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Nos anos 80, logo após ter tomado conhecimento de bandas clássicas como Metallica, Slayer e Kreator, gravaram-me uma cassete com vários temas, sendo um deles “Current of Death”. Foi um choque a todos os níveis: a selvajaria musical, a velocidade e... voz feminina?! Foi a primeira vez que ouvi uma banda de metal com uma vocalista feminina – aliás, com um elemento feminino. Na época, e ao contrário de hoje, era uma coisa muito rara; na verdade, só me lembro dos Holy Moses e de The Great Kat. Depois, as coisas não eram como no presente, e arranjar um álbum dos Holy Moses fora de Lisboa ou Porto era uma aventura - só em 91 ou 92 é que passei a conhecer melhor a banda, com “The New Machine of Liechtenstein”, talvez o álbum de thrash progressivo mais ignorado dos anos 80. Felizmente, existe um MHF para poder reviver aquele tipo de bandas que fizeram a juventude de muitos nós. A nossa conversa com a Sabina e com o Gerd revela novidades sobre o futuro dos Holy Moses.


M.I. - Primeira vez em Portugal! O que vos fez demorar tanto tempo a vir até cá?

Sim, primeira, finalmente! Na verdade, estivemos para tocar cá anteriormente com os Obituary, mas o autocarro teve uma avaria. E outra vez com os Benediction, essa vez foi em 2008, lembro-me bem: o autocarro voltou a avariar, começou a arder, estávamos nós no sul de Espanha, ao pé da fronteira com Portugal. Lembro-me, também, que fomos para um hotel, e da varanda do hotel, vimos o autocarro a pegar fogo.


M.I. - Isso é heavy metal. É heavy metal puro!

É, é metal a sério (risos). E como tudo anteriormente pegou fogo, ficámos muito felizes por termos vindo de avião desta vez. Correu tudo bem. O avião não pegou fogo. (risos)


M.I. - Acrescentando o facto de não teres pegado fogo... 

Como assim?! Eu estou sempre em fogo. (risos)


M.I. - Fisicamente, portanto; fora esse facto conveniente, o que é que vocês estão a achar do país até agora? Tiveram tempo desde que chegaram para ver alguma coisa?

Em termos de vistas, nem por isso, mas em termos de tempo, é assim: quando saímos da Alemanha, estavam entre -15º a -10º, e quando aqui chegámos hoje...


M.I. - Parecia-vos o Brasil, não?

Ah, sim!
Sim, sem dúvida (risos).
Muito sol, sem chuva... quero dizer, eu adoro Espanha, adoro Portugal, sem dúvida, estou felicíssima por ter vindo. Parece-me que todos gostamos da parte mais a sul, não, Gerd? 
Sim, claro que sim, preferimos o clima. O que acontece é que, em tournée, nunca vemos metade do que gostaríamos. Adoraríamos ver mais, mas em trabalho... é sempre mais difícil. 
 Mas hoje tivemos um motorista maluco. 
Pois foi. (risos)
Ele não conseguia encontrar o sítio onde viemos tocar, e não conseguia encontrar o hotel, por isso acho que podemos considerar que ele foi o nosso guia turístico, graças a ele vimos muitas coisas nas redondezas (risos).
Ele usou o GPS do carro, mas... não sei o que se passou... (risos)


M.I. - Voltemos quase 4 décadas no tempo: os Holy Moses fazem parte dos pioneiros dos pioneiros, tendo começado actividades em 1980. Finished With the Dogs e The New Machine of Liechtenstein são, seguramente, dois dos melhores momentos thrash dos anos 80. Chegados aos anos 90, vocês não abrandam e lançam Terminal Terror. Muita coisa mudou em 37 anos, mas, ainda assim, os Holy Moses seguiram o seu caminho muito pessoal, afastando-se sempre de modas e, acima de tudo, nunca se venderam à indústria. Por outro lado, o vosso som sempre foi um porta-estandarte do thrash alemão: ao contrário do thrash americano, bandas como Protector, Kreator, Sodom ou Destruction percebem-se automaticamente que são alemãs. Contudo, nenhuma delas alguma vez chegou aos calcanhares dos Holy Moses em termos de técnica e progressão. Acham que esses factores foram determinantes para alcançarem o vosso próprio som, que em nada fica a dever aos maiores nomes mundiais da cena?

Falta-te aí um pequeno pormenor: nós não tínhamos a mais pálida noção do que estávamos a fazer (risos). Apenas fazíamos, e o nosso gosto levou-nos a evoluir, a tocar melhor. O Andy (bateria) e o Olli (guitarra) tinham tempo e ensaiavam o dia todo e, juntos, evoluíram imenso (risos). As primeiras vezes, eram autoritários: queriam toda a gente no local de ensaio a horas, e passavam 8, 10, 12 horas por dia a tocar. O mais importante é que nem sequer pensámos no tipo de som que queríamos tocar, apenas tocávamos. Queríamos tocar e tocávamos.


M.I. - Ou seja, foi um processo puramente natural, não forçado?

