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O Mosher Fest regressou para a sua quarta edição, a terceira a ter lugar no Cascata Club. Este ano a organização tomou um pequeno risco que se revelou mais que ganho, tendo-nos apresentado um cartaz eclético que reuniu quatro nomes que mostram o que melhor se faz no nosso país, Tales For The Unspoken, Revolution Within, Dementia 13 e Corpus Christii, complementados com uma das bandas de mais rápida ascensão no thrash/crossover europeu, os Dr Living Dead!.

Pontualmente, os Tales For The Unspoken fizeram soar os primeiros acordes, que serviram como chamamento para todos aqueles que já se encontravam na sala. A banda da “casa” regressou assim, mais de um ano depois, aos palcos da cidade que a viu nascer, o que deu um gostinho ainda mais especial a este concerto. Com um novo line-up, a banda brindou os presentes com alguns temas do seu mais recente trabalho, lançado o ano passado (CO2), tais como “Burned Alive” ou “World’s Biggest Lie”, sem no entanto esquecer algumas das músicas mais antigas e reconhecíveis, como a“Say My Name” e “N’TakubaWena”, com que fecharam a actuação.
Com uma casa já mais composta, os Revolution Within entraram com garra e prontos a incitar ao caos e a brutalidade na plateia. Estes trouxeram consigo o seu novo álbum “Annihilation”, lançado há uns meses atrás, tendo sido bastante bem recebido desde então. Sempre a rasgar com a habitual presença de palco marcante, a banda debitou os seus temas com poderio, enquanto que o público sedento de mosh respondia da melhor forma. A terminar, uma wall of death respeitável rebentou ao som de “Pure Hate”, um dos temas mais marcantes do grupo.


A actuação dos suecos Dr. Living Dead!foi, para muitos, o momento mais aguardado da noite. Vestidos a rigor com as suas características máscaras de esqueletos, o grupo tomou o palco do Mosher Fest de assalto e brindou-nos com uma actuação intensa e memorável. A energia que se fez sentir foi electrizante, e o público deu tudo de si para que a banda se sentisse em casa, sendo que os momentos de mosh, stage diving e headbangdemonstraram-se uma constante do início ao fim do espectáculo. Em termos desetlist, a banda focou-se maioritariamente em temas retirados de “CrushThe Sublime Gods”, lançado no ano passado. Irreverentes durante toda a hora de duração do espectáculo, provaram ser uma aposta mais do que ganha no cartaz.


Com a fasquia elevada, os Dementia 13 - uma vez mais - deram provas que são um dos actos de death metal com maior qualidade que podemos encontrar no nosso país. Com uma expressividade e à-vontade cada vez maiores, o vocalista afirmou-se como um verdadeiro frontman capaz de cativar e comunicar com todos os presentes, que ainda resistiam após a onda de destruição que se fez sentir no concerto anterior. A setlist correu temas de ambos os trabalhos do grupo, o EP “Tales For The Carnivorous” e o álbum de 2015 “Ways Of Enclosure”, com especial destaque para as faixas “Room 36” e “Brotherhood Of The Flesh”. Uma actuação ao mais alto nível por parte de uma banda que causa sempre uma boa imagem de destruição por onde passa. 
Cerca de 18 anos depois, os mestres do black metal nacional Corpus Christii tiveram a sua estreia na cidade de Coimbra, e bem que valeu a pena a espera. Nome controverso num festival à partida mais virado para géneros propícios ao mosh e stage diving (como thrash/crossover/death/grind/hardcore), revelaram-se mais uma aposta ganha, com um concerto monstruoso incapaz de deixar quem fosse indiferente. Com muito carisma e irreverência, entregaram-se de alma às trevas e brindaram-nos com temas como “Crimson Hour”, “Soaked In Your Blood” e o já icónico “All Hail (Master Satan)”. Um espectáculo fantastico, para mais tarde recordar.

Em suma, foi uma excelente noite de concertos que veio afirmar Coimbra como um ponto de passagem cada vez mais relevante para os amantes de sonoridades mais pesadas e alternativas. Os festival continua a crescer e já vai muito para além da marca que lhe deu nome, tendo-se demarcado como evento obrigatório para todos os amantes de sonoridades mais extremas e de uma boa noite carregada de cerveja e mosh. Para o ano há mais!


Texto e fotografia por Rita Limede
Agradecimentos: Mosher