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Night Viper é uma banda sueca de thrashy heavy metal que está prestes a lançar o seu 2.º trabalho “Exterminator” pela Listenable Records. A banda está prestes a embarcar numa tournée europeia e a Sofie-Lee e o Tom contaram-nos tudo... 


M.I. – Como surgiu o nome Night Viper?

Sofie Lee: Foi ideia do Tom. Ele teve imensas ideias mas eram todas tipo "The flick of the lions mane" ou algo semelhante e eu fiquei um pouco assustada, haha ​​...! Escolhemos entre Night Viper e Night Screamer. Mas Night Viper soa melhor, e também é mais fácil para fazer gráficos, hehe.

Tom: Reparei que é muito fixe gritar 'NIGHT VIPER!!!!' com toda a força e isso é um bónus para uma banda de metal. 


M.I. – Como definirias o som de Night Viper?

Sofie Lee: Com garra, carnudo mas detalhado e com muita alma e velocidade!

Tom: Thrashy heavy metal capaz de ser dançado!


M.I. – A banda lançou o 1.º álbum “Night viper” na Svart Records mas o 2.º “Exterminator” será lançado pela Listenable Records. Porque mudaram?

Sofie Lee: A Listenable já tinha mostrado interesse em nós, mesmo antes do primeiro álbum, e como o acordo com o Svart era de um álbum, pareceu-nos natural aproveitar a oportunidade e realmente ver o quão longe podemos levar a banda. Svart faz lançamentos lindos e é óptimo por seu verdadeiro amor pela música, mas precisamos de uma editora com mais poder.


M.I. – Como surgiu o contrato com a Listenable? O que esperam dele?

Sofie Lee: Como mencionei anteriormente, eles entraram em contacto connosco antes mesmo de lançarmos nosso primeiro álbum, portanto o contacto vem daí. Até agora, têm correspondido às nossas expectativas, também com muita ajuda do nosso management Holy Cuervo. Estamos a receber muito mais atenção da imprensa e sentimos que a Listenable está realmente entusiasmada connosco e a dar-nos um empurrãozinho.


M.I. – Porquê o título “Exterminator”?

Sofie Lee: Fiquei tão feliz depois de terminar todas as letras e títulos de músicas e depois percebi, sim, precisamos de um título de álbum ... Hahaha, foi tão fácil com o primeiro álbum. "Night Viper - Night Viper" ok, terminou. Estávamos a pensar nisso há bastante tempo, e não decidimos nada até vermos a capa acabada. Eu primeiro achei que a palavra "Exterminator" seria muito difícil e machista. Mas, juntamente com o trabalho artístico, fica quase misteriosa e sofisticada! O título é tirado da faixa "Exterminator", que fala sobre ser mulher na indústria da música. Não, na verdade, é mais sobre ser uma mulher entre os homens, na indústria da música.


M.I. – O que inspira as letras?

Sofie Lee: A própria música. Eu começo a trabalhar com letras, e depois a melodia vocal, e só depois é que a música é mais ou menos terminada. Eu sempre decido sobre o que escrever tendo em conta o que a canção me dá. Talvez seja pretensioso, mas é uma maneira de trabalhar muito relaxada. Então, o sentimento que a música me transmite, é sobre isso que eu escrevo. Mas, como sou uma anticapitalista e feminista irritada, os sentimentos provocados são geralmente os assuntos mencionados hahaha.


M.I. – Qual a melhor faixa “Exterminator”?

Sofie Lee: A minha favorita é 'Lady Bad Luck'. É proto-speed metal com uma pitada de NWOBHM, bastante melancólico e muito melódico. A música é sobre ter azar e aceitar esse facto, abraçar as suas emoções em vez de as menosprezar. Eu acho que a auto-aceitação é, na verdade, um tema lírico geral.

Tom: É difícil. Eu tenho muitas favoritas. 'No Escape' é a primeira faixa e é frenética, tal como eu esperava; 'Exterminator' tem essa mistura de um riff super ocupado e uma simples batida AC / DC que eu amo tanto, e 'Ashes' tem realmente boas mudanças de ritmo e tempo.


M.I. – Podes fazer um breve resumo de cada tema?

Sofie Lee: No Escape: as influências para a introdução são uma mistura entre as bandas sonoras de Batman de Hans Zimmer e a faixa de abertura de AC / DC em Donnington em 1991. Eu realmente adoro a vibração assustadora. O Tom e o nosso produtor Ola terminaram isso no estúdio e a banda só ouviu o resultado depois de voltar para casa. A música é sobre ser atormentado pela própria mente. O pequeno coro de apoio é o cérebro a fazer-te saber que não podes escapar.

