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Vamos começar esta missiva da forma mais complicada. O power metal, apesar de ter alguns defeitos, é um estilo capaz de brindar ao ouvinte temas de qualidade inegável. Aliás, a forma como completa o espírito do heavy metal é uma das suas características mais notáveis. No entanto, como tudo o que é demais enjoa, houve uma época de excesso de procura o que levou a um excesso de oferta por consequência, o que resultou no esgotamento do género quer em termos comerciais e criativos. Isto tudo para dizer que “Shadowplay”, o segundo álbum dos austríacos Dragony sofrem em demasia deste mal – há aqui qualquer coisa que nos soa a esgotado.

Inseridos na faceta mais melódica e sinfónica do power metal, este trabalho acaba por soar demasiado adocicado por vezes enquanto noutras soa demasiado pomposo. Tudo bem que a melodia não terá (nem poderá ser) universal e que seja perfeitamente legítimo para quem não gostar de melodia na sua música, assim como para quem gostar, mas aqui o problema é que este tipo de melodia já foi explorada até à exaustão pelo menos quinze anos atrás. Músicas como “Dr. Agony” são a representação de tudo o que está errado neste tipo de som – mesmo sendo esta uma afirmação demasiado dura para o talento que a banda obviamente tem.

Apesar de bons músicos e de o demonstrarem perfeitamente, “Shadowplay” sofre de falta de garra para que nos obrigue a ouvir e nos dias de hoje em que temos tanta música boa à nossa disposição, simplesmente não consegue convencer. É um trabalho que soa tímido perante as expectativas que temos. Existem boas ideias, mas o difícil é conseguir transformar isso em bons temas. Apesar de se gostar do género, é inevitável não se sentir um certo marasmo ao longo deste álbum que soa sempre longo demais com a sua hora de duração.

 
Nota: 5/10

Review por Fernando Ferreira