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Enfim, tínhamos chegado ao clímax desta celebração anual da música extrema em Portugal. O último dia do VMF declarava-se igualmente promissor. 

O pó do dia anterior ainda mal tinha assentado e já haviam todas as garantias de que iria levantar de novo, à medida que o público dava à edição de 2017 do VMF a despedida épica que merece, em tom de agradecimento pelo esforço e dedicação da sua equipa. Por volta das 16:00h ecoavam os primeiros acordes de Reaktion. Os thrashers espanhóis começaram o terceiro dia do festival com um concerto bastante sólido. Apesar da sua sonoridade algo conservadora, conseguiram conquistar as atenções do público com uma boa performance, e demonstraram ser uma das bandas que de facto tem algo a entregar no mar infindável de bandas de thrash revivalista.

Ainda na onda de metal mais oldschool, os portugueses Attick Demons assaltaram o palco com o seu heavy metal muito ao estilo de bandas como Judas Priest e Iron Maiden. Considerados por muitos como uma das duas mais altas representações de bandas do género em Portugal, ao lado de Tarantula, demonstraram-se dignos desse título com um concerto francamente bom.

A legião de bandas nacionais prosseguiu a marcha sob a forma do rock n’ roll de Miss Lava. Mais focados em temas o seu último álbum “Sonic Debris”, bem como do seu mais recente EP, não deixaram de fora algumas sonoridades mais antigas como Ride, apesar do som ligeiramente abafado.

Os americanos Chelsea Grin, apesar de claramente terem agradado alguns fãs da banda, deram um concerto recheado de bass drops exageradamente intensos que só pioravam uma qualidade de som que por si já era má. Dentro do que se pode perceber da sua performance, a banda teve uma prestação maioritariamente competente, quase totalmente eclipsada pela escolha de uma setlist algo genérica e pela má qualidade de som acima mencionada, inadmissível para uma banda daquele calibre. Dificilmente terão feito novos fãs neste concerto.

VOA ou VMF, em Vagos sempre estivemos habituados a um número relativamente alto de bandas de thrash em cada edição. Apesar de ser complicado para quem não gosta, a verdade é que fazem o agrado dos convivas, visto ser um estilo de metal bastante popular. No entanto, por vezes é complicado encontrar uma banda que se destaque, e foi em Havok que tal aconteceu. Apesar da postura de palco algo genérica, bem como certas partes do instrumental, a prestação da banda em geral foi claramente coincidente com uma banda que possui algum grau de identidade própria. Globalmente a banda estava coesa, espancando os ouvidos do público com temas do seu último álbum, Conformicide, bem como alguns temas de lançamentos anteriores. 

O concerto de Whitechapel pode facilmente ser definido como absolutamente demolidor. Tecnicamente irrepreensíveis, com óptimo som ao vivo e uma presença poderosa – ainda que algo “a despachar” – fizeram deste um dos melhores momentos do festival inteiro. Temas como “Elitist Ones”, “Mark Of The Blade”, “Possibilities Of An Impossible Existance” foram disparados um atrás do outro num concerto que, infelizmente, soube a pouco. Apesar da banda ter cortado o seu set em meia hora, foi uma hora espectacular recheada de música agressiva incrivelmente bem tocada, ficando no ar a promessa de voltarem em breve. Foram encerradas as hostilidades com a brilhante “This Is Exile”, após a qual deixaram um público impressionado e a gritar por mais.

Após Whitechapel, as expectativas estavam altas e Hammerfall conseguiram, surpreendentemente, atingi-las sem grande esforço. Uma máquina bem oleada, deram um espectáculo recheado de boa disposição onde era notório que a banda ainda se diverte a fazer o que faz. Um concerto sem erros onde imperaram temas altamente “orelhudos” como “Hearts On Fire”, “Any Means Necessary”, e “Hammer High”. 

Os canadenses Gorguts entraram de seguida, destrocando riff após riff que tiveram tanto de técnico como de agressivo. Um espectáculo mais natural e menos “calculado” do que os anteriores, que transformou o recinto do VMF num concerto mais intimista, a banda primou pela competência técnica, sendo a primeira banda desde Implore a satisfazer aqueles que têm preferência por uma sonoridade mais orientada para o death metal.

Ainda dentro da mentalidade de concerto mais natural, o grito de despedida do festival tomou a forma dos riffs arrastados e carregados de fuzz dos Cough. Gritos de desespero ecoaram por entre distorção, com sintetizador e mesa de efeitos a acrescentar a toda a estranheza característica da banda. De longe uma das bandas mais experimentais que actuaram no festival inteiro, com uma postura altamente irreverente, complementada com imagens de filmes de terror antigos a passar nos ecrãs gigantes. Diferente, inovador, pesado e underground, assim terminou o Vagos Metal Fest.

Há pouco mais a dizer que já não tenha sido dito: a subida de qualidade em relação ao ano passado foi incrivelmente notória, sendo que a edição de 2017 do festival foi, em termos gerais, um grande sucesso. Já foi anunciada a próxima edição, com quatro dias de festival e dois palcos. Meus amigos, vemo-nos para o ano – já mal posso esperar.

(ver mais fotografias do dia 3 e ambiente)

Texto por Ricardo Pereira
Fotografias por Hugo Rebelo
Agradecimentos: Amazing Events