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Os grandes nomes da música, aquelas bandas que, independentemente do estilo musical específico a que adiram, têm o poder de galvanizar multidões e fidelizar gerações parecem ser uma espécie em extinção. 

Lisboa tinha recebido há uns escassos dias um desses últimos grandes nomes, pelo comando de Axl Rose, e reuniu-se de novo nesta noite quente de segunda-feira, no Coliseu, para os Slayer. Praticamente dispensando apresentações como um dos Big Four da história do thrash metal, os Slayer voltaram, contudo, a surpreender e a reafirmar a sua posição.


Mas antes disso, a noite trouxe-nos outra surpresa na forma dos portugueses Rasgo. Possivelmente desconhecidos do grande público, os Rasgo preparam-se para lançar o álbum de estreia "Ecos da Selva Urbana!" no próximo mês de outubro. Contam na sua formação com antigos elementos dos Shadowsphere, Sacred Sin, Trinta & Um e um membro dos Tara Perdida.

Donos de um thrash metal poderoso e sempre cantado em português, o seu alinhamento de 30 minutos foi a abertura perfeita para esta noite, congregando e motivando o público já presente na sala. Provaram que serão um dos nomes do metal português a seguir, e têm por isso até já presença marcada no VOA Fest.

Após um intervalo para a habitual preparação, era agora tempo de aguardar pelos Slayer. Formados em 1981, são uma banda que vim a descobrir quando a sua carreira estava já perfeitamente consolidada. Recordo-me ainda de os ouvir, em casa de amigos após as aulas, e de achar que eram a banda mais impossivelmente pesada que alguma tinha existido.

Mas desengane-se quem pense que um concerto de Slayer em 2017 é uma mera réplica do que a banda alcançou há umas décadas. Não, os Slayer não são anjos caídos em desgraça nem um dos seus concertos um mero acto saudosista de uma geração agora já adulta; desajustado aos ouvidos de uma geração mais nova. 

Os Slayer mantêm-se de pleno direito como uma das bandas metal a seguir, não apenas pela sua carreira e influência mas também, e acima de tudo, porque são um exemplo. Na energia, solidez e qualidade irrepreensível dos seus registos em estúdio e ao vivo.

E é assim mesmo, ao vivo, que os Slayer silenciam os seus eventuais críticos. Na sua formação atual, podemos não conseguir contar com o falecido Jeff Hanneman, nem com o mítico Dave Lombardo, mas o espírito de Slayer nunca esmorece, tal como foi provado mais uma vez em Lisboa. Tom Araya dirigiu-se ao público pedindo compreensão pela sua voz não estar na melhor forma mas, quem o ouviu, nunca o adivinharia. Aguentou estável durante os 90 minutos da atuação da banda. Esta foi das poucas vezes que se dirigiu ao público mas, a verdade, é que a necessidade não estava lá. 

A música falou por si, mais alto, sem pausas, sem desculpas.

E o público, um mar de gente de todas as idades numa sala cheia, respondeu em uníssono. Músicas cantadas na íntegra, gritos de guerra e, claro, sem nunca faltar o mosh. Tal como os próprios Slayer, sem pausas. O alinhamento ajudou, tendo sido escolhido na perfeição. Do seu último trabalho tiraram apenas três músicas, com “Repentless” a abrir as hostilidades da noite, e o restante tempo foi um desfilar muito bem equilibrado dos seus maiores êxitos. Não faltaram, para imensa alegria do público presente, os clássicos “Seasons in the Abyss”, “South of Heaven”, “Raining Blood” e “Angel of Death”, já na segunda parte do concerto.

Irrepreensível banda num momento memorável. Quantas bandas contemporâneas, podemos apostar que terão este impacto daqui por mais duas décadas?


Texto por Mariana Crespo e João Moura
Fotografias por João Moura
Agradecimentos: Prime Artists & PEV Entertainment