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Os finlandeses Apocalyptica encontram-se a promover o seu novo álbum, lançado este ano, bem como outros temas de registos anteriores, através da “Shadowmaker Tour”. Esta era uma das tours de 2015 mais aguardadas pelos portugueses, relembrando que as datas contempladas no nosso país, marcadas inicialmente para Abril, foram adiadas para o presente mês de Novembro (bem como a sua restante tour). A banda tocou no Hard Club, no Porto, a 2 de Novembro; no dia seguinte, coube à capital acolher a banda, desta feita no Coliseu de Lisboa. É sobre esta data que vimos falar. 

A primeira parte do espetáculo esteve a cargo dos australianos Tracer, que também lançaram um álbum este ano, intitulado “Water For Thirsty Dogs”. Apesar do seu ar jovem, a banda já conta com 14 anos de existência. O vocalista e guitarrista Michael Brown comentou ser muito bom regressar a Portugal, após três anos desde a sua última visita a terras lusas, elogiando a sala lisboeta escolhida (sendo a primeira vez que tocavam na capital). O rock trazido pelo trio de Adelaide, apesar de acabar por contrastar com o som dos Apocalyptica, conseguiu contagiar o público, principalmente as primeiras filas. A voz ao vivo de Michael Brown surpreendeu pela positiva, mostrando-se bastante poderosa; os outros membros da banda, o baixista Jett Heysen Hicks e o baterista Andre Wise, trataram de transmitir bastante energia ao público. Foram várias as vezes que o vocalista interagiu com a plateia, pedindo que cantassem com ele ou fazendo piadas, e a plateia retribuiu. Destacaram-se temas como o tema-título do novo registo, “Water For Thirsty Dogs” e “Austronaut Juggernaut”. Certamente fizeram novos fãs por cá. 

Por esta altura, o Coliseu já estava cheio, aguardando ansiosamente pelos finlandeses, que pisaram o palco às 22h00. Comparativamente à última vez que a banda passou em Portugal (na Aula Magna, em 2010), a típica multidão de negro deu lugar a um público mais heterogéneo. Poder-se-á dizer que os Apocalyptica ganharam outra notoriedade nos últimos anos, conquistando mais fãs ou, no mínimo, “curiosos” que pretendiam presenciar o som dos violoncelos de Eicca Topinnen, Paavo Lötjönen e Perttu Kivilaakso. Ouvindo alguns comentários que iam escapando pela plateia, foi notório que alguns dos presentes assistiam pela primeira vez a um espetáculo da banda, mostrando-se agradavelmente surpreendidos. 

Nos primeiros temas, “Reign of Fear” e “Grace”, o instrumental permitiu reavivar memórias (ou criar novas) no público lisboeta, tendo sido a partir de “I’m Not Jesus” que os fãs se começaram a manifestar. Foi também neste tema que Frankie Perez, vocalista que participou no último álbum dos finlandeses, se deu a conhecer. Apesar dos Apocalyptica serem tipicamente conhecidos e apreciados pelo seu instrumental, a verdade é que, ao vivo, os temas cantados acabam por ser mais aplaudidos pelo grande público. Exceção feita para as covers, principalmente dos norte-americanos Metallica (que, neste concerto, estiveram representados com “Master Of Puppets”, “Seek & Destroy” e “One”), cujas letras são ecoadas em uníssono pelos fãs. Também não faltaram “Inquisition Symphony” e “Refuse/Resist”, dos Sepultura. 

Os Apocalyptica surpreenderam por tocar um tema antigo não muito contemplado nos seus concertos, “Harmaggedon”, de 1998. Mas, possivelmente, a maior surpresa terá surgido a meio do tema “Hall Of The Mountain King”, quando começamos a ouvir o hino nacional “A Portuguesa” através do maravilhoso som dos violoncelos. Os portugueses não se fizeram esperar e cantaram-no numa só voz, até à última palavra. 

O tema “I Don’t Care”, do álbum “Worlds Collide” (2007), veio encerrar a noite, que terminou com uma promessa: Eicca garantiu que, muito em breve, os finlandeses vão voltar a pisar os palcos portugueses. Pelos aplausos e sorrisos que a banda recolheu, garantidamente serão recebidos, novamente, por uma casa cheia.

Texto por Sara Delgado
Fotografias por Anne Carvalho
Agradecimentos: Everything Is New