Naturalíssimo, sim, sim. E, nessa altura, começámos a cursar matemática e informática e...

M.I. - Desculpa?!

Na faculdade (risos). O que nos levou a ser mais meticulosos. Mas sempre divertidos, e isso ajudou na composição e na criação das letras. Não queríamos ser iguais a estes ou àqueles – apenas queríamos tocar o que nos ia na alma.


M.I. - Está é para ti, Sabina: hoje em dia, parece que a nova moda numa banda é ter uma vocalista em vez de um vocalista, basta pensar em talentos como Angela Gossow, Alyssa White Gluz e Rachel Van Mastrigt-Hayzer, entre outras vocalistas de bandas extremas. Mas, ao olhar para os anos 80, e à excepção da The Great Kat, tua contemporânea, sabes tão bem quanto eu que tu e ela eram capazes de ser as únicas duas vocalistas femininas em bandas de 1ª linha. Era extremamente invulgar na altura, pois o género era povoado maioritariamente por homens. Como é que tudo aconteceu? Como é que saltaste para dentro do barco dos Holy Moses e como é que sentes por teres sido uma fonte de inspiração para vocalistas como as que mencionei?

Bom, eu entrei nos Holy Moses por acidente, quero dizer, era uma banda de miúdos da escola. Eles estavam à procura de vocalista, e eu era namorada do guitarrista; antes disso, eu tinha formado uma banda onde tocava baixo, e eles disseram-me: “Tens que tentar cantar”. Eu não sei cantar (risos). Eles deram-me o microfone, e o que saiu foi heavy metal puro e duro, e bastante alto (risos). Então, eu urrei, apenas para lhes mostrar que sabia “cantar”, e o baixista vira-se para a banda e diz “É esta”. Eu pensei que estava a gozar comigo, mas eles gostaram, e pediram-me para repetir.  Eu fiquei chocada com o som que saiu, mas deles disseram que era aquilo mesmo que queriam, quero dizer... eu era fã do Ozzy Osbourne, queria cantar como ele, e saiu este tipo de voz.


M.I. - À época, não só era invulgar ver uma mulher como vocalista, como também era raríssimo ter uma voz tão agressiva e a puxar para o death como a tua. Portanto, quanto mais te esforçavas para sair daquele filme, mais eles gostavam, é isso?

Exactamente (risos), foi ridículo: eu a esforçar-me para falhar, e eles a adorar. Acabei por me habituar e gostar da voz, mas sim, nessa altura as outras bandas não tinham uma voz com metade da agressão, era uma coisa completamente nova. Claro que eu não me apercebi se não anos mais tarde, mas na altura o que eu fazia era natural, mandei a voz mais agressiva que consegui e assim ficou.


M.I. - Era a verdadeira Sabina, a Sabina honesta?

Sim, sem dúvida. Quanto à segunda parte da tua pergunta – quando vejo a Angela e a Alyssa a desempenharem o mesmo papel imprimindo-lhe os seus toques pessoais, acho que é fantástico. De facto, sinto orgulho em poder dizer que desbravei mato e abri um caminho para que outras pudessem percorrê-lo. É uma sensação óptima.


M.I. - O Lars Ulrich afirmou há uns dias numa entrevista que, no backstage, os Metallica agora são mais chás de ervas e massagens do que álcool e outros excessos, dizendo que o peso do tempo os limita hoje em dia a um estilo de vida mais saudável e regrado. Se depender de vocês, podemos contar com um concerto dos Holy Moses daqui a 30 anos? Os Holy Moses são para a vida?

Sim (risos).


M.I. -  Com sorte?

GL – Com sorte, sim, espero que sim (risos). Se eu ainda conseguir... (risos)
SC – Daqui a 30 anos, eu terei 83.
GL – Portanto, sim, é bastante possível!
SC – Sim, muito provável, até (risos).  Quero dizer, os outros, é na boa, terão uns 63 nessa altura, o Thomas e o Pete. Quero dizer. Enquanto estivermos vivos, porque não (risos)? Mas entendo a tua pergunta, sim. Aos 83 anos... quero dizer... é mesmo muito pouco provável...
GL – Mas, se apontares para os próximos 1-20 anos, com certeza.
SC – Sim, é mais realista. Mas não há problema: a filha do meu namorado tem uma voz excelente, canta a “Current of Death” como nunca ouvi ninguém cantar. 
GL – E o meu filho também toca bateria.
SC – Bateria, é? O do Peter toca guitarra e violoncelo... bom, isto para te dizer que, daqui a 30 anos, connosco será pouco provável, mas...
GL – Mas os Holy Moses com a próxima geração, parece muito viável.


M.I. - Ou seja, vão passar o testemunho dos Holy Moses aos filhos?

SC – Sim, e vamos deixar que usem o nome dos Holy Moses, para que quando estivermos a morrer e precisarmos e alguém que nos alimente, eles intervenham (risos).
GL – E terão também que fazer a nossa higiene pessoal (risos).


Entrevista por João Correia