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Ora aí está. Nada como death metal bruto e técnico para nos colocar no devido sítio e deixarmos a nossa suposta importância e infalibilidade de lado. Passo a explicar. “The Crushed Harmony” começa com “Atonality”, uma peça de death metal brutal onde claramente (e reforço esta palavra) a origem é norte-americana, fruto de uma banda que só pode ter no seu alinhamento uma série de cromos experientes do género. Qual não é a nossa surpresa quando verificamos de que “The Crushed Harmony” é o terceiro álbum de um projecto suíço levado a cabo apenas por um rapaz muito talentoso de seu nome Vladimir Cochet (que também tem outros dois projectos, sendo eles Mirrorthrone – black/death metal sinfónico – e Unholy Matrimony – black metal) que toca todos os instrumentos excepto pela bateria que é programada por si.

Para já, primeiro ponto perigoso nas one-man-bands (sendo de black metal ou não) em que a bateria é programada: qualidade da mesma. É o suficiente para condenar qualquer tipo de projecto, mesmo aqueles com potenciais imenso, como é o caso. Felizmente aqui a bateria programada não é um empecilho. Encaixa-se perfeitamente nas músicas quer em termos de programação, quer em termos sonoros. E mais, até soa bastante orgânica. Moderna, sim, mas também orgânica. Com um poderio impressionante, cada uma das malhas, verdadeiras malhas, aqui apresentadas é um monumento death metal memorável. Quer dizer, talvez não seja memorável no sentido de ser imediato, porque é necessário algum treino e habituação até que as músicas se instalem.

De qualquer forma, malhões como “Resurrection Of Resentment”, “Meant To Be Wrecked” e “Life In A Blood Spasm” são deliciosamente viciantes, como que pequenos cubos-mágicos que não se consegue largar até  que esteja desvendado. No entanto, ao contrário de muitas propostas do género, não há uma repulsa inicial por ser demasiado complexo ou técnico. Um meio termo adorável e que fará com que este trabalho agrade tanto aos amantes do death metal brutal e técnico assim como aos outros que gostam mais de melodia ou de uma abordagem mais tradicional. Uma excelente surpresa e deixa a curiosidade para os restantes projectos do senhor Vladimir. Quem sabe se não serão mais umas pérolas como “The Crushed Harmony”?


Nota: 8.5/10

Review por Fernando Ferreira