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"Unstoppable Power" é o título deste álbum de Condor, segundo full lenght de estúdio da banda norueguesa que, ainda que extremamente jovem, conta ainda com mais uma Demo, um EP e um Split, o que demonstra, para além de uma precoce proficiência musical dos seus elementos, o quão longe o nosso país está das culturas nórdicas no tocante à produção de álbuns de Metal. Mas deixemo-nos de reflexões sobre a cultura metaleira, vamos ao Thrash!

O álbum começa com “Embraced by the Evil”, que conta com uma pequena introdução falada, um pouco ao estilo do lado B do clássico “The Number of the Beast” (se não sabes do que estou a falar nem devias estar a ler isto), que rapidamente dá lugar aos riffs frenéticos e batidas de Thrash infindáveis, que nos vão acompanhar ao longo de todo este disco.

As composições deste trabalho parecem saídas diretamente de 1983, com as guitarras a variar entre uns leads intrincados, dignos de um Dave Mustaine, e algumas secções mais simples, com recurso a power chords e a trémulos. Fazendo uma breve pesquisa online pela banda, por várias vezes é caracterizada como Thrash\Black ou Blackened Thrash, talvez pela voz ser algo mais rasgada e menos cantada que no Thrash Clássico mas, aqui entre nós, isto é do Thrash mais puro e Old school que a contemporaneidade nos tem trazido.

Entrando na segunda metade deste trabalho somos premiados com o tema que empresta o nome ao álbum. Começando a todo o gás com um andamento de pedal duplo, dos mais marcantes de todo o disco, culmina num dos refrões mais memoráveis, que, repetindo-se duas vezes, se prolonga por quase dois minutos, até ao inevitável retorno ao riff inicial, acabando a música com todo o (Unstoppable) Power com que começou. A lírica desta faixa centra-se num mal invisível, devastador, iminente, que nos levará a uma perdição inevitável, e aproveita para deixar um presente aos mais atentos e fãs de thrash referido que “He is the angel of death”.

Imediatamente a seguir surge a música “83 Days of Radiaton”, com uma vibe “Judas Priest meets Thrash Metal”, sendo a faixa que nos transmite a sensação mais Old School. Oiçam aquele refrão…Tão bom que ainda haja bandas a fazer isto!

Devo também destacar um dos elementos, a meu ver, mais importantes para este disco soar tão bem, a sua produção/masterização. Este trabalho claramente não soa a álbum moderno, aliás, quando o ouvi pela primeira vez foi tive que confirmar se a data de lançamento estava certa, de tão anos 80 que isto soa, desde a voz, às cordas, mas principalmente a bateria. Além dela ser tocada com influências claras dos primeiros anos do Thrash (muitos fills, mudanças de dinâmica, acelerações e atrasos, o uso incessante dos timbalões e o mais tímido pedal duplo), de nada serviria se esta soasse demasiado comprimida, demasiado moderna. O som deste “Unstoppable Power” é, sem dúvida, dos elementos que mais destaca este excelente trabalho.

Para terminar o álbum da melhor forma, é “Horrifier” a última música que ouvimos do trio norueguês. A faixa é boa até cerca do minuto 3.30, bons riffs, boas dinâmicas mas, depois de uma curta pausa a criar suspense, é o caos total, a bateria acelera para o Thrash mais rápido do disco, as cordas repetem um riff anterior mas mais rápido, as acentuações tornam-se ainda mais poderosas, enfim, THRASH!

Nota: 8.6/10

Review por Jordi Lopes