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As festividades e os festivaleiros regressaram uma vez mais, neste Verão, à vila de Vagos, já mais que habituada a receber-nos da melhor forma. No entanto, este ano a festa foi feita sob um novo nome e com uma nova entidade organizadora, apesar de as diferenças que se fizeram notar tivessem sido mínimas.

Dia 1

As honras de abertura couberam aos Correia e à sua vibe mais psicadélica, algo que não encontra com muita frequência em festivais como o Vagos Metal Fest. O grupo é formado por dois irmãos com esse apelido, já conhecidos do público nacional devido à sua participação em grupos como Devil In Me, Men Eater ou More Than A Thousand. Estes trouxeram-nos “Act One” o seu mais recente trabalho de originais, que apresentaram de forma mais que convincente. Ainda com o publico a entrar, a atenção que tiveram não foi com certeza a merecida.

Betraying The Martyrs vieram agitar as hostes com o seu deathcore mais melódico. Com uma enorme energia e à-vontade em palco, puseram a plateia a mexer e a saltar do inicio ao fim. Embora sejam dotados de uma sonoridade que nem sempre seja capaz de criar consensos entre o público nacional, deram um concerto vivaço e interessante, no qual se focaram em “Phantom” o seu mais recente álbum de originais. Pelo meio não ficaram esquecidos quer o seu mais recente single “The Great Disillusion”, quer uma cover da música “Let It Go” do filme de desenhos animados “Frozen”.



Vektor foi uma das maiores surpresas do dia. Com uma abordagem fresca e progressiva ao thrash, a banda consegue combinar o melhor dos dois mundos, e o resultado foi um concerto explosivo. O público respondeu da melhor forma, e depressa rebentou um enorme mosh pit, bem como começaram os momentos de crowdsurfing que não deram um segundo de descanso aos seguranças na frente do palco. Com uma setlist composta maioritariamente por temas de “Terminal Redux”, lançado este ano, a banda conseguiu convencer. A terminar “Hunger For Violence”, um tema já mais que reconhecido, deixou no ar a ideia de que o concerto soube a muito pouco.



Um dos nomes já mais que reconhecidos do metal nacional, RAMP entraram em grande no palco. Com uma presença sempre carismática e bastante comunicativos do inicio ao fim. Quer se goste ou não da banda, há que reconhecer que ao vivo são sempre um espectáculo que vale a pena. O grupo desfiou clássicos atrás de clássicos, como “How”, “Follow You” ou “Dawn” que meteram diversas vozes em uníssono a cantar refrões. Para terminar, “Hallelujah” veio em jeito de grito final, juntamente com a promessa de um novo trabalho de originais em breve.



Vestidos a rigor e com um toque clássico, Fleshgod Apocalypse regressaram ao nosso país com um novo álbum na bagagem, “King”. Com uma sonoridade característica de um death metal técnico e sinfónico, juntamente com uns retoques operáticos da belíssima voz da soprano Veronica Bordacchini, a banda mostrou em palco o que melhor faz, apesar de pequenos problemas com o som, fizessem com que alguns dos detalhes ficassem perdidos pelo meio. A reacção por parte do público foi o esperado, e o concerto ainda assim não deixou praticamente ninguém indiferente. A setlist por sua vez conjugou perfeitamente os temas do novo trabalho como “Cold As Perfection” e “In Aeternum” com alguns mais antigos e conhecidos como “The Forsaking” ou “The Violation”.



O ritual negro dos mestres de black metal sueco Dark Funeral veio mostrar que a banda está de volta e em melhor forma do que nunca. Apesar de um “pequeno” percalço, a companhia aérea perdeu os seus instrumentos musicais, tudo se resolveu da melhor forma. O ambiente em palco era sombrio e as luzes fracas, a música essa fazia-se ecoar e sentir por todo o recinto, estava criado o misticismo necessário para um excelente concerto de black metal. Embora “Where Shadows Forever Reign” tenha sido o principal destaque, a banda não deixou de parte alguns dos seus maiores clássicos dos últimos vinte anos como “The Secrets Of The Black Arts”, “Vobiscum Satanas” ou “Hail Murder”.



Para terminar este primeiro dia, os sempre irreverentes Bizarra Locomotiva aqueceram a festa numa noite que já se fazia sentir fria. A locomotiva entrou em toda a velocidade e levou-nos à frente com o seu poderio. O palco, já esse,  provou-se pequeno para tanta energia e dedicação, sendo que Rui Sidónio, o mais que carismático frontman, levou a festa para o meio do público que o recebeu, e sentiu, de braços abertos no meio de um êxtase caótico. Um desfilar de temas contagiantes tais como “Hectacombe”, “Mortuário” ou “O Anjo Exilado”, conjugados com a destruição mostra que os renegados dão um espectáculo teatral digno de ser visto e apreciado ao máximo em qualquer oportunidade.



