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Dia 0

À semelhança do que tem acontecido em anos anteriores, o dia 0 do festival é um aquecimento para os fortes, bem como a final nacional da W:O:A Metal Battle, cujos finalistas deste ano foram os Destroyers Of All, Toxikull, Analepsy e Deadlyforce. Quatro concertos repletos de emoção, onde as bandas deram o melhor de si, o que por sua vez dificultou  bastante a tarefa aos responsáveis pela decisão. Enquanto se aguardava pelo veredicto final, os brasileiros Test, donos de um grindcore irreverente e sedentos de palco, animaram as hostes e contribuíram para a destruição. No final, a fechar a noite de aquecimento, veio o momento da verdade entre agradecimentos -  os Analepsy foram os justos vencedores e irão representar o nosso país no mítico festival Wacken Open Air!

Dia 1

Com o dia 1, tudo começou em pleno: A multidão mais que duplicou e o espírito de misticidade, com um toque de degredo característico do festival, sentia-se no ar -  as comemorações dos 20 anos de SWR Barroselas Metalfest estavam oficialmente aqui!

Dando o mote para o início das festividades nos palcos interiores os riffs arrastados dos germânicos Valborg fizeram-se ouvir, envolvidos por um misto defumo e luzes baixas, ,. Com “Edstrand”na bagagem, lançado umas semanas antes do festival, a banda cativou os presentes, ainda que a sala estivesse “a meia chama”. O baixista e o guitarrista dividiram a tarefa de dar  voz aos temas que acabaram por hipnotizar os presentes. 
A festejar 20 anos de carreira e trajados a rigor, os nacionais Holocausto Canibal transformaram o palco num matadouro. Numa  cena que tinha tudo para ferir a susceptibilidades dos mais sensíveis, a banda mergulhou na sua extensa discografia, numa actuação que fez jus ao vicénio de brutalidade que têm em cima, apresentando-se cobertos de sangue dos pés à cabeça e usando  com entranhas e cabeças de porco como adereços,. Aqueles que se reuniram para festejar este marco importante com a banda foram brindados com  temas clássicos como “Violada Pela Motoserra” (que também contou com adereços a condizer) ou “Instintos Necrófilos”.

Brutos, porcos e violentos, mas com um toque de classe, tal como o grind deve ser - estas são, decerto, as palavras que melhor descrevem a actuação dos Besta. Com uma descarga de brutalidade de inicio ao fim, a banda encheu as medidas ao continuar a onda de destruição e caos na plateia, começada com o concerto anterior. Com uma mensagem política de carácter anti-sistema sempre presente, a banda aproveitou as pequenas pausas entre as suas músicas para sensibilizar o público para a importância de lutar contra a injustiça, ou não fossem estes uma banda de grind“à antiga”. 

Renascidos das cinzas daqueles  que foram, em tempos, os míticos e etéreos Agalloch, os Pillorian trouxeram-nos“Obsidian Arc”, o seu álbum de estreia. Com um ambiente  propício a uma  sonoridade mais tranquila e arrastada, o público que se reuniu em tom de curiosidade defronte ao palco ficou agradado com o que viu, deixando-se transportar pela música. Tudo isto culminou num espetáculo visual de headbang sincronizado  ao som dos acordes de “A Stygian Pyre”. Um concerto ao mais alto nível por parte de uma banda que fez jus às suas origens. 

Para agitar os ânimos e preparar para a descarga que viria a seguir, os Marginal entraram em palco a rasgar. Sempre com muito power e um toque de humor(repare-se na t-shirt do vocalista,dizendo “Death Metal” com um arco-íris) estes senhores deram o seu melhor, num concerto que primou pela entrega e feeling. O público, sedento de mosh e caos, respondeu da melhor forma - estava lançado o mote para o que se seguia.

