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O segundo dia do VOA Fest iniciou com a apresentação do documentário “Blackhearts”, que contou com a presença do produtor Christian Falch. Este é um documentário que segue três fãs de black metal – do Irão, Colômbia e Grécia – numa jornada até à Noruega com as suas bandas. 

À semelhança do dia anterior, o calor fazia-se sentir no recinto e o público ia-se resguardando nos poucos locais com sombra existentes. Nesta altura, o recinto ainda se encontrava a meio gás, à semelhança do dia anterior. A primeira atuação do dia esteve a cargo dos espanhóis Soldier. “Good afternoon ladies and genitals”, assim foi a apresentação da banda. Com tempo limitado para atuar, mostraram-se bastante competentes. Apresentaram temas dos seus dois álbuns, “Gas Powered Jesus” e “The Great Western Oligarchy”, com especial destaque para a faixa “Destroyers”. O vocalista Phil González desabafou com o público presente, comentando que, em tempos de crise como os que se vivem nos dias de hoje, os amantes do metal devem continuar unidos. Um bom início para este dia, que se avizinhava manifestamente mais pesado que o anterior. 

Seguiram-se os nacionais Equaleft, destacando-se a energia do vocalista Miguel Inglês, que não deixou ninguém indiferente. Debaixo de um sol ainda abrasador, conseguiu colocar o público a mexer-se (como tanto pediu!) e, ainda a meio da sua atuação, já tinha arrancado o primeiro circle pit do dia. A atuação foi marcada pelo álbum de estreia da banda, “Adapt & Survive”, de 2014. Esta é uma banda que conta com mais de uma década de existência, e que talvez ainda não tenha alcançado todo o reconhecimento que merece (muito embora contem com fiéis seguidores). Pedimos mais concertos como este, por favor. 

Um pouco antes da hora prevista para o início da sua atuação, os suíços Schammasch pisavam o palco com as longas vestes que lhes são características. Tendo em vista o calor que se fazia sentir, há que ter respeito por estes senhores! A banda focou-se no seu último lançamento, “Triangle”, destacando-se os temas “Metanoia” e “Awakening From The Dream Of Life”. Foi uma atuação bastante competente e ficou o desejo de os ver em sala fechada, pois apresentam um espetáculo que vai para além da música. O vocalista e guitarrista Chris S.R. ainda conseguiu proporcionar um momento engraçado, quando comentou com o público que a sua cerveja estava a ferver. Para a próxima, certamente vão preferir regressar pela noite. 

A última atuação antes da noite cair esteve a cargo dos Abbath. Este era um concerto que trazia bastantes expetativas, principalmente por parte dos fãs de Immortal. Certamente não foram defraudadas. Quando a banda entra em palco, uma multidão de negro aproxima-se, e aqui o recinto já se encontrava bem composto. Entre o primeiro tema, “To War!”, e o último, “All Shall Fall”, a atuação foi bastante intensa e o público correspondeu. Foram várias as vezes que se assistiu a crowd surfing ou ao típico mosh. Por vezes, nem se conseguia compreender os grunhidos do vocalista, mas não é que isso tenha importado. Assistimos a black metal de qualidade, independentemente de se ser fã, ou não, do género. O novo projeto de Abbath Doom Occulta passa claramente com distinção.  

Finalmente, a noite chegou, e os Paradise Lost entraram em palco pelas 21h00. Nesta atuação pôde-se ouvir um pouco de vários álbuns da carreira dos britânicos, como “Gothic”, “Shades Of God”, “Draconian Times”, “Icon”, “One Second” e “The Plague Within”. Foi uma excelente atuação e qualitativamente superior a outras aparições da banda pelo nosso país. Tendo optado por apresentar temas de fases distintas da banda, compreende-se que não é possível agradar, simultaneamente, a gregos e troianos (à semelhança de outras bandas do cartaz, como Anathema e Katatonia). Porém, quer em temas mais complexos, como “Rapture”, “Pity The Sadness” e “Hallowed Land”, ou temas como “One Second” e “Say Just Words”, considerados mais comerciais, a emoção não deixa de transparecer na voz de Nick Holmes e nos acordes de Gregor Mackintosh e companhia. Um dia, talvez os britânicos acedam a fazer uma tour dedicada às suas sonoridades mais precoces. De uma forma ou de outra, certamente vão compor uma sala no nosso país. 

A fechar a edição do VOA Fest 2016, foi a vez dos veteranos Kreator mostrarem, uma vez mais, aquilo de que são capazes. Por entre confetis e fumo, os alemães conseguiram arrancar toda a energia (e mais alguma) que ainda restava do público. No começo, com “Enemy Of God”, não era preciso olhar atentamente para ver de imediato sinais de crowd surfing, mosh, headbanging, ou ouvir vozes em uníssono. A partir daí, foi um desfilar de temas emblemáticos como “Phobia”, “Suicide Terrorist”, “Extreme Aggression”, “Pleasure To Kill” e “Flag Of Hate”. Na realidade, é difícil escolher os melhores. Sempre que Mille Petrozza pedia um circle pit, lá estava ele. O vocalista e guitarrista prometeu regressar ao nosso país após o lançamento do futuro álbum da banda. Pelos sorrisos espalhados nesta noite, os fãs portugueses vão certamente aguardar ansiosamente por ambos, o álbum e o próximo concerto. 

Assim, terminaram as atuações desta edição. A noite continuou com o DJ live set de Satan Made Me Do It, à semelhança de sexta-feira, muito embora a after-party não tenha tido a duração esperada por quem ainda permanecia no recinto, algo que poderá ser melhorado em edições futuras. Para além disso, tendo em vista o mês em que o festival decorre, sugerem-se mais espaços onde os festivaleiros possam repousar à sombra, uma vez que o calor é, efetivamente, esgotante. Contudo, a organização garantiu um espaço onde foi possível apresentar concertos de qualidade, com campismo e estacionamento à porta, e transportes ali ao lado. De reforçar a pontualidade de praticamente todas as atuações, e o esforço pela variedade no que toca à restauração. Para o ano há mais, até 2017. 



Texto por Sara Delgado
Fotografia por Igor Ferreira
Agradecimentos: Prime Artists & PEV Entertainment