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Decorreu nos passados dias 2, 3 e 4 de Novembro a sexta edição do Infected Fest, uma organização do João Alves e da sua Infected Records e que, durante três dias, levou meio milhar de espectadores à sala do Popular Alvalade. A Metal Imperium não podia deixar de marcar presença num evento que vem marcando o calendário musical independente, em Lisboa, e conta-vos tudo o que se passou por lá.

Dia 1

A aposta da Infected Records para 2017 era, à partida, ambiciosa! Um evento com nove bandas, de estilos que variavam entre o rock e o punk, nomes consagrados do underground mas prestes a romper no mainstream, misturados com jovens promessas, duas bandas estrangeiras com pouca expressão em Portugal e um evento a começar a uma quinta-feira à noite. Sem deixar grandes spoilers, a verdade é que a aposta foi mais que ganha, e isso ficou desde cedo patente com a boa casa que o Popular Alvalade mostrava, no arranque do festival. O cabeça de cartaz era Sam Alone & The Gravediggers, o projecto menos underground de Poli Soares e aquele que mais tempo de antena tem garantido ao algarvio nas rádios de norte a sul, secundado pelos lisboetas Jackie D e o colectivo húngaro Dope Calypso. 
Foi exactamente pela banda magiar que arrancou o Infected Fest, com o garage rock dos rapazes de Bucareste, que com três álbuns, em três anos de existência, fazem do seu fast punk marca registada. Felizes por andarem numa mini-tour por Portugal, a banda fez questão de brindar os presentes com muito boa-onda, estilo de moda duvidoso e faixas bem rápidas, que deixaram a plateia a pedir por mais. A banda gosta de definir o seu som como se os Buzzcocks fizessem uma banda de tributo aos Pixies e esse som ficou bem perceptível em temas com títulos tão hilariantes como “Shark in the Sea of Love”, “Goodbye Monkey” ou “Jesus Loves You”. Faixas de dois minutos e pouco, tocadas a velocidade vertiginosa pelos dois guitarristas da banda (não há baixista nos Dope Calypso), que com o calor que se fazia sentir na sala iam perdendo a roupa pelo caminho! Um auspicioso começo de festa a que se seguiu a actuação dos Jackie D. 
Os lisboetas substituiram à última hora os franceses The Amsterdam Red-Light District, que tiveram de adiar va tour ibérica, e não deixaram os seus créditos por mãos alheias. A banda que reúne músicos de bandas tão díspares como Grankapo, Barafunda Total ou Custom Circus tem confirmado o seu estatuto de “next best thing” no panorama rock nacional, tendo dois discos de originais editados pela Infected Records, “Symphonies from the City” de 2014 e o recente “The J Spot”, editado em Janeiro último. Para a primeira noite do Infected Fest a banda dividiu a sua actuação entre as melhores faixas dos dois discos, com destaque para o já clássico “Rat Race” a anteceder uma tripla incursão pelo novo disco, com “Explode”, “My Fantasy” e especialmente ”Reach You”, a faixa que abre o disco e que foi a escolhida para encerrar o concerto, no Popular. Sem sombra de dúvida, um dos nomes mais fortes da edição deste ano, Sam Alone & The Gravediggers, trouxe a Alvalade duas mãos cheias de clássicos, da sua carreira de quase dez anos de gravações. 
Nas vésperas de lançar um disco de originais em nome próprio e inteiramente cantado em português, o rocker de Quarteira voltou a apostar na presença da Sara Badalo para ajudar nas vocalizações, dando um ar mais fresco a faixas como “Restless” ou o clássico “Tougher Than Leather”, tema título do seu trabalho de 2016. Antes, uma vénia a Frankie Chavez, com um tema intitulado simplesmente “Frankie”, e o encerramento com “Gardens of Death”, com o refrão cantado em uníssono pela plateia e uma especial dedicatória a Ivo Palitos, proprietário do Popular Alvalade, brindado com um medley de “Because The Night” de Patti Smith (e letra de Bruce Springsteen) pelo meio. A noite número um do Infected Fest estava terminada e quem ia saindo dava por muito bem empregue o tempo despendido.

