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Reportagem: Wood Rock Festival @ Praia de Quiaios, Figueira da Foz - 17 e 18 Julho de 2015


Dia 1

A mais recente edição do Festival Wood Rock teve lugar no passado fim de semana de 17 e 18 de Julho, na praia de Quiaios, Figueira da Foz. Este atraiu algum público, e por dois dias a pacata localidade teve movimento, diversão e muita música rock à mistura.

O jovem grupo The Zanzibar Aliens tiveram as honras de abrir o festival. Debaixo de alguma chuva e 15 minutos depois das 22h, estes subiram ao palco cheios de vontade de mostrar aquilo que fazem melhor. A plateia, ainda muito vazia, foi enchendo aos poucos, muitos destes atraídos pela sonoridade da banda. Foi um bom concerto, e o som destes uma agradável surpresa, no entanto ainda não estão completamente à vontade em palco, algo que com o tempo deverá vir a acontecer.

The Black Wizards vieram a seguir. Com duas guitarras, uma bateria e uma voz feminina poderosa, o grupo encantou. Depois de terem lançado o seu EP no inicio do ano, o grupo veio encantar o público do WoodRock com a sua vibe e groove mais blues carregada de solos de guitarra virtuosos. Definitivamente uma banda a ter em atenção no futuro por parte de todos os adeptos de um estilo blues/rock com um toque moderno e fresco.

Asimov era apenas uma guitarra e uma bateria. A noite já ia alta quando os primeiros riffs hipnotizantes e psicadélicos se soltaram. Grande parte das malhas eram puramente instrumentais, carregadas de energia e de rasgos de inspiração. Foi quase uma hora de viagem espiritual ao som do grupo, que demonstrou sentir-se em completamente em casa, e cativou muitos dos presentes.

Stone Dead são uns autênticos animais de palco. O seu concerto foi um rasganço de energia e de puro rock n roll que levou o público à loucura. Apesar de já serem bastante conhecidos por estas bandas, continuam a surpreender pela sua total entrega. Uma banda que conta já com dois álbuns lançados, e uma cada vez maior presença nos palcos nacionais, são um nome de referência a nível de qualidade da cena rock nacional. Uma setlist extensa, recheada de surpresas, das quais, duas músicas novas e uma cover dos MC5 (“Kick Out The Jams”), que foram definitivamente um dos pontos altos da noite.

Miss Lava fecharam a primeira noite do festival em altas. Continuando a onda de energia e destruição começada pelos Stone Dead, entraram em palco prontos para incendiar ainda mais os ânimos. Foi um concerto potente, que demonstrou uma vez mais o porquê de o grupo ser um dos nomes mais conhecidos e estabelecidos do stoner rock nacional. Nem as avançadas horas da noite e o cansaço se fizeram notar na qualidade e presença em palco do grupo. A setlist andou à volta dos dois álbuns já lançados pelo grupo, que anunciou entretanto um novo registo de originais.


Dia 2

Os Captain Kill vieram da Noruega e abriram a segunda e última noite do festival. Com um álbum na bagagem, “Vanilla Gorilla”, o grupo veio com vontade de se afirmar por outros pontos da Europa. Tal como na noite anterior, começaram a tocar para uma plateia quase vazia que aos poucos se foi enchendo, atraída pelo som da banda. A setlist teve músicas novas pelo meio, inclusive uma escrita na viagem de avião para Portugal. Destaque para a faixa “Dance Motherfucker” que convidava o público a abanar as ancas ao som desta. Foi um bom concerto e uma agradável surpresa para quem não conhecia a banda.

V8 Bombs foi o acto que se seguiu, esta banda da “casa” veio trazer um elemento mais virado para o punk rock que faltava neste festival. Com muita atitude em palco e uma boa vibe rock n roll o grupo fez a festa em palco, onde tocou alguns dos seus temas originais. Destaque para as músicas “Silver Kiss”, que tinha muita energia e ainda conseguiu por uns quantos a dançarem.

Souq foram uma agradável surpresa. O som experimental com muito groove da banda era bastante cativante. Um grupo composto por 6 elementos, sendo que dois desses eram instrumentos de sopro (trombone e saxofone). O som destes era original e refrescante, com riffs “catchy”, que proporcionaram um ambiente musical interessante, onde até tiveram um toque de sonoridades mais pesadas e um piscar de olhos a Pantera, capaz de nos proporcionar uma viagem musical e espiritual. O frontman por sua vez tinha bastante carisma e todo o grupo demonstrou uma sólida presença em palco.

Os D3O provaram que o rock n’ roll é uma questão de espírito e atitude, e não tem limite de idade. A explosão de energia crua e electrizante vinda do palco aqueceu os ânimos numa noite que já se fazia sentir fria. Já com extenso currículo musical, a banda foi formada por antigos membros de Tédio Boys, o grupo não desiludiu, debitando música propícia de fazer abanar as ancas. Apesar de uns ligeiros problemas técnicos, não há nada a apontar àquele que foi um excelente espectáculo e um dos pontos mais altos da noite.

The Bellrays eram provavelmente um dos nomes mais conhecidos e mais internacionais do cartaz. Vindos directamente da Califórnia (EUA) para os palcos europeus, a passagem do grupo pelo WoodRock ficou na memória. Groove e soul com riffs hipnotizantes e eléctricos, e com uma poderosíssima voz feminina são a imagem de marca do grupo. Continuando o espírito de festa da melhor forma, estes voltaram a por a casa toda a mexer. Já com 25 anos de carreira e uma longa lista de trabalhos lançados, a setlist viajou pelos principais sucessos musicais da banda. Foi um fechar com chave de ouro daquele que tem tudo para se vir a afirmar como excelente festival de música rock no nosso país. 

Foram dois dias de convívio, muito rock e festa. O WoodRock apesar de ser ainda um festival relativamente jovem e pouco conhecido, demonstra um grande potencial e profissionalismo. Foi mais uma aposta de sucesso, que veio dinamizar a pacata localidade da praia de Quaios, o destino ideal para este tipo de festa. Esperemos que no próximo ano haja mais, com um cartaz de qualidade semelhante e com ainda mais sucesso. Até à próxima!


Texto e fotografias por Rita Limede
Agradecimentos: Wood Rock Fest