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Entrevista aos Strigoi


O que é que os Strigoi e os Paradise Lost têm em comum?! O incrível talento do poderoso Greg Mackintosh! Mesmo que ele toque guitarra nos Paradise Lost e lidere as vozes nos Strigoi, é impossível não ficar surpreendido com a sua criatividade e talento.
Os Strigoi estão prestes a lançar o segundo álbum “Viscera”, pela Season of Mist, e Chris Casket, o outro fundador da banda, teve uma conversa interessante com a Metal Imperium sobre isso. Leiam aqui!!

M.I. - Estás finalmente a relaxar dos festivais que tiveste este ano?


Sim, sim, finalmente! Foi um pouco agitado, mas correram muito, muito bem. Foi ótimo finalmente chegar lá e tocar estas músicas depois de todo este tempo, e sim, foram brilhantes, todos foram muito bons.


M.I. - Então vamos começar do início! Strigoi na mitologia romena são espíritos perturbados que se levantavam da sepultura. Essa também é a interpretação da banda? O que vos atraiu para este nome?

Na verdade, foi ideia do Greg. Tínhamos algumas ideias de potenciais nomes, mas este era o que parecia encaixar melhor. Embora haja essa interpretação, que é um pouco ambígua, encaixa-se no que queríamos fazer para que as pessoas se pudessem decidir sobre o que os Strigoi talvez signifiquem para eles nesse contexto. Mas certamente combina com alguns assuntos que acompanham as músicas que fazemos, por isso parecia ideal. Foi o nome que melhor se adequava ao tipo de coisa que estamos a tentar fazer.


M.I. – Em 2018, tu e o Greg começaram este projeto e tocavam noutras bandas. Vocês tinham ideias que não se encaixavam nessas bandas e precisavam de um novo projeto?

Do ponto de vista dos Vallenfyre, esse era um projeto do Greg e uma ideia dele. Ele sentiu que o tinha levado até onde queria. Sempre seriam três discos e era isso que ele queria fazer, mas, durante o meu tempo na banda, estávamos sempre a falar sobre outras bandas que gostávamos e bandas mais antigas ou talvez bandas mais obscuras e coisas diferentes e ambos queríamos uma saída para esse lado da música... Para o Greg, com os Paradise Lost tudo é... é quase lindo... as melodias estão todas lá, e ele precisa de ter algo como saída para tudo que não é “lindo” e acho que senti o mesmo porque preciso de ter algum tipo de produção artística. Eu faço as letras e o Greg faz a música e é assim que tem sido, e presumo que vai continuar, portanto encontramos este tipo de formato que funcionou para nós. Foi realmente daí que surgiu e não tinha a conotação pessoal que os Vallenfyre tinham para o Greg. Embora ainda existam elementos nas letras e nas músicas dos Strigoi em relação à perda pessoal que nós dois experimentamos, esse não é o principal catalisador da sua existência. Essa é talvez a diferença entre os dois projetos e também a razão pela qual quisemos continuar a fazer algo que fosse extremo nesse sentido.


M.I. – De que bandas extremas gostas?

É muito variado... cenas como Celtic Frost, Napalm Death, algumas das primeiras bandas de hardcore, como Amebix, ou os Negative Approach da América... é uma mistura de cenas diferentes. Foi o Greg quem me apresentou ao som dos Candlemass. Eu tinha visto a banda por aí como se vê em patches e coisas diferentes, mas nunca os tinha ouvido e... quero dizer, eles são extremos? Eu não diria que são extremos, mas é com a produção que estou simplesmente deslumbrado, e ainda estou a ouvir o catálogo dos Candlemas hoje em dia. Eu toquei noutra banda chamada Extreme Noise Terror, e sempre estive mais do lado punk das coisas. Os Vallenfyre tinham um baixista de uma banda doom, fiquei muito empolgado com isso porque sou fã de doom desde criança, e é mais esse lado das coisas no que diz respeito à música extrema para mim.


M.I. – “Viscera” é o novo álbum e o segundo álbum é sempre muito importante para fazer ou quebrar uma banda. Quão confiante estás com ele?

