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Mais de uma década depois, Portugal recebe novamente uma das bandas de Death Metal mais originais de sempre, os norte-americanos Nile. E enquanto muitos dos seus contemporâneos investiram em letras mais ou menos escatológicas e repletas de sangue e tripas, a banda da Carolina do Sul sempre preferiu as histórias sombrias do Antigo Egipto e suas interpretações por mestres do fantástico e do suspense, como HP Lovecraft.

“What Should Not Be Unearthed – Part III” é a designação da digressão da banda que a Notredame Productions traz ao nosso país para duas datas, no Hard Club no dia anterior e que hoje faz com que o RCA tenha alguma fila à porta logo desde cedo. O disco com a mesma designação da tour é já de 2015, mas os Nile andam à quase três anos pela estrada, em sucessivas ondas de promoção do seu som característico.

Soavam oito horas na vizinha Igreja de São João de Brito quando as luzes se apagaram e os italianos No More Fear pisaram o palco do RCA, decorado com dois grandes banners laterais sob o lema “The Italian Death Metal Family”. Com uma plateia já generosa, que apareceu cedo para marcar lugar o mais à frente possível, a banda de Pescara fez um compasso de espera enquanto o intro “Morte e Orazione” irrompia pelo PA, a lembrar os western spaghetti de Ennio Morricone, para atacar imediatamente “Mare Mortum”, tema que abre o novo disco de originais “Malamente”. Dificilmente alguém na plateia conhecia a fundo o reportório desta banda de death metal melódico, que ao vivo surge muito mais brutal que em disco, pois a falta dos arranjos e demais instrumentos mais folk são compensados por um constante guerrear de riffs melódicos. Isto apesar dos breaks entre as partes eléctricas e  acústicas ajudem a encher a sala do RCA de um ambiente semelhante a um ritual pagão.
Na sua estreia em Portugal, os italianos quiseram passar em revista a sua discografia, com algum ênfase em “Mad(e) In Italy”, de 2012. Das faixas mais bem recebidas, destacamos duas de 2012: “Don Gaetano”, com um arranque muito suave, melódico mas nada death metal, mas que vai ganhando peso com o passar do tempo, até explodir num break de bateria brutal, com os dois guitarristas em melodia em uníssono. O refrão chega a meio da faixa e faz relembrar paisagens mais góticas, para imediatamente baixar novamente o ritmo para um final da faixa quase a funcionar como outro. “Taranthell” faz a banda regressar ao death metal mais tradicional, com um riff hipnotizante e o vocalista Kemio a irromper em gritos lancinantes antes de reverter a um som bastante mais gutural e melódico, sem fazer desaparecer a percepção da letra, e sempre acompanhado por um trabalho de guitarras em desgarrada de riffs melódicos. A quantidade de aplausos na sala mostrou que a banda italiana saiu de Portugal com bastante mais fãs do que quando chegou a estas margens.

Quando os gregos Exarsis ocuparam o seu lugar no palco parecia que tínhamos regressado no tempo, aos tempos áureos do thrash metal norte-americano. Com um look que parecia retirado dos Anthrax dos anos 80, a grande promessa do thrash europeu arrancou com uma tripla retirada de “The Brutal State”, o disco de estreia de 2013: “Surveillance Society”, “Toxic Terror” e “Addicting Life Waste” mostram claramente as influências da banda, com grande semelhança a Vio-lence, Nuclear Assault ou Exodus, com o vocalista Nick a usar a sua voz estridente ao melhor estilo Overkill (da época do “Years of Decay”). A banda natural de Kiato pouco falou com a plateia, preferindo desferir golpe atrás de golpe com a rapidez de quem tinha algo muito importante para fazer. Com o disco mais recente, “New War Order” de 2017, a ocupar listas da revistas de referência, foi natural seguir-se uma tripla dele retirada, com “The Underground”, “Chaos Creation” e “General Guidance”, a anteceder o epílogo com mais uma incursão no disco de estreia, com o ultra-rápido ”Under Destruction”.

