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Depois de alguma polémica em torno da mudança do Vagos Open Air, em Vagos, para a Quinta da Marialva, em Corroios, o renovado festival – agora designado VOA Fest – finalmente deu lugar, nos passados dias 5 e 6 de Agosto. Esta mudança não se fez sentir na qualidade do cartaz (existindo, até, alguns nomes já repetentes de edições anteriores), nem espantou os amantes do “heavy rock” e companhia.
Se tivermos de escolher uma única palavra para adjetivar esta edição, “calor” será uma opção bastante viável. Pelo sol abrasador que teimava em não nos deixar, mas também pela emoção que muitas bandas fizeram transparecer, tendo como consequência uma ligação memorável com o público. 

A edição de 2016 do VOA Fest arrancou com os portugueses Dark Oath. Àquela hora (pelas 16h00 em ponto), e estando ainda a uma sexta-feira, o recinto não se encontrava tão composto como mais tarde viria a acontecer. Facto que não intimidou a vocalista Sara Leitão, que se mostrou enérgica e comunicativa ao longo da atuação, nem as quatro ou cinco filas que assistiam à banda portuguesa com, certamente, suor a escorrer pela cara. A vocalista agradeceu várias vezes a presença do público e recordou que a banda se encontrava a promover o seu álbum de estreia, “When Fire Engulfs The Earth”. Os temas mostraram-se poderosíssimos ao vivo, e é certo que estes conimbricenses ainda terão muitas cartas (leia-se: bons lançamentos e concertos) para apresentar no futuro. O festival não podia ter começado melhor. 

Seguiram-se os italianos Adimirion, que não são um nome propriamente muito conhecido pelo grande público português, apesar de já contarem com quase duas décadas de existência e histórico de partilha de palco com bandas como Meshuggah, Annihilator ou Sepultura. Foram competentes nesta atuação, destacando-se temas como “The Giant and the Cow” e “Ayhuasca”, ambos do último registo da banda, “Timelapse”. Ficou a promessa de regressarem em breve. Uma boa aposta para este dia, e decerto terão arrecadado novos fãs por terras lusas. 

Pelas 18h00, entra em palco a dupla Mantar, sendo que aqui já conseguimos encontrar fãs mais fervorosos a ocupar as primeiras filas. Não é de admirar, tendo em vista a energia contagiante da banda. De tronco nu e a escorrer suor, eram raras as vezes que Hanno Klänhardt se encontrava parado em palco, o que foi de louvar. Hanno não se esqueceu de trazer o seu boné dos Manowar, pois sem ele “everyone sucks, even Manowar”. Boa música, energia e humor, não se pode pedir muito mais. “This is Era…Borealis!”. O concerto acabou e as palavras ainda soavam na cabeça. Estão à vontade para regressar a Portugal. 

Chegou a vez dos suecos Katatonia pisarem o palco. Como já passava das 19h00, seria de pensar que o sol faria tréguas. Este pensamento não podia estar mais errado, que o diga Jonas Renkse. O vocalista referiu várias vezes que não se lembrava do nosso país tão “sunny”, e chegou a dizer, entre risos, “I really love Portugal…in the evening”. Sim, talvez a música dos suecos não combine com tanta luz e calor, o que não impediu a banda de apresentar um grande concerto (mesmo com algumas falhas técnicas pelo meio). Tocaram alguns dos seus temas mais emblemáticos, que foram bastante aplaudidos, tais como “July”, “My Twin” ou “Soil’s Song”, mas também houve lugar à apresentação de temas do seu mais recente álbum,”The Fall Of Hearts”, como foi o caso das faixas “Serein”, “Serac” e “Old Heart Falls”. A duração do concerto soube a pouco? Pode-se dizer que sim. Mas os fãs podem ficar descansados…já foi anunciado o regresso dos suecos a Portugal, no próximo mês de Outubro, a propósito da tour de promoção do seu novo álbum. Uma excelente notícia. 

Pelas 21h00, e já de noite (felizmente!), chegam os britânicos Anathema. Há quem ainda pergunte o porquê desta banda regressar ano após ano a Portugal. Esperemos que a questão tenha ficado respondida depois de uma 1h30 de excelentes temas, sorrisos e cumplicidade entre banda e público. É certo que os últimos lançamentos dos britânicos em pouco se comparam com os primeiros da sua carreira, facto que parece ter surpreendido alguns dos presentes. Para os fãs, ou para os mais atentos, já não houve novidade. Infelizmente, houve alguns problemas técnicos que, num momento ou outro, perturbaram o ritmo e a qualidade a que a banda costuma habituar, nomeadamente nos momentos em que se ouve a brilhante voz de Lee Douglas. Mas nada que fizesse o público recuar. Vincent Cavanagh saudou-nos, “campeões da Europa”, e apresentou-se com a humildade em palco que lhe é característica (num determinado momento, confessa-nos que está sempre a confundir os álbuns da banda e já não sabe a qual pertence este ou aquele tema). Destacou-se o tema “A Natural Disaster”, no qual o recinto ficou às escuras, iluminado apenas pela luz dos telemóveis e isqueiros que balançavam no ar, e “Fragile Dreams”, que habitualmente fecha em grande as atuações da banda. Que continuem a visitar-nos, cá os esperamos. 

A última atuação da noite esteve a cargo dos Opeth. À semelhança dos Anathema, os suecos também têm vindo a mudar a sua sonoridade ao longo dos vários lançamentos que têm apresentado. Gostos à parte, apresentaram-se em grande forma, numa atuação que podia ter-se estendido noite fora sem que perdessem público. Mikael Åkerfeldt surgiu com o humor que lhe é característico, começando por revelar que tinha uma mensagem importante a transmitir: “o meu bigode está maior do que nunca”. Este bigode foi tema de conversa ao longo da atuação, provocando sor(risos) pelo recinto fora. Foram percorridos alguns álbuns, sendo “Demon of the Fall” o tema mais antigo tocado. “Heir Apparent”, “The Drapery Falls” e “To Rid The Disease” foram cantados quase em uníssono, e os suecos fecharam em grande com “Deliverance”. Não foi apresentado qualquer material do seu novo álbum, “Sorceress”, que será lançado no fim de Setembro (nem mesmo a faixa-título deste registo, que entretanto já era conhecida à data do espetáculo). O que é que isto significa? Que os fãs ficam à espera de um regresso brevemente. Oxalá aconteça. 

Estava terminado o primeiro dia de atuações do VOA Fest 2016. A noite continuou com o DJ live set de Satan Made Me Do It.


Texto por Sara Delgado
Fotografia por Igor Ferreira
Agradecimentos: Prime Artists & PEV Entertainment