Após um cancelamento quase de última hora na edição do ano passado, os Aborted regressaram finalmente ao nosso país, prontos a incendiar o palco. 
Com “Retrogore”na bagagem(o seu mais recente trabalho)mostraram-se bastante comunicativos e energéticos do início ao fim. Perante aquela que foi, muito provavelmente, a maior enchente do dia, os mestres belgas do death/grind levaram a plateia à loucura - stage dive e mosh foram uma constante. Houve ainda tempo para um incidente deveras caricato, quando uma fã decidiu que queria estar em palco a curtir junto da banda em vez de saltar de volta para a plateia, como muitos antes dela fizeram.Tendo sido convidada para saltar pelo segurança, com o qual se envolveu em ligeiros confrontos, causou uma onda de espanto e riso.

Por detrás de uma espessa cortina de fumo, os The Ruins Of Beverast foram a banda que se seguiu. Antecipando o lançamento de “Exuvia”, o seu mais recente trabalho, os alemães presentearam-nos com um som mais lento., falhando em convencer totalmente os poucos resistentes que não aproveitaram esta hora para uma pequena pausa. O som certamente não ajudou, considerando certos  momentos em que foi complicado discernir ao certo o que se estava a passar pelo meio de todos aqueles riffs embrulhados e arrastados. 

Para muitos, o momento mais aguardado desta primeira noite teve lugar quando Inquisition fizeram soar os primeiros acordes. Depois de “Bloodshed Across the Empyrean Altar Beyondthe Celestial Zenith”,um registo lançado no ano passado e aclamado tanto pela crítica como pelos fãs, a banda veio espalhar o seu encanto, nesta vigésima edição do festival,para delírio de muitos. Tecnicamente perfeitos, embora pouco comunicativos, o duo proporcionou-nos um autêntico ritual negro de musicalidade, que hipnotizou por completo o público presente, tendo-se manifestado em vários momentos de headbang em massa. No entanto, ocorreram algumas tentativas de começo de mosh que foram rapidamente abafadas, para bem do ambiente que se exige para apreciar devidamente uma banda desta dimensão. 

Aquando a tentativa de absorver a enormidade que foi o ritual negro de Inquisition, faziam-se soar os primeiros acordes de Antichrist no palco ao lado, trazendo-nos de volta para a realidade. Com um thrash de toques mais old school e muita irreverência em palco, os suecos conseguiram despertar a curiosidade de muitos, mostrando que se encontram em grande forma. Um concerto que foi de encontro às  expectativas de todos os fervorosos adeptos de thrash metal que ali se encontravam. 

Por fim, os Master fecharam a noite nos palcos principais com um concerto à boa maneira do death/ thrash. 
Com um concerto de uma qualidade inegável, foram revisitados temas de lançamentos mais antigos, diga-se clássicos, como “Master” ou “Judgment Of Will” sem esquecer alguns dos mais recentes, retirados de “Submerged in Sin”, o álbum lançado o ano passado. Deste lado, o público ignorou o cansaço e criou uma autentica batalha campal na plateia, , proporcionando outro ambiente ao concerto -um final perfeito para um primeiro dia em cheio.

Como vem sendo habitual nas edições anteriores, o palco SWR Arena de acesso grátis, que na noite anterior acolheu a final da W:O:A, serviu de montra a projectos musicais bastante ao longo do dia e pela noite dentro. . Este ano, a estreia do dia pertenceu aos Aneurose, um projecto brasileiro de thrash com uma sonoridade cativante para os amantes do estilo, seguidos dos seus compatriotas Chaos Synopsis, com um toque mais virado para o death metal, servindo de aquecimento para o que viria ao longo do final da tarde/noite. Mais ou menos à mesma hora em que Pillorian estava a tocar, os espanhois La Hija del Carroñero marcaram presença. 

A fechar a noite, os nacionais The Omnious Circle atraíram uma grande enchente de curiosos com o seu black/death metal e visual misterioso, os quais brindaram com um concerto altamente competente e com uns rasgos de brutalidade que comprovam a qualidade destes. Por fim, a aguardada estreia de Enlighten -  embora competentes, pecaram  pela hora tardia e falta de entusiastas a seguir, sendo que mereciam muito mais. 


Reportagem dos dias 2 e 3 aqui.

Texto e fotografias por Rita Limede
Agradecimentos: SWR Inc.