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Nargaroth presenteia-nos com esta obra-prima, com a qual podemos contar com uma imensidão de sentimentos, envoltos na melodia que deste álbum sai. Desde os primórdios desta one-man band, nos quais se notava ainda um cunho meio arranhado, semelhante àquele sentido nas bandas deste género. Nargaroth mostra-nos que à medida que o tempo passa, a qualidade consegue ser traçada e desenvolvida. Ash dá-nos esta prenda que os Deuses pensaram. Tal como Fernando Pessoa dizia - "Deus quer, o Homem sonha, a obra nasce" - Ash oferece-nos passagens melódicas que nos transportam para dimensões divinas. Se há provas que o Black Metal alemão é bom, está vivo e de boa saúde, Nargaroth é uma prova eterna disso.

Começando com "Dawn of Epiphany", na qual conseguimos ter um raio luminoso (ainda que breve) desta intervenção divina, dando provas duma aurora de epifania, revelando ao ouvinte que algo de muito bom está para vir. E que o ouvinte o comprove com a faixa seguinte. "Whither Goest Thou", um a música com cerca de 6 minutos, onde viajamos talvez no pensamento de Ash. "Conjuction Underneath the Alpha Wheel" mostra-nos uma grande influência do passado de Nargaroth, com sons rasgados e uma voz inigualável (quase como uma retrospetiva que Ash nos quer transmitir), com melodias não desconhecidas para os ouvintes da banda. O mesmo podemos testemunhar na faixa seguinte, onde Ash nos reforça a ideia de que "redefinição" não significa mudança, mas sim aperfeiçoamento.

Conseguimos testemunhar, só nas primeiras quatro músicas desta oferta dos Deuses, uma viagem cósmica nos sentimentos de Ash. "The Agony of a Dying Phoenix", a quinta faixa do álbum, parece ser tirada de um cenário apocalíptico no qual testemunhamos um solo - ainda que curto - brilhante e é impressionante como 7 minutos e meio passam a voar, como uma fénix. 7 minutos e meio que nos fazem transpirar de emoções e renascer das cinzas. "Epicedium to a Broken Dream" introduz-se de forma calma e vai abrindo caminho para riffs pesados e mais lentos. Ash quer-nos abrir o coração e mostrar-nos o lado penoso, quase que a transmitir-nos o luto prolongado da fénix. A ser verdade, são uns 5 minutos repletos de palpitações e calafrios pelo corpo abaixo. A sétima música, "Love is a Dog From Hell" dá-nos a conhecer um dos lados sombrios de Ash com a sonoridade crua do Black Metal dos anos 90. O que será que Ash quer dizer com "love is a dog from hell"? Na verdade, são 2 minutos de pura raiva. "Era of Threnody", a faixa que dá nome ao álbum, é uma epopeia de 9 minutos e meio na qual somos bombardeados pelo ritmo único, envolve-nos em momentos especiais. Pelo meio quase que nos imaginamos numa floresta acompanhados pela chuva e tempestade forte seguida de uma voz cristalina, como se estivéssemos a sair da tempestade e enfrentar um sol radiante por entre as nuvens ainda cinzentas. "TXFO", penúltima música do álbum, parece-nos dar vontade de prosseguir nesta viagem cósmica na Era de Nargaroth. Somos encorajados ao longo de quase 4 minutos a não desistir e eis que chegamos ao fim da viagem com "My Eternal Grief, Anguish Neverending", o tema que traça o fim do álbum e.. que viagem! A voz já cansada de Ash a revelar-nos um cansaço de tal mistura de sentimentos e histórias. Ainda assim, conseguimos sempre reparar no espírito guerreiro deste génio da música.

"Era of Threnody" é pouco para descrever esta viagem. Esperamos que as suas criações sejam iguais à angústia que nos transmite: intermináveis.

Nota: 9/10

Review por Carolina Lisboa Pereira