nosso som não apela muito ao típico fã de Emperor. Mas foi extremamente benéfico e gratificante para nós estarmos como banda de suporte de Ihsahn, pois ajudou-nos bastante a promover o nosso trabalho, pois ele está mais direcionado para um público mais inclinado para o prog, o que para nós foi muito bom.


M.I. - Numa entrevista que deste há uns tempos mencionaste que o prog enquanto género se tinha “diluído” bastante nos últimos anos. Na tua opinião, que elementos é que uma banda tem que ter para ser classificada enquanto prog actualmente?

Para começar eu não me importo se somos ou não de facto classificados sob essa categoria. Pessoalmente não sou muito adepto desses rótulos musicais, mas entendo essa necessidade. Por vezes vejo alguns exemplos de bandas que se intitulam como sendo progressivas, e depois vai-se a ver e são meras cópias de algo que já foi feito milhentas vezes. Por isso, a meu ver uma banda é considerada progressiva se for inovadora, não ligar a certas barreiras e limitações, em vez de copiar algo que já foi feito, e usar isso como inspiração e desafio. A meu ver isso é que é progressivo.


M.I. - Ou seja, para ti uma banda que cai dentro do estilo do rock/metal progressivo é uma banda que tem um som inovador e desafiador de regras?

Sim, isso mesmo! Já vi várias definições e interpretações diferentes da palavra “progressivo” enquanto rótulo musical, mas acho que essa definição é aquela que melhor se enquadra.


M.I. - O que mudou desde que lançaram o vosso primeiro álbum, “Aeolia”, há  quase 10 anos atrás?

A pergunta devia ser o que é que não mudou! Isso seria uma resposta bem mais fácil e curta (risos). Ao longo dos anos fomos ficando mais maduros, enquanto músicos e a nível de composição e escrita das nossas músicas. Ficamos melhores músicos e compositores, pelo menos na minha opinião. Com essa evolução veio o discernimento e a coragem de colocar algumas ideias de parte, ver o que valia a pena ou não aproveitar, a capacidade de melhor avaliar o potencial de uma determinada música. Eu costumo comparar este processo com cozinhar. Ser um bom compositor é quase como ser um bom cozinheiro. Um bom cozinheiro não coloca todas as especiarias que tem disponiveis na comida, porque o resultado final de certeza que não iria ser muito bom. A chave é usar menos, e saber como e quando os utilizar. É assim que se faz uma boa refeição, e é essa a base para se fazer uma boa música. Saber usar os elementos certos da melhor forma.


M.I. - Ou seja, o terem aprendido a utilizar os elementos correctos foi o segredo para a vossa evolução e sucesso musical.

Exactamente isso! Saber que não temos que estar constantemente em modo show off e meter todos os elementos e tudo aquilo que sabemos fazer musicalmente numa só música ou álbum. Quando começamos era assim que pensávamos e que fazíamos! Acreditávamos que se não fossemos capazes de demonstrar que sabíamos fazer tudo, nunca nos iam levar a sério e nunca nos considerariam bons músicos. Mesmo que não fizesse sentido ou parecesse forçado, o importante era mostrar tudo o que sabíamos, era o show-off das nossas capacidades enquanto músicos. Isso a meu ver é uma forma extremamente imatura de compor. E embora fosse um tanto encantador, até certo ponto pelo menos, não é assim que trabalhamos agora. Ao trabalhar neste novo álbum tínhamos originalmente 18 temas compostos, e fomos capazes de descartar um terço deles (se contarmos com a faixa-bónus), não que não fossem bons, mas porque não se enquadravam naquilo que queríamos fazer.


M.I. - Qual é o conceito/tema que o “The Congregation” enquadra?