É difícil dizer... não é orgulho antes da queda o que dizem?! Estou imensamente confiante! Realmente gosto e, para mim, através da música que eu fiz, se é algo que eu gosto, então acho que o trabalho está meio feito, e o feedback que temos recebido... na verdade, o álbum está disponível para jornalistas e até para amigos meus que trabalham para diferentes editoras e eles ouviram, todos estão maravilhados, não tem sido o habitual " Ah, é muito bom”... eles apontam mesmo certas coisas de que realmente gostam no álbum! Estou imensamente confiante e é difícil estar assim quando se vive numa espécie de bolha durante dois anos com estas músicas e criá-las lentamente... quero dizer, esse foi talvez um dos pontos positivos, tivemos tempo porque não havia mais nada para fazer, a não ser pensar nas músicas e considerar o que estávamos a fazer. Portanto se as pessoas obtiverem uma percentagem do que eu obtenho com este álbum, acho que será um sucesso! Mal posso esperar para que o ouçam.


M.I. - Os dois singles disponíveis “Hollow” e “King of all Terror” têm ótimos comentários no YouTube. Não sei se os lês, mas parece que os fãs também estão realmente a adorar essas músicas, o que é ótimo para os Strigoi. Este álbum foi de alguma forma influenciado pelo covid?

Eu acho que seria impossível dizer que não foi, porque eu nunca passei por algo assim, e o Greg também não. Por isso, mesmo que seja inconscientemente, terá havido uma influência da solidão e dos confinamentos. Devo confessar que, inicialmente, do ponto de vista da escrita, foi difícil inspirar-me porque nada mudava, semana após semana, mas consegui encontrar o meu ritmo. Existem versões das músicas que acabaram no álbum que ficaram paradas durante um tempo para nós limparmos completamente a mente, porque simplesmente não estavam a funcionar, não eram apropriadas e então mudámo-las. Ter tempo também influencia, porque te podes sentar, ouvir algo 10 vezes e, podes deixar aquilo parado uma semana e, depois, podes voltar lá novamente com um novo par de ouvidos. Houve muita autorreflexão a respeito de realmente escrever o álbum e o som que queríamos alcançar e o conceito completo, todos esses elementos. Sim, o covid definitivamente desempenhou um papel. Acho que o resultado final é positivo em vez de negativo. Nenhum de nós passou por isso antes, não é?! As pessoas perguntam-me sobre isso, mas eu não tinha considerado isso antes, era mais sobre fazer o álbum e levá-lo ao nível e à qualidade que queríamos.


M.I. - Todas as faixas têm títulos intensos. Que temas foram abordados? Quem escreve as letras e em que se concentraram?

Na maioria das vezes, as letras são minhas e eu detesto apontar detalhes, simplesmente porque nunca me sinto muito confortável em explicar a minha “versão” do que poderia ser. Existem algumas músicas que podem ser um pouco mais óbvias do que outras, é claro. Mesmo olhando para o logotipo, sabe-se logo como nos sentimos em relação a qualquer tipo de religião organizada. Isso estará sempre presente e o mesmo pode ser dito com certos assuntos humanitários. Acho que somos muito pró-humanos e muito anti-religião, mas sim, estou mais interessado no que as outras pessoas vão pensar sobre as coisas. O caso em questão seria o vídeo de “Hollow” porque o maravilhoso diretor que o produziu, enviamos-lhe a letra e a música porque ele não queria saber mais nada, só queria a letra e a música para ouvir... e a interpretação dele dessa música é algo que eu nunca teria pensado e fui eu que escrevi a letra, mas é isso que é maravilhoso... se não revelares muito, as pessoas podem criar as suas próprias Ideias. Recebo e-mails de pessoas cujo inglês não é a primeira língua deles, com as suas interpretações das coisas, a sua tradução e acho tudo muito interessante porque prova que eles podem ter alguma ideia, mas também têm uma visão completamente diferente e eu adoro isso! Os assuntos estão lá, mas espero que as pessoas os ouçam no contexto certo, do início ao fim, e depois nos digam o que acham que significa.


M.I. – Ok, então por que é que “Viscera” é o título perfeito para este álbum?


Pode ser visto de uma perspetiva de autorreflexão, pode ser... mais uma vez, se eu falar demais, vou abrir o jogo e alguém pode sugerir que estamos a ser deliberadamente obtusos em relação ao que dizemos e ao que não dizemos. Espero que isso realmente leve as pessoas a ouvir e a tomar as suas próprias decisões.


M.I. - Mas podes dizer o quão diferente, na tua perspectiva, é este álbum do “Abandon All Faith”, relativamente à composição e produção?

