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Terzij De Horde - "Self" Review



Álbum de estreia dos holandeses Terzij De Horde que apresentam algo que parece saído do underground francês: black metal dissonante (ainda que bastante vitaminado) e completo, com a apetência para as faixas longas - o tema mais curto de "Self", "Contre Le Monde, Contre La Vie", tem quase seis minutos. Os malefícios desse tipo de black metal mencionado atrás é que o mesmo pode tornar-se aborrecido e demasiado auto-indulgente. Felizmente, não é o que temos aqui. As dinâmicas são uma constante e o primeiro tema, "Abscence" é um excelente exemplo disso mesmo. Quando tema parece já estar esgotado eis que surgem uns riffs saídos sabe-se lá de onde e que o tornam logo viciante.

Outro dos problemas que o uso de dissonâncias podem provocar é o facto também dos temas se tornarem demasiado aborrecidos e perderem-se em devaneios que estariam melhor num álbum dos The Dillinger Escape Plan (nada contra, grande banda) do que propriamente num disco de black metal. Aqui, essas raízes nunca se perdem de vista, embora não existam problemas em introduzir outros elementos que se conjugam na perfeição. Na "A Marriage Of Flesh And Air" existe um certo travo progressivo e post-punk/new wave, principalmente ao nível do trabalho de bateria.

Ao longo de seis temas, a banda tem aqui um belo álbum de estreia, que junta várias referências do black metal (e de música extrema em geral) mistura-as e apresenta um resultado final que é impossível de desagradar quem gosta do género e das suas experimentações. Claro que esta é uma altura ingrata (quer dizer, para os trve sempre foi) para que se façam experimentações devido à quantidade elevada de bandas de pós-black metal que vão surgindo, mas os holandeses acabam por manterem bem presentes todos os príncipios básicos do black metal. É feito, é sujo, intenso e até por vezes, um pouco claustrofóbico. E é por isso que gostamos dele.


Nota: 8.2/10

Review por Fernando Ferreira