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Os Moonspell dispensam apresentações… após o lançamento do último álbum “Extinct” e de uma série de datas esgotadas por essa Europa fora, o Fernando conseguiu arranjar um tempinho para falar novamente com a Metal Imperium…


M.I. - Extinct é um álbum fácil de ouvir e de viciar… como surge a sonoridade de um álbum? É intencional ou há uma ideia geral do som final e trabalhais à volta disso?

Obrigado! Penso que a sonoridade de um álbum, bem como tudo o que o rodeia, é algo bem menos cerebral do que intuitivo. O Extinct, para nós, é prova viva disso. Não acreditamos na fórmula só de trabalho, tem de haver inspiração e essa vem do que passamos na vida, na vida acordada mas também na vida que fantasiamos e que serve, como que de script, para a música. Queríamos que Extinct fosse um disco como um respirar de ar fresco, melodioso, negro, capaz de transportar o ouvinte a diversos sítios viajando sempre na mesma companhia. Era mais uma emoção que um plano mas seguimos essa voz emocional e estamos muito contentes de o ter feito ao invés de tentar fazer algo actual, metálico, extremo ou seja o que for. 


M.I. - É inegável que os Type O Negative,  Fields of the Nephilim e Sisters of Mercy são uma influência para os Moonspell. Mas costumais ouvir música quando estais a escrever um álbum?

Sim essa trindade é sagrada para nós mas também bandas com Bathory e Celtic Frost que cruaram todo o Dark Metal e também o revolucionaram. Ouço música SEMPRE e odeio a conversa de que trabalhando na música há que desligar dela. Um músico que não ouve música ou só o faz por razões profissionais é um prepotente! Nem sempre escuto metal mas para este disco ouvi muita coisa, desde as bandas mencionadas até ao novo disco de Peter Murphy (Lion) que adoro e, curiosamente ou não, muita música orquestral turca, principalmente Merkan Dede. 


M.I. - Nas entrevistas, a banda referiu que este álbum nunca poderia ter sido feito há alguns atrás. A maturidade e a idade permitiram-vos evoluir mas pensais muito na mortalidade? Assusta-vos?

Não me assusta a mortalidade. Assusta-me o que fazemos com a vida.


M.I. - O Extinct tem a ver com extinção e sobrevivência. O que urge ao homem fazer para que a humanidade não se extinga? Achas que há muitos valores que estão em vias de extinção e daí a sociedade apresentar-se tão “desligada”?

É inegável que o mundo mudou para pior e as pessoas com ele. É um facto que não fazemos o que ou tanto quanto devemos, e que deixamos as coisas extinguirem-se. O disco não apresenta uma lição de moral mas questiona se realmente fazemos tudo aquilo que podemos. Não só no capítulo da extinção biótica como também dos valores que temos e que, à primeira oportunidade, abandonamos em prol de algo mais passageiro. O que urge fazer é humanizar-nos mais, até na música, essa é a condição, creio eu, da nossa sobrevivência enquanto espécie, infelizmente, dominante. 


M.I. - Qual a mensagem global deste álbum? A mortalidade atinge-nos inevitavelmente?

Como disse penso mais na vida que na morte, embora não pareça mas essa é magia e o desafio das nossas letras e temas. Não existe uma mensagem definida do faz assim ou faz assado. Essa doutrinação não me interessa, aliás sou contra ela e contra as religiões e políticas que impõem regras. A mensagem é espreitar para lá da muralha negra do fim, da extinção, de descobrir como podemos afinal não deixar morrer as coisas ou de aprender com o seu fim, usando a nossa vida imperfeita para tal. 


M.I. - A capa foi desenhada pelo Seth Siro dos SepticFlesh e tem sido criticada pela sua dureza. Porque optaste por uma capa com uma mulher mutilada? Já sei que a capa tem a ver com a extinção mas poderá também estar relacionada com a condição de inferioridade feminina em algumas partes do mundo ainda nos dias que correm?