A etapa de composição não é diferente, encontramos o nosso formato e ficou muito parecido. Éramos apenas o Greg e eu. Suponho que a única pequena diferença foi que o nosso baterista Guido, neste álbum em particular, estava em contacto connosco e sugeria alterações em algumas músicas. Ele é muito artístico e, definitivamente, alguém que estamos muito, muito felizes de se ter envolvido com o projeto e foi diferente ter um terceiro par de olhos. Isso é uma mudança, mas no final das contas era o mesmo formato. Em relação ao que este álbum significa comparado com “Abandon all Faith”, acho que sempre soubemos que “Abandon all Faith” seria um lançamento de transição porque havia certas expetativas de pessoas que eram grandes fãs dos Vallenfyre, sobre o que veio dessa experiência... não tentamos fazer ninguém feliz. Em “Abandon all Faith” fizemos o que queríamos fazer naquele momento. Com “Víscera” percebemos que isto é o que os Strigoi são, porque nos levou tempo para entender completamente o que este projeto seria. Por isso, a diferença é que em “Viscera” a banda percebeu completamente o conceito, agora entendemos completamente, sabemos o que queremos fazer! Já estou a escrever ideias e notas para um potencial terceiro álbum, porque estou muito inspirado novamente. Sei que o covid ainda existe, mas as coisas estão um pouco mais fáceis agora e, quando a inspiração chega, eu anoto sempre porque nunca se sabe quando vais inventar algo. Por isso diria que a principal diferença entre os dois é que tivemos tempo para finalmente definir o que os Strigoi são como banda.


M.I. - Fala-nos sobre a capa e as duas pessoas a comer vísceras. Qual é o significado? É como se todos estivéssemos a comer os nossos corações para pagar as contas e tudo mais?


Quero dizer, há tantos... entendes o que quero dizer?! Não é maravilhoso? Essa pode ser a tua interpretação e não quero dizer a minha...
 

M.I. - Está bem, está bem!!

Isto é envolvente e espero com esta entrevista que as pessoas possam obter a mesma coisa que obténs quando confias a tua arte a outra pessoa para a interpretar. É o mesmo para o artista maravilhoso com quem trabalhamos. Apresentamos-lhe algumas ideias e ele disse: “Gosto das vossas ideias, mas na verdade tenho uma ideia própria e quero que confiem em mim” e assim fizemos. É tão importante quando encontras as pessoas certas e, quando o disco for finalmente lançado para que as pessoas possam vê-lo no contexto certo, ver essas fotografias maravilhosas à medida que progridem em todo o booklet, talvez tenham uma melhor compreensão. Alguém me perguntou no outro dia qual é a situação perfeita para ouvir este disco. E eu disse, em vinil, de preferência sozinho numa sala, apenas com a capa na frente, a ler a letra e a absorver. Era o que eu fazia quando era criança e é o que eu ainda faço quando sai um novo disco de que eu gosto, coloco-o no meu tocador de vinil e gosto de apenas me sentar e curtir. Definitivamente, estamos a tentar ter esse tipo de cinematografia musical com o que fazemos, para tentar criar essa atmosfera. Eu entendo as pessoas que ouvem no telefone ou nos fones quando estão em transportes públicos, seja lá o que for, e tudo bem, mas, se tiveres a oportunidade de ouvir música dessa maneira específica e depois vê-la num ambiente ao vivo, sabes que essas são obviamente as maneiras preferidas de qualquer artista de ter a sua arte consumida. Portanto, isso é o que eu espero que aconteça e que as pessoas possam realmente ver todas as fotos.


M.I. - Apesar da intensidade, é uma bela imagem mesmo tendo alguém a comer vísceras! O Guido e o Ben juntaram-se à banda no ano passado. O que é que eles trouxeram para os Strigoi? Que impacto tiveram na banda e no seu som?

O Guido é um baterista notável e realmente entende o processo. Ele é um de nós, gosta da ideia de uma mistura adequada, permitindo que o espaço da bateria respire. Ele usa um kit muito pequeno... essencialmente usa uma caixa, um top, um tom de rack, um bombo de chão, e o seu prato. Ele é um tipo bastante artístico, deu ideias e algumas opiniões sobre o formato de algumas das músicas que foram muito úteis. O Ben está connosco desde a gravação, e veio para fazer as guitarras base... ele é muito novo, mas tem sido muito proativo, é muito experiente, é um tipo muito bom. Tudo parece estar a ir muito bem com ele e é muito bom no estúdio também. Nós temos muita sorte! Ao vivo também temos o nosso amigo que também estava nos Vallenfyre, o Sam, que faz as guitarras rítmicas. Pelo menos agora podemos ir em tournée com um bom grupo de pessoas para finalmente tocar estas músicas. Nos concertos que fizemos correu tudo bem, eu não poderia estar mais feliz! Estou ansioso pelos próximos concertos quando finalmente decidirmos o que vamos fazer.