Dia 2 


A noite de sexta-feira estava decididamente marcada pela presença dos cabeça-de-cartaz Trevo, a banda de Ivo Palitos, Gonçalo Bilé e Ricardo Pires, que faz do Popular Alvalade a sua casa. E a afluência que se registava, à hora de abertura de portas, mostrava já esse facto. 
Antes, porém era necessário verificar como iria reagir o público, a um cartaz que incluía o punk dos Artigo 21 e dos Pestox. Estes últimos abriram as hostilidades com um som que bebe a Ramones, Xutos & Pontapés ou Censurados. O público afluía já a bom ritmo e foi brindado com uma setlist extensa, que percorreu os clássicos da banda de Almada, entre versões de clássicos do punk rock com hilariantes letras em português e temas originais como “Puto Rebelde” ou “Bagaço”. Quem gosta de punk rock foi tomando conta da frente de palco, antecipando também a actuação seguinte, dos lisboetas Artigo 21. 
Banda de culto no underground nacional, e a preparar um segundo disco de originais, os Artigo 21 aproveitaram a oportunidade para estrear no Infected Fest dois novos temas, “Tanto Tempo” e “Só Mais Um Bocado”, a mostrar que o som da banda continua na mesma onda que o auto-intitulado trabalho de estreia. De resto, a excelente performance que sempre nos habituaram, com as guitarras de Hipólito e Xico sempre bem seguradas pela secção rítmica do baixista Áureo e do gigante Nica nas pelas. Que Tiago Cardoso é um dos vocalistas mais carismáticos do punk nacional não é novidade e mais uma vez não deixou os créditos por mãos alheias, sempre a comunicar com o público, que não se cansou de apoiar a banda, ora cantando faixas como “Ser Capaz”, “Utopia”, “Ódio Não É Amor” ou “Espera Por Mim”, ora envolvendo-se num mosh em frente do palco. Faltou no alinhamento o tradicional hino de tributo a João Ribas, “Sem Herói”, mas foi uma brilhante prestação do quinteto, que deixou bem suadas muitas t-shirts na plateia. Era então tempo de dar lugar à banda que a maioria dos presentes vinha para ver, os Trevo. 
A banda tem conseguido captar a atenção dos ouvidos da generalidade dos portugueses, que parece rendida ao Reggae Punk dos lisboetas, facto reconhecido com a inclusão de um tema da banda numa telenovela nacional. Com uma sala apinhada e delirante, foi um desfilar de temas cantados na íntegra e em uníssono por um público conhecedor e que a tempos conseguiu mesmo ofuscar a voz do Gonçalo Bilé, como nos casos de “Cheguei E Disse” ou “Feira da Ladra”, esta última a levar à histeria a plateia. A balada “Quero-te Mais Que Uma Semana” foi arrepiante, com todo o Popular a entoar na perfeição a letra e com a banda rendida ao exito das suas canções. “Face Meu Face Meu” fez a sala gingar e o segundo dia do Infected Fest terminou com sorrisos rasgados em quem quase esteve perto de esgotar a sala de Alvalade.

Dia 3

Se o dia anterior terminou com swing de anca e bater de pé ao ritmo dos Trevo, o dia de encerramento do Infected Fest seria, com certeza, muito mais tumultuoso. Bastava olhar para as três bandas agendadas para fechar o festival e perceber que ali estava o nome dos The Parkinsons. A banda que circula pelo eixo Coimbra-Londres, é famosa pelos seus concertos híper energéticos, aliando o rockabilly ao punk tradicional dos Sex Pistols, e a plateia do Popular Alvalade no sábado à noite poderia facilmente ser decalcada do Hope & Anchor de Camden, bar londrino onde a banda de Vitor Torpedo tocou em noites que se tornaram lendárias. A noite abriu com a prestação dos franceses Shut Up! Twist Again, que já tinham visitado Lisboa em Abril deste ano, num concerto no Stairway Club de Cascais integrado numa mini-tour ibérica. 
O quarteto de Bayonne dividiu a sua prestação pelos três discos de originais, com maior incidência em “Wild and Wicked (What We Worked For)” de 2015, disco que a banda tem divulgado um pouco por todo o mundo, do Brasil à China. A sala foi enchendo, ao ponto do vocalista da banda francesa ter iniciado o concerto a tocar a meio da sala do Popular Alvalade e a meio ter de regressar ao palco por falta de espaço na plateia. A banda seguinte gerava alguns pontos de interrogação e olhares desconfiados para quem estava na sala para ver os cabeças-de-cartaz. As Anarchicks são presença habitual nos palcos de Lisboa e arredores mas o seu material era garantidamente desconhecido por grande parte dos presentes. Nada que intimide o quarteto, que gerou enorme impacto e ganhou de certeza absoluta muitos mais fãs depois desta noite do Infected Fest. Depois de ter sido substituída em espectáculos recentes pela Mariana Rosa, Ana Moreira estava de volta à guitarra das riot grrrrls, juntando-se novamente às fundadoras do projecto Katari e Synthetique, e com a voz da Rita Sedas a criar o caos nas primeiras filas logo aos primeiros acordes de “Smelly Friends”. Longe vai o tempo do LP de estreia “Really?” de 2013, que hoje não ocupa lugar numa setlist que premeia o novíssimo EP “Vive La Ressonance”, e que é marcadamente mais punk. E que melhor maneira de mostrar essa “nova” atitude que transformar um clássico dos Sex Pistols em “Anar...Chicks in the UK”? Público rendido com mais outra versão, “Helter Skelter” dos The Beatles, incluída no novo EP, e faixas como “Black Box”, “My Way” ou o caótico “Imortais”, vocalizado a meias entre Rita e Katari, com esta última a deixar o kit de bateria para trás e transformar-se em “frontwoman from hell”!! Não podíamos ter pedido melhor aquecimento para o fecho do Infected Fest, a cargo dos The Parkinsons!. E a banda liderada por Afonso Pinto entrou logo a matar, com “Primitive”, faixa que abre o seu LP “A Long Way To Nowhere”. 
Cada concerto dos The Parkinsons é abordado pela banda como se do último se tratasse. A energia que vem do palco é igualada pela que percorre a plateia, num corropio eléctrico que vai do primeiro acorde ao último, deixando público e músicos literalmente esgotados. Minuto após minuto, desfilaram clássicos no palco de Alvalade, com uma multidão compacta junto da banda e que esbate a distância entre estrelato e anonimato. “Streets of London”, “Good Reality” ou “Bad Girls” não podiam faltar, assim como uma fenomenal interpretação de “New Wave”. Afonso estava de tronco nu e é carregado em ombros pela sala, qual gladiador romano que acaba de garantir a sua liberdade na arena. “So Lonely” encerra a setlist de um concerto que durante muito tempo figurará na mente de quem assistiu mas o público quer mais e regressa “New Wave” para um último gastar de energia. O Infected Fest 2017 está encerrado e deixa saudades. Ainda bem que já há datas para 2018: 2 e 3 de Novembro. Marquem nas agendas! 


Reportagem por Vasco Rodrigues
Agradecimentos: Infected Records