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Os Kreator já nos habituaram a longas esperas, desde os quatro anos de intervalo entre "Violent Revolution" e "Enemy of God". Desta feita sucedeu de igual modo, com praticamente cinco anos a separarem "Phantom Antichrist" e o novíssimo "Gods Of Violence". Se é para terem tempo de compor trabalhos da qualidade dos supracitados podem demorar os anos que quiserem porque tem valido a pena a espera.

"Gods Of Violence" não apresenta diferenças substanciais relativamente ao seu predecessor, nem a qualquer dos álbuns editados pelos Kreator, desde "Violent Revolution". Aliás, a partir do álbum de 2001, a banda germânica voltou à sua melhor forma e encontrou um rumo musical. Os mais recentes discos da banda de Mille Petrozza apresentam uma sonoridade thrash, melódica, dinâmica e madura a nível composicional, mantendo alguma da intensidade e agressividade do passado. Quem estiver ainda à espera que os Kreator, nesta altura do campeonato, escrevam um disco de thrash metal extremo como "Endless Pain" ou "Pleasure to Kill" pode aguardar sentado, porque as intenções musicais deste quarteto são claramente distintas do estilo que os caraterizava. Os Kreator do século 21 não são piores nem melhores do que os dos anos 80, são apenas diferentes. De realçar as poucas oscilações de qualidade entre os álbuns "Violent Revolution", "Enemy of God", "Hordes of Chaos", "Phantom Antichrist" e este "Gods Of Violence" que permitem afirmar com alguma segurança, que os Kreator são, provavelmente, uma das bandas de thrash metal que apresentou uma maior consistência nas últimas duas décadas. 

"Apocalypticon" é um ótimo tema instrumental que nos prepara para a guerra, que nos atinge a todos com "World War Now", uma música que nos conquista com o seu refrão frenético. "Satan is Real" é uma música incrivelmente orelhuda no seu todo, sendo detentora de um refrão que seguramente será entoado pelo público nos concertos. "Totalitarian Terror" é uma faixa rápida e intensa, passível de contagiar à primeira audição. O tema-título "Gods of Violence" é sem surpresas outro dos destaques deste trabalho, o que não é de admirar pois geralmente as músicas que dão nome aos discos de Kreator, estão entre as melhores dos respetivos alinhamentos. O disco continua forte até ao final mas podemos realçar "Hail to the Hordes", que é um tema extremamente catchy e de influência heavy metal, sensivelmente na linha do que fizeram com "From Flood Into Fire", do álbum anterior. Não podíamos deixar de fazer referência à faixa mid-tempo "Fallen Brother", cujo videoclip presta homenagem a ícones da música falecidos como Lemmy Kilmister, Jeff Hanneman, Cliff Burton, Peter Steele, Bon Scott, Dimebag Darrell, Dio, John Bonham, Phil Lynott e até Prince e David Bowie. Os Kreator esticaram um pouco a corda apenas no tema "Side by Side", com um refrão a roçar o power metal mas mesmo assim o resultado global dos seus quatro minutos de duração é francamente positivo. O primeiro minuto do tema que finaliza o disco, "Death Becomes My Light", traz à lembrança o rock gótico de "Endorama" mas depois a música transforma-se em heavy/thrash para  depois terminar numa toada quase gothic/doom. 

"Gods Of Violence" é indubitavelmente um álbum de thrash, chamemos-lhe thrash metal melódico, mas é sobretudo um grande disco de metal com momentos e influências distintas que dão variedade à tracklist e tornam a sua audição integral muito agradável. Recomendado para todos os apreciadores da fase mais recente do lendário grupo alemão.

Nota: 8.7/10

Review por Mário Santos Rodrigues