Não há propriamente um conceito, mas sim um tema que marca o álbum. O título, “The Congregation” é uma boa forma para começar a descrever o tema. Com o nome, não vemos uma congregação do ponto de vista de algo religioso, mas sim de pessoas que são uma congregação social. A típica conformidade que encontras na nossa sociedade actual, e algumas pessoas que embora não se conformem com determinados valores, têm que se adaptar para não viverem à margem desta. Eu considero-me uma dessas pessoas. Eu escolho não me conformar, embora esteja ciente que há determinadas regras a seguir para que me possa enquadrar minimamente nesta, e que em certo ponto, como seres sociais que somos, acabamos sempre por ser escravos da sociedade. Por exemplo, eu sou vegetariano, eu defendo esta causa e fiz essa mudança na minha vida porque não aceito a forma como a indústria da carne trabalha, por isso fiz esta escolha, pelo bem dos animais e pelo ambiente. No entanto, após ter tomado esta posição, vi-me a ser constantemente questionado por outras pessoas acerca desta minha escolha, e a perguntarem-me porque é que eu defendo esta causa e não outras. Porque há outras coisas neste mundo que estão muito mal e que é suposto deixarem-nos a todos com uma consciência pesada, porque chegas a casa e começas a pensar em quantas coisas que tens que provavelmente vieram de sweat shops algures na Ásia, ou que de uma maneira ou outra são prejudiciais para a sustentabilidade humana, etc... E é difícil estar a par de tudo e importarmo-nos com tudo. Hoje em dia podes pesquisar tudo o que tens à tua volta ou se o que fazes é errado ou prejudicial para alguém.


M.I. - Eu entendo o que queres dizer com isso. Nos dias de hoje tem que ser tudo muito politicamente correcto, porque as pessoas arranjam sempre forma de ver o mal em tudo, e se seguissemos tudo à letra íamos acabar sem nada e sem poder dizer nada, porque corres sempre o risco de insultar algo ou alguém.

E é esse o grande problema! Muitas pessoas acabam por desistir e por se conformar por isso mesmo. Embora tu inicialmente te queiras preocupar com algo, vai haver sempre gente a deitar isso abaixo e a criticar a tua causa. As pessoas seguem o flow da maioria, e não pensam sequer nas implicações. Criticar os outros e seguir a maioria é sempre mais fácil do que pensares por ti mesmo. E é disso que as letras falam.


M.I. - O álbum é então uma crítica social?

Algo desse estilo basicamente. Criticar e questionar tudo, trazer todos esses pensamentos à luz do dia. Não num sentido moralista, porque se o fizeres acabas por te tornar num hipócrita. Eu escolhi uma causa para defender e lutar por ela, e embora veja pessoas à minha volta a comer carne, eu não me importo, é uma decisão delas. Muitas vezes sei que essas pessoas defendem outras causas, que para elas são mais importantes. E o objectivo é ver isso mesmo.


M.I. - Temos que saber escolher bem as nossas batalhas nos dias que correm. Não podemos ser não-conformistas com tudo porque íamos chegar a um certo ponto em que os nossos ideais iam acabar por chocar entre si.

Não importa o que fazes nesse caso, pois se fores não-conformista com tudo vais acabar por te tornar num grande hipócrita. Eu acredito que é bastante importante estar sempre atento e escolher uma causa que te importa e defendê-la, de modo a te tornares, e ao mundo, em algo melhor. Estares preso num estado de ignorância e de dormência é a pior coisa que pode existir. As batalhas que escolhes lutar tu é que sabes, não me cabe a mim julgar isso.


M.I. - É uma perspectiva interessante, o que importa mesmo é lutares por aquilo em que acreditas. Se os teus ideais são os do vegetarianismo, bom para ti. Se os meus forem outros completamente diferentes, bom para mim. 

É mesmo esse o ponto que defendo tanto neste álbum, como na minha vida. Acho que és uma melhor inspiração para as pessoas à tua volta se mantiveres uma força positiva.  Eu acredito que manter as coisas com uma perspectiva positiva é a melhor maneira de ajudar os outros a abrir os horizontes. Eu quando digo às pessoas que sou vegetariano não começo logo com moralismos, eu gosto de cozinhar e para lhes mostrar o meu ponto de vista preparo-lhes uma refeição e mostro-lhes alguns documentários, e deixo-as decidir por si mesmas se concordam ou não, ou se querem mesmo seguir esse estilo de vida. É assim que se mete as pessoas a pensar, ao inspirá-las através de pequenos gestos e de uma atitude mais positiva. Mas com isto tudo acho que já me desviei um pouco do tópico inicial (risos). Onde é que nós íamos mesmo?


M.I. - Estávamos a falar do significado do tema principal do álbum. Tinhas dito que o objectivo principal deste tema era por as pessoas a pensar e a revolucionarem as suas crenças, deixar de serem seguidores da maioria e começarem a fazer algo positivo e lutar por causas em que acreditam.

