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O palco estava montado, complementado com um recinto e pré-recinto cheios de fãs de música extrema sedentos pelo início das hostilidades naquele que é um dos maiores festivais de música extrema em Portugal. 

Este ano voltou a ver Vagos trajado de preto, sendo que, mesmo antes de se ouvir a primeira batida do soundcheck, a mais recente edição do Vagos Metal Fest aparentava ser uma clara melhoria em relação ao passado ano de 2016.

Vindos de Coimbra, começaram a rugir as guitarras de Tales For The Unspoken às horas indicadas. O público foi brindado com uma setlist que englobou todo o historial da banda, não faltando os clássicos Say My Name e N’Takuba Wena, tema com que encerraram uma performance enérgica que fez juz à sua posição enquanto tiro de partida do Vagos Metal Fest.

Seguiram-se os alemães And Then She Came, cujo rock moderno não aparentou ser do agrado da maioria. Em termos de presença em palco é notório que ainda existem certas questões a serem afinadas nesta reincarnação de Krypteria, visto que, apesar de já terem trabalhado com grandes editoras de metal e de terem alguns anos de estrada enquanto músicos, notava-se numa certa falta de à-vontade, traduzida uma postura de palco algo genérica e robotizada. Musicalmente competentes, apresentaram um rol de composições quase equitativamente divididas entre o genérico e o original, havendo alguns pontos musicalmente fortes nesta sessão de reprodução algo morna do seu álbum de estreia. No entanto, não foi o suficiente para quebrar o ritmo, à medida que o público aguardava mais uma exibição de artistas portugueses, os Revolution Within.

Estes tomaram o palco de assalto com a intensidade esmagadora do costume, dando um valente estalo na cara aos que se sentiram ligeiramente aborrecidos pelo concerto anterior. Vindos do Porto, demonstraram mais uma vez que palcos grandes para eles não são problema. Um concerto digno, onde demonstraram a sua qualidade enquanto banda, contando com a participação de Marco Fresco de Tales For The Unspoken no penúltimo tema. Convém referir que, com este concerto, os Revolution Within estão de parabéns por serem a primeira banda a conseguir actuar nos três maiores festivais de metal do nosso país, complementando esta estrela no seu currículo com actuações prévias no Vagos Open Air (actual VOA Fest) e no SWR. 

Os irlandeses Gama Bomb entraram a seguir com o seu thrash metal old-school. Apesar de serem conhecidos como uma que acrescenta pouco ou nada ao género ou à música geral visto que cai em todos os clichés conhecidos, revelaram ser maioritariamente competentes na sua prestação ao vivo, além de divertidos, com a performance vocal repetitiva e monocórdica de Philly Byrne servindo como contra-peso para a sua presença em palco, tendo inclusive optado por iniciar o concerto com mais uma das suas hilariantes escolhas de vestuário. Dito isto, foi um concerto quase especificamente direcionado para fãs do género e da banda em si, que por sua vez fizeram sentir a sua presença e demonstraram o seu agrado sem reservas.

Rhapsody deram, muito resumidamente, um espectáculo sem paralelo, provando que são de facto alguns dos melhores músicos da cena metal. Sem falhas, com um som excelente, este concerto foi quase melhor do que os seus registos de estúdio, devido à execução brilhante e carregada de emoção. A prestação vocal de Fabio Lione é inigualável, e foi sem dúvida um dos pontos altos do festival inteiro, culminando na épica Lamento Eroico, onde decerto só os desprovidos de alma ficaram indiferentes. Acrescentando tudo isto à enorme cortesia de falarem com o público exclusivamente em português, a banda italiana deu-nos o primeiro momento verdadeiramente épico deste Vagos Metal Fest 2017.

Seguidamente, mais uma surpresa positiva: a redenção dos Arch Enemy. No ano de 2012 esta banda, ainda com Angela Gossow nos vocais, deu um concerto que deixou algo a desejar, devido a problemas fora do seu controlo, sendo que o baterista tinha deslocado um pulso. Apesar de terem dado o seu melhor, a banda claramente não estava “na zona”, resultando num concerto que, apesar de muito bom, ficou aquém das expectativas. Cinco anos depois, Arch Enemy, agora encabeçados por Alissa White-Gluz e com o lendário Jeff Loomis na guitarra, conseguiram rebentar com as expectativas de todos, com uma entrega explosiva e uma execução desprovida de erros de qualquer natureza, bem como um som ao vivo espectacularmente nítido onde após ligeiras afinações ocorridas nas primeiras três músicas, a qualidade do mesmo revelou-se excelente. A banda demonstrou um grande nível de química – notória apesar da falta de funcionamento dos ecrãs gigantes, por razões desconhecidas - , sendo que os membros novos parecem estar consideravelmente integrados no contexto da banda, e a presença de palco de Alissa White-Gluz sofreu um claro upgrade desde os tempos em que dava voz aos The Agonist. 

Os finlandeses Wintersun tiveram a má-sorte de entrar a seguir a dois espectáculos grandiosos, e apesar de alguns problemas técnicos que culminaram na saída temporária de um dos guitarristas, e de ser notório que a banda não tem tanta experiência em actuações ao vivo enquanto unidade coesa em relação às bandas que os precederam, não se pode dizer que Wintersun tenham ficado muito atrás de ambos os espectáculos anteriores. Para delícia dos fãs, não se limitaram ao seu último lançamento, celebrando a sua primeira passagem por Portugal com temas dos seus três álbuns, tendo culminado numa rendição espectacular do tema Time, do seu magnum opus Time I. Mais um concerto absolutamente brilhante que manteve os ânimos - à semelhança das expectativas – em alta.

Therion foram musicalmente excelentes, tendo reproduzido as músicas com rigor, enfeitadas pela sua presença de palco característica. Com a promessa de voltarem em breve, a banda sueca decerto ganhou alguns novos fãs com a sua performance, onde percorreu vários temas da sua discografia respeitavelmente extensa.

Finalizando este grande primeiro dia do Vagos Metal Fest, Grunt trouxeram um misto de sonoridade agressiva com espectáculo de palco a condizer, como não podia faltar. Nudez parcial culminada com grindcore foi a ordem de despedida do primeiro dia do festival.

Em geral, foi um começo brilhante para um festival que aparentava ter tudo para ser altamente memorável. Juntando isto a várias melhorias em termos de opções alimentares, merchandise, cumprimento e horários e etc., a organização está, sem dúvida, de parabéns. 

(ver mais fotografias do dia 1 e ambiente)

Texto por Ricardo Pereira
Fotografias por Hugo Rebelo
Agradecimentos: Amazing Events