Não era essa a intenção mas sim é uma leitura. A mutilação representa o retirar violento de espécies à Natureza Mãe ou à retirada de coisas, lugares e pessoas que nos foram arrancadas do nosso íntimo. Mas sim acredito que a dita inferioridade da mulher possa ser uma leitura e esta praga acontece todos os dias e não só no Médio Oriente mas à porta de  de nossa casa, aqui em Portugal, não nos enganemos. Pessoalmente é uma luta na qual me envolvo e deprime-me ver ainda a distância cruel das oportunidades entre sexos.  


M.I. - O tema “Medusalem” é uma espécie de trocadilho com a palavra “Jerusalém” e tem a participação especial do Yossi dos Orphaned Land e de uma dançarina que fala na sua língua materna. Interessante esta entreajuda interracial exatamente neste tema. Como surgem estas colaborações? 

É curioso porque ele é Israelita e ela (Mahafsoun é o seu nome) é originalmente do Irão. Esta canção fala de uma harmonia invisível que aparece quando cai o véu e da vontade em que as pessoas comuns têm em se relacionarem apesar das guerras ideológicas. É uma cidade invisível como as de Calvino. As colaborações surgem por motivos artísticos e amizade e servem o intento visual dentro do próprio tema. 


M.I. - O produtor deste álbum foi Jens Bogren. Porque o escolheram?

Tinha um feeling muito bom acerca do Jens e nada tinha a ver com a sua lista de clientes. Apanhámos o Jens numa altura em que ele queria fazer um disco como este, mais livre, mais arriscado, mais musical. Para além do seu valor profissional que é evidente, a parte humana do Jens foi fantástica e ajudou a trazer o melhor de nós. 


M.I. - O vídeo oficial de “Extinct” tem a Carolina Torres como protagonista. A Carolina é, como se diz em português corrente do norte, uma “gaja boa como o milho”. A participação dela terá contribuído para mais visualizações do vídeo? Como surgiu a ideia de ela participar?

A Carolina é uma roqueira e uma actriz óptima num país sem expressão nesse estilo. Se é uma gaja boa ou não, acho até infeliz a expressão depois de falarmos de como se vêem os sexos. É óbvio que o look da Carolina é fantástico mas ela não se resume a isso. Ela ofereceu-se para fazer este vídeo por gostar de Metal, da banda, do realizador e da estética que tem mais a ver com ela do que se calhar os trabalhos que tem de fazer neste país das Cristinas Ferreiras e da mediocridade. Se vamos ou não ter mais visualizações ninguém pensou nisso, tanto que existe um tipo de beleza divulgado neste vídeo que nem interessa muito a muita gente. O importante era termos algo com história e visualmente forte e, graças à Carolina e não só, obtivemos isso. 


M.I. - Neste vídeo voltaram a “trabalhar” com as Ignis Fatuus Luna. Pensas que a arte em Portugal é devidamente valorizada? Há união entre os artistas?

Não sei e já nem me interessa. Trabalho com pessoas que gosto e que gostam de nós e que se identificam connosco. Não como um manifesto dos malditos mas simplesmente por admiração mútua. Não fazemos colaborações por favor. 


M.I. - O álbum tem um bónus, um documentário sobre a produção do álbum. Porque decidiram incluir este DVD?

Três razões: contar o processo de um disco que nem sempre é como as pessoas pensam; dar a conhecer um pouco mais a extinção do ponto de vista de quem luta directamente contra ela ou a estuda de modo mais sério; e dar a conhecer o dia-a-dia dos Moonspell que é mais comum a todos nós do que fazer um DVD de bandas milionárias com assistentes para tudo e mais alguma coisa. Temos muito orgulho neste documentário realizado pelo Victor Castro.


M.I. - Como correu a tournée promocional de Extinct que aconteceu em algumas cidades europeias? Qual a data mais marcante e porquê?

Várias. Por várias razões. Lisboa e Porto, este último teve até um sentido de justiça por razões que todos conhecemos e se prendem com a ausência da banda na tour Alpha/Omega. Berlim que foi um regresso às esgotadas na Alemanha e Toulouse na noite da morte do Pai do Ricardo que foi um dos concertos mais difíceis que fizemos até  hoje. Mas no global foi uma tour em grande!