Dia 2

O segundo dia começou com a actuação da banda da casa, Godvlad. Uma banda que marca pela sua sonoridade diferente, efeito visual e toque oriental, tornando os seus espectáculos bastante apelativos. Embora o público presente no recinto ainda fosse bastante reduzido, a banda foi capaz de lhes prender a atenção. Tendo lançado este ano um novo trabalho, o EP “Dark Streets Of Heaven”, a banda deu especial a este trabalho, sem esquecer alguns temas de “Bipolar” o seu último álbum de longa duração.



Embora os Heavenwood sejam uma banda com pouca presença nos palcos nacionais nos últimos anos, mostraram que ainda estão aqui a dar cartas e que tocar ao vivo é algo com o qual se sentem bastante à vontade. A entrada em cena foi feita com garra e determinação, o que daí resultou uma prestação poderosa e emotiva. Com “The Tarot Of The Bohemians – Part I” ainda fresco, a banda entrelaçou na perfeição alguns dos seus temas deste novo trabalho como “The Empress”, “The High Priests” (que contou com a participação especial de Sandra Oliveira dos Blame Zeus) com alguns dos seus maiores clássicos tais como “Rain Of July” ou “Emotional Wound” criando a setlist perfeita para esta quente tarde de Agosto.



A grande surpresa do festival foi Tribulation. Dotados de um black metal mais moderno e com algum groove, apresentado com um visual estonteante e teatral a banda não deixou uma única pessoa indiferente, tendo reunido um número bastante elevado de curiosos junto ao palco. Com uma presença avassaladora e trajados a rigor, a banda trouxe-nos “The Children Of The Night” o seu mais recente álbum de originais. Temas como “Randa” e “When The Sky Is Black With Devils” (a fechar) não foram esquecidos numa actuação que soube a muito pouco.



A festa do folk metal regressou a Vagos desta feita pelas mãos dos finlandeses Finntroll que fizeram voar poeira na plateia. Do inicio ao fim não houve um momento de descanso, tal era a agitação. Mosh pits, comboios, crowd surfing e pessoal a dançar lá no meio animaram as hostes, tendo dado o ambiente propício para se aproveitar ao máximo o concerto. A banda não se mostrou muito comunicativa, tendo tido uma prestação dentro do que se esperava, mas isso pouca importância toda, a festa foi grandiosa e animada na mesma. A setlist contou com alguns dos temas mais conhecidos da banda, tais como “Solsagan”, “Trollhammaren” ou “Under Bergets Rot” a fechar.



O grande nome de referencia de power metal internacional Helloween foi para muitos o momento mais aguardado do festival inteiro. O regresso desta banda histórica aos palcos nacionais foi um dos pontos altos da noite, e uma aposta mais que ganha por parte da organização. A presença e a entrega foram inigualáveis, a simpatia e a energia completamente contagiantes, tudo ingredientes que se juntaram e resultaram num concerto que fica na memória. “My God-Giver Right”, álbum lançado o ano passado, serviu como pretexto para a visita, mas a setlist não se ficou por aí, tendo corrido alguns dos clássicos da longa carreira da banda. A faixa homónima desse álbum foi ecoada após um exercício bem sinalizado pela banda, e o medley de 5 músicas icónicas “Helloween/Sole Survivor/I Can/Are You Metal/Keeper Of The Seven Days” deixou um sentimento agridoce antes do encore. A terminar e sob fortes aplausos “Future World” e “I Want Out”, ficando também uma promessa de um regresso com menos tempo de espera.



A terminar, o maior nome do metal nacional, Moonspell, que se estrearam finalmente em Vagos. Um verdadeiro espectáculo digno de seu nome onde não ficou a faltar nada, desde a conjugação de clássicos como “Ataegina” ou “Alma Mater” com temas do mais recente trabalho “Extinct”, momentos de pirotecnia em “Opium”, teatralidade na música “Vampiria” (embora tenha sido tocada de uma forma um pouco mais lenta que o habitual) e Mariangela Demurtas (Tristania) em “Raven Claw” e Rui Sidónio (dos Bizarra Locomotiva, vestido a rigor) na faixa “Em Nome do Medo” como convidados especiais. A multidão esteve lá atenta de inicio ao fim, e a sinergia que se fez sentir era contagiante. Um fecho com chave de ouro para esta primeira edição de um novo festival no local de sempre que se revelou um sucesso.



Agradecimento especial: Organização do Vagos Metal Fest

Totalidade das fotografias: aqui

Reportagem por: Rita Limede
Fotografias por: Rita Limede
29 Agosto 16