Summon the Dead: esta é a primeira música que fizemos após o primeiro álbum. Eu acho que isso a tornou mais thrashier. Tom não tinha certeza de que isso seria bom para nós mas adorámos tocá-la e mantivemo-la assim. Foi o nosso primeiro single, o nosso primeiro trabalho com Ola no estúdio Holy Cuervo. Quando o regravamos para o álbum, para obter o mesmo som para todas as músicas, percebi com grande aborrecimento que o tempo tinha subido. Haha!
Never Win: adoro esta música porque é tão optimista – apesar de o título não o demonstrar. Mas trata-se de superar obstáculos de vida, acreditar em si mesmo e aceitar suas fraquezas e momentos difíceis na vida como parte de si. A introdução desta música tem um sentimento de "cowboy solitário". E depois da introdução é apenas um caos de rock.
Exterminator: surpreendentemente, adoro esta música, apesar do som musculado e grosso do riffing que eu geralmente não aprecio. A bateria de Jonna nesta faixa está assassina - dá muito sabor e flare à secção de riff mencionada anteriormente. Estou feliz com as vozes, a música é tão crítica, mas os vocais são muito sonoros. A música é sobre ser reduzida a um objecto / mulher como músico, por homens, quando se tem destaque na indústria da música.
On the Run: O título para esta música era "Arena rock", por realmente ter  esse sentimento de ataque de punho, hip swinging mid tempo. Não é uma típica música Night Viper, mas encaixa muito bem com as outras músicas do álbum. Adoro o alívio após o pré-coro, é muito diferente do que estamos habituados, mas é muito bom mudar! É uma óptima maneira de terminar um A-side, se você me perguntar!
Ashes: Outra canção não típica de Night Viper - mas adoramo-la. Eu disse a Tom que queria fazer uma música soul / death metal e ele disse “pronto, aqui está". Eu realmente acho que Ola esmagou neste tema. O som da guitarra é realmente agressivo, mas ainda muito claro. Adoro o som dos címbalos e do sino que Jonna adicionou – toco bateria no ar sempre que tocamos este tema! As letras são sobre seus próprios veredictos sociais ao ter um aborto, e recusar o julgamento sobre isso.
Going down: fizemos uma música punk! Fiel à forma musical, é sobre Donald Trump e seus eleitores. É o grito de Tom em segundo plano e nós fomos surpreendidos quando o ouvimos, já que ele e o Ola terminaram-no em estúdio depois da restante banda deixar Madrid. Simplesmente adoro este tema!
Lady Bad Luck: Como eu disse anteriormente, adoro esta música. Ruben escreveu-a, chamo-lhe "a música Dio" porque, ao trabalhar com ele, pensei que a melodia vocal tivesse um pouco de semelhança a Dio, o que pode não ser audível para mais ninguém, já que eu tenho uma maneira bastante bizarra de usar referências, também o título é uma pequena piscadela o Rainbow. A secção intermédia, "a parte de doom" como lhe chamamos, foi adicionada depois da música estar terminada, e eu tive dificuldade em encontrar uma maneira de cantar sobre ela. Ruben disse o tempo todo "não forces, talvez possamos deixá-lo instrumental", mas eu recusei e acho que acabou muito bem no final!
Revenge: Esta é uma música antiga que Tom desejava fazer com Night Viper desde que começámos a tocar juntos. O ritmo dificultou a minha fluidez para cantar, e o Tom teve que escrever todas as letras e enviar-me uma demo a mostrar como fazer com a voz. Musicalmente, acho que é fixe e adoro a bateria da Jonna na introdução e as guitarras!
All That Remains: outra música que o Ruben escreveu. Eu acho que contém tudo o que eu amo – disco beat, bom gosto e letras feministas super encorajadoras. Eu estava muito insegura com as vozes ao início, mas agora adoro cantá-la. E o solo de guitarra de Johan - HELLO. Ele ficou com febre durante as gravações e quando entrei no estúdio e o ouvi a tocar, fiquei completamente deslumbrada, não consegui detectar falta de energia ...! As letras são sobre mulheres que se juntam para derrubar o patriarcado, sem se comprometerem, cuidarem umas das outras, encorajarem-se e divertirem-se!


M.I. – Já há um video… qual a reacção dos fãs? 

Sofie Lee: As reacções foram excelentes! É a nossa amiga Lalla que faz o papel de caçadora / caçada e ela realmente fez um trabalho incrível. Duro, fixe e cheio de emoções.

Tom: O Magnus de Horisont disse-me: 'Tom, eu geralmente não aguento vídeos de música hoje em dia, mas eu consegui ver o teu todo e adorei'. Esse é um bom sinal, penso!


