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O quinto álbum dos Black Tusk chega quatro anos depois da morte do baixista e vocalista Jonathan Athon, em 2014. A banda conta desta vez com a presença de Chris Adams e Corey Barhorst, ex-membro dos Kylesa, a emprestar a sua voz e talento no baixo para nos trazer "TCBT". Ao contrário dos Kylesa e dos Baroness, de quem são conterrâneos, os Black Tusk mantêm um nível de intensidade e agressão semelhantes desde o início, e este álbum não é exceção.

A obra começa com a faixa "A Perfect View of Absolutely Nothing", uma introdução falada, com os 3 vocalistas da banda sobrepostos e desfasados, tornando por vezes difícil a sua compreensão se o ouvinte não estiver atento. Após este primeiro momento um pouco monótono, "Closed Eye" arranca de repente para o álbum propriamente dito, notando-se as influências de Hardcore bem à mostra no som da banda, em comparação com trabalhos anteriores. O microfone vai sendo partilhado entre três elementos do grupo, deixando o ouvinte sempre incerto do que esperar e prendendo a sua atenção à música que, por si só, raramente baixa de intensidade. É clara a emoção e energia que os Black Tusk canalizaram nesta obra, a banda carrega-nos pela duração do álbum quase sempre de prego a fundo, com pequenos intervalos entre algumas faixas para o ouvinte digerir a experiência, como a introdução de "Scalped", que é dos momentos mais fora da caixa.

A chegar à metade de "TCBT", encontramos alguns dos pontos mais altos. "Ghosts Roam" e "Ill at Ease" destacam-se pela sua intensidade num disco todo ele carregado de pujança, com a banda a despejar a sua raiva a todo o vapor, notando-se a veia Punk à mistura com o Sludge característico no som desta obra. A faixa de conclusão, "Burn the Stars", é outro momento de realce aqui, finalizando o álbum de forma bombástica. É difícil apontar grandes discrepâncias em termos de qualidade do trabalho apresentado, "TCBT" é consistente do início ao fim na sua sonoridade e congruente com o resto da obra dos Black Tusk. O álbum não tem uma produção muito refinada, mas funciona bem com o som apresentado, servindo para evidenciar a agressividade inerente à música.

Em conclusão, "TCBT" é um projeto que nada tem de ambicioso, sem intenções de reinventar ou quebrar o molde daquilo que a banda tem desenvolvido ao longo da carreira. No entanto, faz aquilo que pretende bastante bem, uns sólidos 40 minutos de música pesada carregada de raiva e vigor, sem rodeios ou papas na língua, uma descarga de adrenalina para o ouvinte.


Nota: 7.5/10

Review por João Castro