M.I. - Este álbum será lançado pela Season of Mist e o primeiro foi lançado pela Nuclear Blast. Porquê a mudança de editora?

Acho que a Season of Mist é uma plataforma mais adequada. Nós demo-nos muito bem com a Nuclear Blast, tínhamos um ótimo relacionamento com eles, não há ressentimentos nem cenas dessas. Todos concordaram que talvez fosse melhor para a banda seguir em frente e também se provou que tem sido. Eu quero ser muito respeitoso com a Nuclear Blast, porque, honestamente, a equipa lá não poupou esforços, foram muito bons e ainda estou em contacto com eles e tudo foi ótimo. Mas, acho que, da nossa perspetiva, se puderes mudar para uma editora especializada no tipo de coisa que fazes, funciona melhor. Quando as propostas surgiram e havia várias editoras que fizeram propostas incríveis, foi bastante gratificante termos ficado com a Season of Mist. O acordo foi ótimo, mas também foi uma questão de personalidade, eles são tão apaixonados pelo que estamos a fazer e isso é algo que não podes comprar! Se tiveres uma equipa tão comprometida com a tua visão e o que queres fazer, seríamos tolos em não aproveitar a oportunidade, e essa é a razão pela qual nos mudamos. Mas, como disse, ainda estamos em contacto com todos os outros com quem trabalhamos para o álbum de estreia.


M.I. - Este verão fizeram a vossa primeira apresentação ao vivo no In Flammen Open Air e depois também tocaram no Bloodstock e no Brutal Assault. Como foi a experiência dos Strigoi ao vivo?

Para mim, foi além de catártico. Eu estava a morrer de vontade de lançar estas músicas e a reação foi incrível! Fomos inundados com pessoas tão felizes por finalmente poderem ver tanta miséria porque é isso que eu amo: a justaposição entre o quão feliz isso deixou as pessoas considerando o assunto e o quão brutalmente miserável a banda pode ser. Eu adorei poder tocar a música “Abandon all Faith”, que é uma música muito pessoal para mim, e ver o mais lento circle pit que já existiu à minha frente e eu ali apenas a sorrir e a tentar não o fazer, mas é uma experiência honesta e uma performance honesta de nós mesmos... Adoro todos estes elementos do concerto e demorou tanto a acontecer! Mas sim, foi brilhante, e o In Flammen foi um ótimo lugar para começar, porque me sinto em casa. Já lá tínhamos tocado com os Vallenfyre, conhecemos os organizadores incrivelmente bem, eles tratam-nos muito bem, tocamos num dia com muitos amigos. Na verdade, os Memoriam tocaram logo depois de nós. Todas as experiências foram absolutamente brilhantes, até mesmo o calor colossal do Bloodstock que estava demais... mas nós tocamos, superamos e todo o mundo ficou muito feliz. Sim, tudo tem sido ótimo, tem sido um verão muito bom para os Strigoi.


M.I. – Mas tocaram o primeiro álbum ou o novo?

No In Flammen foi o primeiro disco porque o single “Hollow” ainda não tinha sido lançado. Depois, no Brutal Assault e Bloodstock, tocamos os dois singles “Hollow” e “King of all Terror”, mas não tocamos mais nada porque não queremos abrir o jogo! Obviamente, o primeiro disco vendeu muito bem, e não queremos deixá-lo de lado, porque quando o novo disco for lançado, ainda estaremos limitados a talvez um set de 40-45 minutos e temos músicas de dois álbuns para escolher. Haverá algumas músicas que as pessoas viram ao vivo neste verão e, potencialmente, nunca mais irão ver. Estávamos muito ansiosos para tentar dar o maior espectro possível do primeiro álbum, porque sabemos que se formos cabeças de cartaz há pessoal que nos voltaria a ver, mas quando tens 24 músicas para escolher, é muito, e sempre tentaremos misturar! Assim temos a certeza de que “Abandon all Faith” teve um bom último destaque ao vivo antes de passarmos para “Viscera”.


M.I. - Sim, porque vocês não tiveram muitas oportunidades de promover o primeiro álbum, certo?!

Não, de jeito nenhum! Na verdade, nós terminamos a imprensa no final de janeiro e o covid chegou em fevereiro, portanto nunca fizemos um concerto, não podíamos! Falou-se em fazer uma transmissão ao vivo, mas nós os dois detestamos isso, porque não queríamos que o nosso primeiro concerto fosse numa situação de estúdio. É melhor fazer assim e, se houver opções para fazer transmissões ao vivo e coisas assim no futuro, fantástico, mas tem que ser feito ao vivo, tens que ver o branco dos olhos das pessoas e fazer tudo direito!