M.I. - O Tom Sutton é obcecado com os Metallica mas a Sofie-Lee não os suporta. Como conjugam os gostos musicais de todos os membros da banda?

Sofie Lee: Geralmente não é um problema para a criação de música, mas os passeios de carro podem ser um pouco incómodos de vez em quando, hahaha! O problema é que eu realmente não gosto de nada. O Ruben provoca-me sempre e diz "De quantas bandas você gostas, 10?", e não está longe da realidade...

Tom: Haha! Pode ser ofensivo que ela odeie a minha banda favorita, mas estou tão acostumado a ler todos os comentários "inteligentes" de todos sobre eles online, que agora estou dessensibilizado. Haha! Ela também não gosta de Megadeth, então não é pessoal!


M.I. - Musicalmente falando, quais as bandas / músicos que vos inspiram pessoalmente e como músicos?

Sofie Lee: Jinx Dawson é a minha maior inspiração como vocalista. A sua técnica é tão atraente para mim e eu tentei copiá-la. Eu ouço metal, é claro, mas isso realmente não influencia o meu canto. Todas as melodias vocais são bastante bluesy e/ou pop, pois ouço muito o pop rock dos anos 60-70.

Tom: E acho que é parte da razão do nosso som ser tão único. A abordagem de Sofie Lee é realmente blues ou soul. Eu adoro isso. Todos nós ouvimos um monte de coisas, mas as influências directas mais óbvias sobre o modo como escrevo para Night Viper são os Metallica, Sepultura, Entombed, e Motörhead quando soavam mais metal.


M.I. - Considerando que o assédio tem sido um tema em discussão nos dias de hoje com o escândalo do Harvey Weinstein e músicos dizendo que situações semelhantes aconteceram com eles ... algum membro da Night Viper enfrentou algum tipo de assédio? Como reagiu?

Sofie Lee: Nada sério, além do habitual que se sofre por ser mulher. Já fui assediada por engenheiros de som, managers de tournées de bandas, bem como pessoas da multidão sendo sexualmente ofensivas. E pensar que o mesmo não acontece aos homens é absurdo. Há muito aquela atitude de "felizmente, nada de grave aconteceu" e que se fica grato por não ter sido atacado.

Tom: Às vezes, há pessoal que diz: "A Jonna é a melhor baterista feminina que já vi!" Eles, naturalmente, acham que isso é um elogio, e eu entendo que eles pensem assim, mas estamos ansiosos para que as pessoas possam simplesmente dizer: 'Jonna é uma baterista espectacular!' e fiquem por aí. 


M.I. - Quão complicada é ser mulher numa cena ainda dominada por homens? Sentes-te intimidada de alguma forma? As mulheres são tratadas de forma igual?

Sofie Lee: Bem, eu diria que as mulheres não são realmente tratadas de forma igual em nenhum lugar do mundo. Basta dar uma olhada em qualquer secção de comentários de grandes fóruns de metal e pode, literalmente, cheirar-se a misoginia através do ecrã. Eu "amo" como os homens aproveitam a oportunidade para me insultar ao darem, de acordo com eles, sugestões muito valiosas, mas tenho a certeza de que nunca teriam feito o mesmo se eu fosse homem. Não dizem "és má cantora" mas dizem "poderias ser uma grande cantora, se seguisses o meu conselho (não solicitado)". Às vezes, nos locais dos concertos o sexismo anda no ar. Pode ser bastante desconfortável e, às vezes, eu gostaria de ser invisível (e de preferência surda também). Mas quando estamos no palco, nunca sinto nada, porque a união da banda é muito forte.


M.I. – A banda já tem concertos marcados e os Indian Nightmare serão a banda de abertura. Estão entusiasmados?

Sofie Lee: Estamos tão entusiasmados que estamos sem palavras! Não posso esperar para levar este álbum para a estrada! E tocar com os Indian Nightmare é sempre muito bom. Eles são uma banda tão impressionante e também as melhores pessoas que existem. Nós adoramo-los e mal podemos esperar pela tournée!

Tom: Sim! Indian Nightmare é uma das bandas ao vivo mais instantaneamente adoráveis ​​que já vi. Se tiveres oportunidade, deves ir vê-los, porque vais adorar. E, como disse a Sofie Lee, estou a morrer de vontade de levar as novas músicas para a estrada. Eu adoro este álbum, e é excitante finalmente estar nesta fase.


M.I. - Li que querias andar em tournée eternamente! Porque é tão bom andar em tournée?