Ah sim! É importante mantermo-nos positivos e ver as coisas por esse prisma. Nas letras das músicas nem sempre é isso que se verifica, afinal de contas tocamos metal (risos). Mas fora isso, e na minha vida, sou uma pessoa bastante positiva no geral. E como já mencionei anteriormente acho que a ignorância é um mal muito grande, e algo do qual eu não gosto mesmo nada. Mas há uma série de coisas horríveis a acontecerem no mundo a toda a hora, e tu não podes lutar contra tudo nem defender as todas as causas que existem, pois ias chegar a um ponto em que te ias tornar num hipócrita, e isso também não é bom. Por isso, escolhes uma causa e acabas por te tornar dormente relativamente a tudo o resto que se está a passar a tua volta, como que um mecanismo de defesa, para poderes ser capaz de continuar a seguir com a tua vida. Tudo precisa de estar num ponto de equilíbrio. Há quem se dedique à sua causa a 100%, mas a maioria de nós é demasiado egocêntrico e conformado para fazer algo. E é sobre isso que o álbum fala.


M.I. - Como é que descreves este vosso novo registo a nível musical a alguém que ainda não esteja familiarizado com a música de Leprous?

Descrevia-o como sendo algo bastante técnico mas que, ao mesmo tempo, fica no ouvido. É um álbum muito rítmico, mas simultaneamente com um grande toque melancólico. O plano era fazer um álbum como uma base musical muito repetitiva, e fazê-la destacar-se com pormenores musicais mais técnicos e interessantes, sem o tornar aborrecido. E encontras algumas músicas no álbum que são um exemplo perfeito disso. Quando estávamos em processo de gravação, começámos pela bateria e pela linha do baixo, e quando fomos ouvir só isso sem mais nada quase que adormeci porque estava muito repetitivo e aborrecido, mas essa é a forma que mais gosto de compor musica. Começar com uma estrutura de base rítmica simples e ir acrescentando os detalhes mais complexos que dão corpo ao resultado final da música. O resultado final foi algo bastante técnico e melancólico, tal e qual como esperávamos.


M.I. - Qual é que achas que vai ser a recepção tanto do público como da crítica a este vosso novo lançamento?

Acho que vai ter uma melhor recepção do que o nosso álbum anterior, “Coal”, teve. Esse teve muitas críticas diferentes, embora tenham sido positivas na generalidade, foi uma grande mudança de som relativamente àquilo que tínhamos feito com o “Bilateral” em 2011, e tendo em conta a legião de seguidores desse álbum, o “Coal”, foi como que um choque para essas pessoas. Este, em comparação, tem tido uma receção muito maior e melhor por parte tanto da crítica e reviews, como do público. Eu, pessoalmente, estou muito orgulhoso do resultado, mas não controlo as opiniões dos outros (risos)! Mas também não me posso preocupar com isso em demasia, por isso vou-me manter fiel àquilo que acredito e esperar pelo melhor.


M.I. - Porque escolheram a faixa “The Price” como primeiro single do álbum?

É uma música que vai directa ao assunto embora seja complexa, e é bastante “catchy”, talvez a mais do álbum inteiro. Por isso achamos que era uma música que ia mostrar bem o que se pode esperar deste novo álbum, que ia dar que falar, e mais importante que isso, uma música que ia abrir a curiosidade e levar as pessoas a irem ouvir o álbum do início ao fim. O facto de ser a primeira faixa do álbum, e uma com extensão indicada para um vídeo, também ajudou a essa escolha.


M.I. - Qual ou quais  as músicas deste registo que mais gostas?

Não sei bem, mas muito provavelmente a “Rewind”. É uma das músicas do novo álbum que vamos tocar na próxima tour, por isso cansei-me um bocado dela, porque por ser bastante complexa, temos que a ensaiar muitas vezes para ficar perfeita quando a tocarmos. Mas continua a ser de todas as que temos neste novo álbum, aquela da qual mais me orgulho. Inicialmente quando fiz o rascunho de todas as faixas, esta ficou incrivelmente má, porque a inspiração à medida que a fui escrevendo parece que foi diminuindo, e quando lhes mandei a primeira versão estava um bocado envergonhado com aquilo, o que piorou quando todos se começaram a rir porque lá no meio havia um riff que fazia lembra a música “Sweet Home Alabama” (risos). Uns dias mais tarde, num ensaio quando comecei a tocar a música, houve uma parte que estava bastante confusa, e isso parece que despertou uma inspiração em mim e a partir daí tive um monte de ideias novas e comecei a mudar tudo, até que surgiu a música como está agora. E foi graças a isso tudo que ganhei um amor especial a esta música. Mas compor músicas tem disto... Por vezes podes escrever uma música da qual te orgulhas bastante, mas depois mais tarde achares que não vale nada, ou acontecer o contrário. Tudo depende da tua inspiração e estado de espírito no momento.