M.I. - Recentemente foi publicado o Diário de bordo dos Moonspell em que o Fernando conta as peripécias da banda em tournée e não foi a primeira vez que o fez. Porque gostais de partilhar estas experiências com o público? Desta vez, só havia a versão portuguesa, e como reagiram os fãs que não dominam a nossa língua?

Acima de tudo porque gosto de escrever e de partilhar. É como uma conversa sem me impor porque só lê quem quer. Existem versões em Inglês, esp. da dos EUA mas em Português é mais importante porque não há nenhuma banda Portuguesa a fazer isto tanto quanto os Moonspell e é uma oportunidade também de desfazer alguns mitos. 


M.I. - A banda vai andar em tournée praticamente até ao final do ano. Deve ser cansativo estar sempre na estrada e longe da família. É fácil lidar com as saudades?

Não. Mas não temos outra hipótese senão lidar com elas. 


M.I. - Qual o melhor país para assistir a um concerto de Moonspell e porquê?

México. Porque tudo faz sentido. 


M.I. - Qual o impacto que a recente morte do pai do guitarrista Ricardo Amorim teve na banda e na tournée? Já alguma vez tinham passado por uma situação deste género?

Já passámos por tudo juntos. E sempre saímos mais fortes e mais unidos. O impacto foi grande, houve muitas lágrimas mas avançamos o melhor que pudemos. Pior ficou o Ricardo e a sua família. 


M.I. - Quando a banda atingiu o estrelato com a edição de “Wolfheart” há 20 anos atrás e comparando agora com a atenção dada à banda… o que pensas sobre tudo isto? Alguma vez sonhaste que tal mudança (na mentalidade das pessoas) pudesse acontecer?

Não atingimos o estrelato e as pessoas só mudaram de opinião porque não tiveram hipótese. Penso que foi um grande disco que nós conseguimos defender bem na estrada e que os fãs tornaram um clássico porque quiseram e nenhuma inteligência os fez querer isso. Afinal havia muito coração de lobo por aí, não estávamos assim tão orgulhosamente sós. 


M.I. - O que sentiste a primeira vez que a banda entrou nos tops de venda do país?

Uma barreira que se rompeu. Agora os miúdos, como eu fora, podiam dizer aos papás que queriam que eles tocassem música de baile ou Pop: o Metal também vende!


M.I. - O facto de agora seres pai, alterou de algum modo a tua escrita e a tua espontaneidade como músico e pessoa? O que mais mudou em ti?

Muita coisa mudou em mim e nem consigo acompanhar tanta mudança. Também muita coisa ficou igual para que o Fausto não tenha ''outra pessoa'' como pai. Quem não mudar, não está preparado para a paternidade. Sou agora mais feroz mas também mais sensível, exactamente como os lobos.


M.I. - O Fernando participou recentemente numa campanha em que foi desafiado a usar sapatos de salto alto. Qual foi a sensação? Qual a importância de tal campanha para a sociedade portuguesa? Achas que o impacto foi o pretendido?

Fiz porque achei a causa justa e nem sempre me preocupa o resultado. Era importante que os homens que agridem as mulheres tentassem estar nos sapatos delas mas não me engano, estamos apenas a picar gelo de um enorme icebergue mas o que interessa é lutar até ao fim para que a sociedade seja menos chauvinista. 


M.I. - Depois de todos os êxitos alcançados, há ainda algum objetivo que os Moonspell não tenham atingido?

Temos ainda a Ásia por conquistar e muitas coisas para fazer. Temos de ultrapassar ou repetir o Extinct, sei lá tanta coisa, nunca penso em êxitos mas sim em desafios e eles aparecem todos os dias!


M.I. - Obrigada pela entrevista. Partilhem uma mensagem final com os fãs e leitores da Metal Imperium.

Um abraço a todos, e gratidão por estarem sob o feitiço estes anos todos. Before the lights go out...


Entrevista por Sónia Fonseca
Fotos por Edgar Keats