Sofie Lee: Quando tocas ao vivo é quando, realmente, vês a tua música a ganhar vida. Eu pessoalmente não sou a maior fã de tournées porque são constrangedoras para a voz, mas tocar ao vivo todos os dias é um sentimento tão grande. Além disso, não há melhor companhia para tournées do que estas pessoas. Estamos a passar um óptimo momento.

Tom: Sim, todos nos amamos muito, e esse é um factor importante. Divertimo-nos juntos, e sabemos como nos apoiar uns aos outros nos momentos difíceis também. Isso faz com que seja um prazer estarmos juntos. Tocar ao vivo é a minha coisa favorita no mundo inteiro, e adoro ver coisas novas todos os dias. Um dia em tournée é como uma semana de vida normal, pois é quando sinto que estou a viver a vida que deveria estar a viver.


M.I. - Mesmo que Night Viper exista há pouco tempo, qual a melhor memória até ao momento? E a pior?

Sofie Lee: Nós tocámos num salão cheio no Hell Over Hammaburg nesta Primavera e foi realmente incrível. Não somos uma grande banda e as pessoas ficaram loucas. Esse foi realmente um momento mágico para nós. Nós fizemos um show na Sardenha neste Verão, ao ar livre na praia. Ficamos completamente chocados com a óptima resposta da audiência, que era mais do estilo stoner. Após o concerto, corri para o mar e fiquei lá a flutuar e a observar a Via Láctea, enquanto ouvia a festa ao longe. Esses são os melhores até agora ... O pior ... Nesta viagem à Sardenha, Jonna teve uma intoxicação alimentar e estava muito cansada enquanto dirigíamos pelas estradas mais íngremes e ventosas, ela estava a vomitar pela janela. Na nossa primeira tournée, tocamos num hospital antigo, que tinha apenas uma torneira com água corrente em todo o edifício e tínhamos de despejar baldes de água nas sanitas. Parecia o cenário de um filme assustador... toda a vibração do hospital e o facto de nos perdermos muito facilmente lá dentro. Estava muito frio e a audiência não foi a melhor. A maçaneta da porta da área onde dormimos era um garfo e nosso motorista esmagou um rato enquanto dormia.


M.I. – Os membros de Night Viper estão/estiveram envolvidos em outros projectos?

Sofie Lee: O Tom tem andado um pouco por todo o lado. Ele tem outra banda chamada The Order of Israfel, que é puro doom, onde canta e toca guitarra. Ele também estava no rock alternativo sueco Horisont, mas teve que deixar já que não tinha tempo para todas as suas bandas ... Quando ele morava no Japão, tocava nos Church of Misery e também nos Firebird. A última banda do Ruben é a minha favorita de todas! Ele tocava com Miasmal, Swordwielder e uma banda de thrash super fixe chamada Radiation. Jonna tocou bateria nos retro Stoners Mud  Walk antes de se juntar a nós e logo depois, tristemente, a banda dissolveu-se. E Johan saiu de Lethal Steel para tocar connosco.


M.I. – Qual a tua opinião sobre a cena metal hoje em dia? Na tua opinião, qual é a última grande banda de heavy metal?

Sofie Lee: Não tenho muita opinião quanto à cena. Eu raramente vou a concertos e sou muito esquisita no meu gosto musical, não ouço muitas bandas novas. Uma banda que eu adoro é Christian Mistress. A voz de Christine Davis é tão fixe e eu adoro o seu sentido melódico. Eu também amo The Oath, é uma pena que se tenham dissolvido. Tinham excelentes composições e produção, adoro o álbum.
Tom: Eu diria que Black Breath é uma das novas bandas que realmente curti. E aprecio bastante Myrkur. A última grande banda de metal?! Yikes ... Eu não sei. O que eu sei é que daqui a 10/20 anos, todos os deuses se irão, e será muito estranho estar sem eles.


M.I. - Há alguma grande música de heavy metal que os Night Viper gostariam de fazer uma cover? Em caso afirmativo, qual?

Nós já fizemos algumas covers, duas delas Judas Priest (Riding on the Wind e Hot Rockin ') e no lado B do single “Summon the Dead”, cobrimos a Nazareth's Expect no Mercy. Nós não temos nenhum plano de fazer mais covers neste momento - nós gostamos de tocar nossa própria música, e não queremos ficar cansados das nossas músicas favoritas tocando-as cada vez mais e mais :) Eu sei que o Tom tem uma música de Slayer de que quer fazer uma cover - vamos ver o que o futuro trará ...!


M.I. – Deixa uma mensagem aos leitores da Metal Imperium.

Sofie Lee: Obrigada por lerem a entrevista e espero ver-vos na estrada! Night Viper in the Night! 


For english version, click here

Entrevista por Sónia Fonseca