M.I. - Passando agora ao artwork...

Quando começamos a discutir o artwork, usamos aquela imagem como referência para o artista que desenhou a capa do “Coal”, nós pedimos-lhe que fizesse uma imagem com contornos semelhantes àquela que usamos como exemplo. Ele gostou da ideia, por isso nasceu assim o desenho que vês na capa do álbum. A figura tem como significado a deconstrução, por assim dizer, do nosso mundo, causada pelo nosso estilo de vida, como o seguir cegamente a sociedade sem nos questionarmos acerca daquilo que é ou não correcto. A imagem mostra a desfiguração e deformação que vai acontecendo a todos aqueles que se preocupam com algo, e é desta forma que o artwork da capa está ligado ao álbum e ao seu tema.


M.I. - Quais são as tuas principais influências musicais?

Tenho imensas! Mas quando estou a compor, não tenho muito por hábito ouvir música, aliás, durante esse tempo não ouço música absolutamente nenhuma, a não ser aquela em que estou a trabalhar, para não ficar com mais nada preso na minha mente. Mas fora isso, no geral, sinto-me bastante inspirado, já desde a época do “Coal”, pelo álbum “Blue Linem” dos Massive Attack. É algo bastante diferente do “nosso” estilo, e pode parecer estranho uma banda de metal ter Massive Attack como inspiração, mas na verdade, o estilo de música deles, e de composição, inspira-me bastante, e é de certa forma semelhante ao meu, porque as músicas deles têm uma base sólida e repetitiva, mas ao mesmo tempo conseguem criar algo bastante emocional e agradável de se ouvir. Fora isso, sou um grande fã de música clássica, de Radiohead, Tool, Gojira e Behemoth. Sou um grande fã do último álbum deles, é extremamente honesto e mesmo muito bom. Nos últimos tempos tinha-me afastado e perdido um bocado o interesse na grande maioria do metal mais extremo, por se ter tornado num género muito conformista e repetitivo, com demasiada produção, mas o “The Satanist” dos Behemoth veio desafiar uma série de regras e trazer vida a esse estilo, já para não falar que ao vivo são uma excelente banda. Portanto, como podes ver, eu não ligo muito a géneros e a rótulos musicais, eu ouço música que me atraí e que me diz algo. Sempre gostei muito de música que fosse emocional, melancólica e com um toque um pouco mais dark. É aquilo que acho mais apelativo.


M.I. - O facto de não te limitares aos géneros musicais é muito bom, e é algo que se reflecte bem na música que escreves.

Sim, o objectivo é mesmo esse, fazer sempre algo honesto, inovador e que fuja um bocado a isso. Mas também, hoje em dia há tanto género e sub-género, que se torna impossível seguires tudo e mais alguma coisa. Mas como eu pessoalmente não sou adepto dessas classificações, que são criadas por pessoas e têm o valor que têm, e aquilo que quero mesmo é fazer a minha música da maneira como acho que fica melhor, deixo essa tarefa de classificação para o pessoal das críticas musicais (risos).


M.I. - Estás entusiasmado por voltares a andar em tour e tocar ao vivo?

Sim, bastante até. Parece que estou a ressacar disso, e preciso de estar num palco para me sentir completo novamente. Já passou demasiado tempo desde a última vez que eu pisei um palco, que foi no passado mês de Novembro, e depois como andamos em processo de gravação do álbum, nunca mais houve a oportunidade para dar concertos, por isso sim, estou bastante entusiasmado e ansioso para voltar a andar em tour por aí.


M.I. - Como é que concilias a música e as tours com a tua vida e emprego normais? Ou andar em tour e a tua música são o teu emprego?

De momento tenho um emprego que não é a minha música, no qual trabalho com pessoas que sofrem de perturbações do espectro autista, e é algo que eu gosto muito de fazer, pois além de ser gratificante, dá para conciliar bem com a minha música. Faço muitos turnos de noite, e foi lá, durante essas noites, que fui escrevendo grande parte do álbum. Eventualmente, espero que a minha banda e a minha música sejam a minha única ocupação e que possa finalmente começar a viver disso, mas por agora é assim que estou. A banda vai bem, e se continuar assim, nos próximos 2 anos devemos ter a estabilidade económica que necessitamos para viver só a partir daí. 


