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O segundo capítulo do Mosher Fest teve lugar no passado sábado 14 de Novembro em Coimbra, no Cascata Club. Esta edição do festival contou com a presença de Terror Empire, For The Glory, Mutant, Holocausto Canibal e Dew Scented. Incialmente, devido à mudança para um novo local pouco habituado a receber concertos deste calibre, ocorreram alguns atrasos no início dos concertos, e uma consequente mudança no line up das bandas.

Assim sendo, coube aos lisboetas For The Glory, e ao seu hardcore, a tarefa de abrir o festival. Com uma grande explosão de energia, o regresso do grupo à cidade dos estudantes não poderia ter corrido da melhor forma. Na plateia, mal se ouviram as primeiras notas, abriu-se um mosh pit, começado por um grupo com corpse paint, algo um tanto inesperado, e houve também lugar para os movimentos de dança mais associados ao hardcore, do início ao fim, acompanhando um set composto por alguns dos temas mais conhecidos e sempre presentes da banda. Tendo em conta o estilo, não poderiam faltar tanto as mensagens de agradecimento aos presentes e a todos aqueles que mantêm o underground vivo em Portugal, bem como um discurso relativamente à situação de tensão vivida nos últimos tempos, em especial o que se passou em Paris no passado dia 13. A já icónica música “Lisbon Blues”, foi acompanhada por palavras tocantes de apoio e dedicada a todos aqueles que sofreram com esses ataques. Um momento solidário e de refelxão que não quebrou o ambiente de festa que se fazia sentir.

Os galegos Mutant foram o acto que se seguiu. Depois de terem estado no nosso país no Verão no festival Vagos Open Air, na altura ainda eram conhecidos como Mutant Squad, o trio regressou aos palcos nacionais pronto a rasgar. No entanto, um pequeno problema técnico com a guitarra no final da primeira música, veio limitar os movimentos ao vocalista/guitarrista, que acabou por ter que tocar sentado durante o resto do concerto. Mas isso não abalou minimamente os ânimos da banda, que continuou a puxar e a alimentar o desejo de bom thrash e mosh no público. Com um grande ambiente de boa disposição, o grupo apresentou ao vivo o seu novo single, “Alicion”, e brindou-nos também com uma música inédita, “Obsidian”, que irão figurar num próximo lançamento. A setlist focou-se maioritariamente no álbum de estreia “Titanomakhia”, lançado em 2013 e sem nunca esquecer alguns dos temas dos Eps anteriores. 

Dew Scented, apesar de serem a banda cabeça de cartaz do evento, tocaram a meio da noite, devido a conflitos de horários. Com “Intermination”, o seu novo álbum, na bagagem, o grupo entrou com o espírito de demolição em altas, e rápidamente instaurou o caos na sala. Com um estilo muito próprio dentro do death/thrash, o regresso do grupo ao nosso país (na noite antes tinham tocado no Warm-Up do Moita Metal Fest) após 5 anos, e a primeira vez com a nova formação, não poderia ter corrido da melhor forma. O ambiente estava ao rubro, e a entrega em palco destes foi algo totalmente exemplar e incansável. Sempre muito comunicativos e humildes, a banda interagiu do início ao fim com o público, falando sobre variados temas da actualidade e no final redobrou-se em agradecimentos relativamente à recepção que tiveram. A setlist focou-se maioritáriamente nos dois álbuns mais recentes, mas onde não faltaram umas quantas músicas mais conhecidas e antigas, tais como “Acts Of Rage”, “Never To Return” ou “New Found Pain”. Um autêntico espectáculo de pouco mais de uma hora, que foi com certeza do agrado de todos os presentes. Resta aguardar para que não fiquem outra vez cinco anos sem dar concertos em Portugal.

Os Holocausto Canibal tiveram a ingrata tarefa de seguir os Dew Scented. A noite já ia alta, e o cansaço já se fazia notar, tendo havido algumas desistências após o concerto anterior.Apesar disso, o regresso da mítica banda portuguesa de grind à cidade de Coimbra 12 anos depois, começou de forma irrepreensivel. No entanto, um problema com uma das guitarras, poucos minutos após o início do espectáculo, levou a que estes acabassem por ter que continuar “desfalcados” . E como um azar nunca vem só, umas músicas depois, houve problemas com a bateria o que obrigou a uma pequena paragem do concerto, mas felizmente, foi algo que acabou por se resolver. Como a banda experiente que são, estes pequenos contratempos não os deixaram afectar, e continuaram ao nível a que nos habituaram. O vocalista puxou bastante o público, e este foi respondendo, tendo havido sempre mosh e headbang a frente do palco. A setlist foi bastante variada, tendo percorrido no geral a longa carreira do grupo, e temas como “Lactofilia Destalhada”, “Holocausto Canibal”, “Empalamento” ou “Violada Pela Motoserra” fizeram furor entre os resistentes. 

A banda da casa Terror Empire encerrou a noite. Sempre num tom divertido que ajudou a enganar um pouco o cansaço, estes debitaram os primeiros riffs que funcionaram como um chamamento para acordar. A setlist focou-se no álbum de estreia destes, “The Empire Strikes Black”, editado no início deste ano. Contaram com a presença especial de dois convidados, Raça (vocalista de Revolution Within) emprestou a sua voz ao tema “The Servant”,e Marco Fresco (vocalista de Tales For The Unspoken) ajudou a cantar a música “Good Friends Make The Best Enemies”. No final houve ainda tempo para celebrar o aniversário do guitarrista Rui Alexandre, que é também o mentor por detrás do festival e da marca Mosher. 

A festa continuou pela madrugada fora, com animação a cargo do DJ Demoncrow, uma figura sempre presente nas noites de metal na cidade. Em suma, foi uma excelente noite de concertos que vem ajudar a marcar Coimbra como um ponto de passagem cada vez mais relevante para os amantes de sonoridades mais pesadas e alternativas. Uma marca como a Mosher, que começou apenas em Janeiro de 2014, e que tem crescido cada vez mais, tanto em território nacional como além-fronteiras, vê agora associado ao seu nome um festival de sucesso e em crescimento. O espírito foi de boa disposição e camaradagem, regada a cerveja e com muito mosh à mistura, tal como seria de desejar. As cerca de 300 pessoas lá presentes são a prova de que as coisas podem acontecer se tentarmos, e que o panorama do underground em Portugal está vivo e recomenda-se. Nota positiva para a noite, e não esquecer que em Maio há mais, estejam atentos!


Texto e Fotografias por Rita Limede
Agradecimentos: Mosher