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Já para quebrar o gelo, os Black Tide tocam metalcore e o resultado até nem é nada mau, o que prova que é possível fazer algo dentro dos limites castradores deste género musical. Claro que temos aquelas melodias bem emo em cada refrão e que parece que foram retiradas de qualquer coisa que passe exageradamente na Rádio Comercial e para quem isso for um problema, é melhor passar já à próxima review. Para todos os outros, este é apenas um pequeno detalhe. Temos uma base levemente thrash, mas muito próxima do heavy metal - para se ter uma ideia, o nome Trivium vem à mente de vez em quando mas tendo presente que aqui a coisa é bem mais radio friendly.

Nos primeiros temas, tais como "No Guidelines", "Angel In The Dark" e "Predator (Animal)" até se revela bem interessante. Nada de extraordinário, nada de arrasador, mas interessante. Boas melodias, quer vocais quer de guitarra, excelente base rítmica, uma saudável aproximação ao metal tradicional, principalmente ao nível dos riffs, leads e solos. No entanto, algures no caminho, a coisa perde-se. A "Burn" é constrangedora, um tema que poderia estar num disco dos Staind se estes decidissem fazer versões dos Tokyo Hotel (não tanto, mas o bom das comparações é podermos exagerar) e daí para a frente temos a percepção de como o álbum acenta todo na mesma fórmula que se gasta muito rapidamente.

Neste caso bastou apenas uma faixa mais melosa para que se tornasse evidente o facto de que a grande arma dos Black Tide é a mesma que qualquer artista pop: ganchos. Nada de errado com isso, o problema é a durabilidade. Os ganchos normalmente enjoam e aqui, com um foco tão grande nas melodias vocais, o que não se desejaria acaba por acontecer. Chega a uma altura que já não aguentamos com a voz de Gabriel Garcia, por nos parecer igual a tantas outras coisas que aparecem e desaparecem (felizmente) da nossa vida musical. Não é tão mau como o rótulo promete mas também não é tão bom como se pensa nas primeiras faixas. Mediano.


Nota: 5/10

Review por Fernando Ferreira