
Os Todomal são uma banda espanhola constituída por dois membros encarregues da maior parte dos instrumentos: Wildman (voz, guitarras, teclados) e Mile (baixo, bateria, teclados e coros). Graveyards of Joy é o seu terceiro lançamento e o primeiro pela Season of Mist, a discográfica francesa que tem como metal o seu nicho, assim como lançamentos nos seus diversos subgéneros.
Apesar deste “núcleo duro”, temos convidados que ajudam a elevar os temas, muitas vezes acima da escuridão em que mergulham o ouvinte. Aqui destacam-se as guitarras acústicas de Dario Garrido em temas como “For Mercy”, que me recorda “Time Flies” dos Porcupine Tree.
Por sua vez, temos, em “Mare Ignis” um excelente recurso a instrumentos orquestrais por via das cordas de Manu Clavijo, que ajudam a criar uma atmosfera grandiosa que contradiz a letra negra e lúgubre. Ora, este tema abre o álbum de uma forma triunfal, com coros e harmonias de guitarra a lembrar os Ocean Machine de Devin Townsend. O segundo tema, “Lucid Nightmare” mantém a atmosfera orquestral e bombástica do primeiro, mais uma vez remetendo para os Ocean Machine e Cronian, com os teclados bem presentes na mistura (nomeadamente o piano) e a voz de Wildman límpida, lembrando a de Ihsahn. “Point of Coalescence” é mais negro e pesado que os temas que o antecederam, com a voz de Wildman a ser acompanhada em determinados pontos por uma voz feminina (Teodora Gosheva) que só aumenta o desespero que emana da dele. Chegamos então a “Misericordiah”, que começa com a voz de Wildman acompanhada apenas por guitarra acústica e teclados, com pequenos apontamentos de bateria de Mile. É uma balada que me recorda a “Bard Song” dos Blind Guardian, mas sem a luz e esperança daquela: é triste, melancólica e desesperante. Não deixa de ser bela, no entanto, tratando-se de um dos pontos altos do álbum.
Por sua vez, “Deliverance” tem também na base a guitarra acústica, mas está mais enquadrado na sonoridade do álbum por via dos teclados, coros e bateria precisa, lenta e pesada. Aqui, um solo de guitarra eléctrica traz um pouco de luz à escuridão, antes de tudo parar para dar lugar apenas à voz e à guitarra, encaminhando o tema para o final. Esta dicotomia entre a luz e as trevas foi o que mais me apelou ao ouvir Graveyards of Joy: o contraste entre a luz e as trevas. É de sublinhar que os arranjos são bem elaborados e permitem “mergulhar” o ouvinte na atmosfera sonora do álbum.
No seu todo, Graveyards of Joy, como acima mencionei, consegue ser exaltador ao mesmo tempo que é lúgubre, com harmonias maiores conjugadas com uma “wall of sound” de instrumentação que mantêm a atmosfera numa contradição entre a luz e a escuridão (o tema-título que encerra o álbum da mesma forma como este começou: grandioso, lúgubre, esperançoso e pesado.). É um disco difícil categorizar em termos de género, dadas as aproximações a géneros tão díspares como metal sinfónico (“Unholy” e “Mare Ignis”), doom (“Lucid Nightmare”) e metal progressivo (“Deliverance” e “Humanized Gods”). Poderá agradar tanto a fãs de Devin Townsend Project, Ocean Machine, Pink Floyd ou Cronian, como a fãs de Borknagar, Oak e Swallow The Sun. E, concluindo, trata-se de um disco que deverá ser ouvido como um todo dada a experiência que propicia.
Nota: 9/10
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Review por Raúl Avelar