Uma rápida mudança de palco e sente-se pela sala a antecipação por receber, pela primeira vez em Portugal, os Terrorizer. Afinal não é todos os dias que temos perante nós realeza do Death Metal mundial!! Quase a fazer 50 anos, Pete Sandoval foi responsável pelo som de bateria que definiu um género, nomeadamente em “Altars of Madness”, o disco de estreia dos Morbid Angel em 1989.
Secundado pelo guitarrista Lee Harrison e o baixista/vocalista Sam Molina, os Terrorizer do século XXI são diferentes da banda que eram nos anos 80, mas nem por isso parece que o peso dos anos passou por eles. O arranque foi feito com “Need To Live”, faixa do disco de estreia da banda, “World Downfall”, de 1989, a mostrar aquilo que se iria verificar ao longo dos 60 minutos de actuação: um passar em revista da discografia da banda, com forte enfoque no disco de estreia. “State of Mind” e “Hordes of Zombies” seguem-se no alinhamento, duas piscadelas de olho ao disco de 2012, e que antecedem uma das grandes surpresas da noite: Os Terrorizer vão ter disco novo brevemente! Molina dixit, ao apresentar duas faixas inéditas, “Sharp Knives” e “Conflict”, que mostram um som cada vez mais próximo do grindcore e afastado do old school death metal. O público presente pareceu gostar e decidiu mexer-se pela primeira vez, com um mosh bastante activo na frente do palco. Um ou outro espectador mais afoito até decidiu subir ao palco e fazer stage diving!! “Crematorium” foi a única incursão da banda no disco “Darker Days Ahead” (2006), gravado ainda com Jesse Pintado, que viria a falecer cinco dias depois da sua edição. Daí até ao final, foi um desfilar de clássicos da estreia em 1989: “After World Obliteration”, “Injustice”, “Whirlwind Struggle”, “Dead Shall Rise” e a desbunda final com “World Downfall”. Um trio visivelmente desgastado fisicamente com a pujança da actuação desdobra-se em cumprimentos com a plateia, sendo possível notar vários bateristas de bandas do género da nossa praça visivelmente emocionados por cumprimentar o seu ídolo.

Tempo apenas para colocar um pano gigante com o logótipo dos Nile atrás do kit de bateria da banda de Greenville, afinar rapidamente guitarras e ensaiar microfones e tudo está pronto para receber a banda de Karl Sanders. Apesar de estarem a milhares de quilómetros de distância dos túmulos do Vale dos Faraós, os Nile representam em Death Metal melódico as mais interessantes, sombrias e fabulosas histórias do Antigo Egipto, com letras que versam da religião à mitologia, da arte aos costumes. Antes do concerto, e ao trocar alguma conversa com o loiro guitarrista fundador da banda, este confidenciou que a sua estadia, pela primeira vez, no Cairo no final do ano passado foi algo que o emocionou imenso, pois uma coisa é escrever sobre uma cultura ancestral durante 20 anos e outra coisa é estar lá a respirar o ar que passou pelos pulmões de faraós.

O concerto no RCA abriu com “Ramses Bringer of War”, faixa com duas décadas de vida, parte da segunda demo da banda em 1996. “Sacrifice Unto Sebek”, “The Black Flame” e “Smashing The Antiu” mostram uma banda perfeitamente coesa, com Karl a partilhar o microfone à vez com o baixista Brad Parris e o guitarrista Brian Kingsland, conferindo um som muito sui generis. Karl domina o som da banda ao seu belo prazer, ajudado pelas guitarras Dean feitas à sua medida, e cujas cordas parecem pegar fogo a cada riff arrebatador que delas arranca.

“Defiling the Gates of Ishtar” antecede a introdução de “Kafir!”, a que se segue “In The Name Of Amun”, um dos melhores e mais longos temas do novo disco. Karl agradece de coração a presença de todos, numa sala repleta, e enaltece os verdadeiros amantes do metal que saíram de casa para os vir ver ao vivo. Na nossa conversa à porta do RCA já Karl tinha confidenciado o que acabou por anunciar dentro da sala: vai haver novo disco! Ficou desde logo a vontade de regressar para o mostrar em Lisboa, com o convite a todos para que regressem para o ouvir.
O ritmo foi retomado com “The Fiends Who Come to Steal the Magick of the Deceased”, “The Howling of the Jinn”, “Kheftiu Asar Butchiu” e o imenso “Unas Slayer Of The Gods”.

Quase 90 minutos depois, “Sarcophagus” e “Black Seeds Of Vengeance” deram por terminada a prestação dos norte-americanos, com Karl a deixar que o público presente tocasse na sua bela guitarra negra, ajudando à cacofonia final.

Texto por Vasco Rodrigues & Filipe Rodrigues
Agradecimentos: Notredame Productions