M.I. - Mencionaste o mais lento circle pit. O que aconteceu, afinal?


Na verdade, é uma “sobra” dos Vallenfyre. Conheces a premissa do circle pit em que todo o mundo corre o mais rápido que pode... só que isso acontece na música mais lenta do set e é ridículo, claro! Não queremos ser vistos como uma banda novidade, mas suponho que quando estamos a lidar com assuntos tão horríveis, conteúdo realmente pesado, é tipicamente britânico ter um sorriso irónico sobre isso. Embora eu não esteja a tentar ser nacionalista de forma alguma a esse respeito, acho que o temperamento britânico e, particularmente quanto mais a norte no país, o humor desempenha um grande papel ao lidar com qualquer tipo de assunto sério e é divertido. E podes imaginar as pessoas a correr, mas em câmara muito, muito lenta. Isso é apenas o que acontece. Na verdade, lembro-me de no Bloodstock haver um tipo com um saco de batatas fritas, e ele estava no circle pit, a comer muito devagar ao som dessa música que é literalmente muito sombria, muito séria. É uma coisa muito catártica para mim, porque fico a ver isso a acontecer e se isso transforma a negatividade da vida real em algo positivo para outra pessoa, é ótimo. Esperávamos que isso acontecesse só uma vez e depois aconteceu organicamente no Bloodstock e acho que vai continuar. Temos que falar sobre isso... se as pessoas querem fazê-lo e se vai ajudá-los a curtir o concerto, então que assim seja. Desde que não se transforme numa palhaçada, acho que vamos ficar bem, porque é divertido e é bom ter um pouco de diversão. Por isso, eu gostei.


M.I. - Algum plano para os Strigoi fazerem uma tournée para promover o novo álbum como headliners? Vêm a Portugal?


Ah, eu adoraria, não vou a Portugal há anos, adoraria voltar a Portugal! Já existem ofertas. Foi bom podermos fazer estes festivais porque os promotores viram o que fazemos, perceberam que somos uma banda completa e que não iríamos apenas mantê-la no estúdio. As ofertas estão a chegar e estamos a ponderar sobre qual será a maneira mais adequada. Obviamente o Greg tem os Paradise Lost também, o Nick tem os Bloodbath e temos pontos perfeitos onde os Paradise Lost não podem fazer nada, mas todos nós ainda podemos fazer coisas... escolher quando vamos fazer alguma coisa, qual será o formato, como podemos alcançar o maior número de pessoas, porque obviamente queremos compensar o tempo... queremos ver o máximo de pessoas que pudermos, queremos tocar onde pudermos. De momento não tenho nenhuma novidade para anunciar. Temos todas as plataformas das redes social que eu administro e, no devido tempo, vamos informar as pessoas. Mas a prioridade agora é ir e fazer o máximo que for fisicamente possível e com a qualidade e o formato correto para que as pessoas tirem o melhor proveito de nós.


M.I. – Os Bloodbath estão prestes a lançar um novo álbum também, por isso os Strigoi e os Bloodbath podem ir em tournée juntos! (Risos)

(Risos) Tu é que disseste isso, não fui eu!
Devo admitir que sou fã particularmente do novo disco deles, o primeiro single foi um sucesso absoluto, muito bom, foi um verdadeiro regresso à forma. Eles são bons tipos, o Nick é um tipo espetacular e muito engraçado, mas não sei... talvez isso aconteça no futuro! Eu tenho uma lista de pessoas com quem adoraria fazer alguns concertos. Gostaria que pudéssemos fazer algo com os Triptykon, estaria pronto, mas isso não foi falado, nada foi dito, é apenas um desejo meu!


M.I. - Alguém mais?

Não!! [Risos] Apenas Triptykon! Eu só quero ouvir aquelas músicas dos Celtic Frost!


M.I. – Ok, Chris, obrigada pelo teu tempo! Tens uma última palavra para os teus fãs portugueses e fãs dos Strigoi?

Bem, sim, só quero dizer que aprecio todos os que nos apoiaram durante este período difícil. As pessoas ainda estão muito em contacto e, agora que as coisas estão mais fáceis, vamos fazer o nosso melhor para tentar ir e ver todos vocês! “Viscera” será lançado no dia 30 de setembro, por isso não deixem de o ouvir! Obrigado a todos pelo apoio, é muito gratificante, nunca o damos como garantido! Esperamos ver-vos em breve!

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Entrevista por Sónia Fonseca