M.I. - Quais são os locais onde mais gostas de tocar ao vivo?

Bem... sempre gostei muito de tocar no sul da Europa, como por exemplo em França, onde costumamos ter casa cheia muitas vezes, ou em Espanha, onde o público é barulhento e adere facilmente. Também gosto muito de tocar ao vivo no Japão. Na zona da Escandinávia também gosto, embora por razões diferentes, lá as coisas são mais organizadas e as salas de concerto geralmente são muito melhores, embora o publico de lá seja muito silencioso, excepto na Finlândia, onde já interagem um pouco mais.


M.I. - Depois da tour, qual é o próximo passo ?

Mais tours e concertos. O resto logo se vê.


M.I. - Tens alguma memória em particular (boa ou má) dos vossos concertos aqui em Portugal?

Sim, com certeza. Tenho várias até, tanto boas como más. Nós já tocamos em Portugal por duas vezes, uma numa tour de suporte de outra banda, e a outra, a mais recente, foi na nossa headline tour de promoção do “Coal”.  A primeira vez que aí estivemos, lembro-me do concerto que demos no Porto, no Hard Club. Andei a passear um pouco pela cidade e adorei, é lindíssima. Também gostei muito do concerto em si, a sala era excelente, e foi provavelmente um dos melhores que demos nessa tour. Quando voltamos a Portugal para a nossa headliner tour era suposto voltarmos lá, mas depois o concerto foi mudado para Braga, e esteve muito vazio. Nós nunca tínhamos sequer ouvido falar do local do concerto, que ficava num velho centro comercial meio vazio. Foi um bocado mau, porque o nosso concerto foi mudado e teve menos gente, porque nesse dia os Children of Bodom iam tocar no Porto, no Hard Club. Eu continuo a achar que a decisão dos promotores de alterarem o local do concerto para Braga não foi a melhor, porque, pelo menos aqui na Escandinávia, o público de Leprous e o de Children Of Bodom é geralmente bastante diferente. Mas por aquilo que entendi com o público português e espanhol, é que são menos limitados às diferenças de géneros e estilos musicais e têm gostos muito mais abrangentes. Eu creio que se nós tivessemos tocado no norte da Europa, por exemplo em Copenhaga (Dinamarca) num mesmo dia que Children Of Bodom, que ambas as bandas iam ter casa cheia porque é um público diferente. Ainda acredito que se tivessemos tocado no Hard Club em vez de em Braga que teríamos tido uma casa muito mais composta. Lá para carregar e descarregar o equipamento foi terrível, porque as escadas rolantes não estavam a funcionar e tivemos que subir 4 pisos carregados com o material todo, e nós geralmente andamos com tudo atrás, excepto com a PA. Já para não falar que o concerto em Lisboa também não correu da melhor forma, o local era um bocado no meio do nada, no meio de uns campos ou algo do género, e a única coisa que víamos à volta era descampado. Tivemos muito pouca sorte com as salas onde tocamos a última vez que estivemos em Portugal. Eu espero que quando regressarmos lá este ano corra tudo da melhor forma, e que pelo menos o local do concerto seja um pouco melhor. Já agora, sabes me dizer como é a sala onde vamos tocar?


M.I. - Sim. Aquilo fica no meio de Lisboa e tem bons acessos para lá, e é uma sala muito boa.

Ainda bem! Espero que seja desta que consigamos dar ao público português o concerto como headliners com a qualidade que eles esperam e merecem. É muito melhor tanto para as bandas como para o público, e até mesmo para as promotoras, quando a sala é agradável e tem mais gente, cria um ambiente muito melhor, pois é assim que conseguimos ser a melhor versão de nós mesmos a tocar ao vivo. Desta vez ao planearmos a tour cortamos um bocado em locais que sabemos que não vão ter tanta gente. Lisboa, depois da última vez ainda é bocado incerto, mas se a sala for como dizes, acredito que desta vez vamos ter mais gente e dar um concerto muito melhor.


M.I. - Para terminar, tens algo a acrescentar? Talvez uma mensagem ao público português?

Obrigada pelo teu tempo, e desculpa a constante remarcação da data. Estou muito entusiasmado para voltar a tocar em Portugal, e espero ver muita gente por lá, e que o concerto corra na melhor das circunstâncias. Até lá!


Entrevista por Rita Limede