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O ambiente funebre da intro, intitulada "Intro", é capaz de enganar todos os que esperavam uma bujarda black metal ou até doom metal, já que a "Nihil Time Funeral Process" (que pelo título também engana) começa com um feeling de chanson noir, a fazer lembrar algo que o Nick Cave escreveria se estivesse mal disposto, mas é quando surge o que parecem ser gaitas de foles (ou de beiços, ou algo da família) que nós chegamos à conclusão que não estamos mesmo onde julgávamos estar. E mais, chegamos à conclusão que não fazemos a mínima ideia onde estamos!

Com o recurso a algumas músicas instrumentais, a sensação de estranheza não desvanece, muito pelo contrário, acentua-se já que ficamos com a sensação que estamos a juntar uma série de coisas que além de não pedirem para estarem juntas, nem queriam que lhes fizessem a desfeita, o que deixa o ouvinte com um certo ar desconcertado, a tentar perceber para que direcção é que isto vai... temendo e mais tarde percebendo que não vai mesmo a lado nenhum. O experimentalismo é bom para quebrar com as fronteiras do que é aceite como normalidade, no entanto, também é bom para se perceber que tipo de experiências não resultam e esta é sem dúvida uma delas.

Apesar de não ser propriamente um martírio de ser ouvido, soa tão disconexo do início ao fim que acaba por criar uma certa habituação e dormência, tornando-se até um pouco indiferente. Será provavelmente uma crítica muito dura, até porque há movimentos internos a cada audição que se tem, o que provavelmente quererá dizer que, havendo paciência, até se pode vir a apreciar de forma mais positiva este "Nous Sommes Faux". A verdade é que não houve paciência para se chegar a esse ponto, nem para tentar perceber se os movimentos internos são de repulsa ou de contentamento portanto... nunca saberemos.


Nota: 4/10

Review por Fernando Ferreira