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Em pouco mais de um mês, “An Antidote For The Glass Pill” – o segundo álbum dos vanguardistas Lychgate – será lançado e, com tempo, abordámos a banda para ter a conversa que se apresenta de seguida. Podem contar com respostas esclarecedoras, tanto em relação ao conceito complexo do disco como em relação ao criticismo perante a indústria musical.

M.I. - Por que é que dizes que estes últimos dois anos foram dolorosos? E pergunto isto em relação à criação do novo álbum.

Nesta vida todos temos de passar por tempos difíceis. Por várias razões, 2012 foi um dos anos mais difíceis, e foi nessa altura que escrevi cerca de metade deste álbum – o resto foi escrito em 2013, sendo que a parte do órgão foi finalizada em Dezembro desse ano. Portanto, a composição tem sido a forma como eu foquei a minha energia e onde eu podia construir significado sem ter que me comprometer com mais alguém. A nível pessoal, os riffs que se ouvem provêem de reflexões profundas. As melodias no último tema do álbum foram escritas enquanto caminhava no meio do nada. Outros temas foram escritos em estados mais claustrofóbicos. Se analisarmos a faixa “Deus Te Videt”, não é difícil de ver que o tema é uma mudança e uma expressão de estados emocionais e psicológicos: não é apenas uma linha de melodias. Em outros temas, como “The Illness…”, encontramos vislumbres mais direccionados a estados triunfantes, como por exemplo entre 00:37 e 00:51, o que para mim representa um curto mundo sonoro pastoral; como uma breve visão das colinas onde cresci, antes das janelas se fecharem outra vez. Depois, o estado volta numa forma diferente a meio da faixa devido ao solo do órgão e às partes que se seguem. No final do processo de composição estava completamente esgotado e nem compus nada durante os meses seguintes.


M.I. - O Panopticon – construção teórica de uma prisão pensada no Séc. XVIII pelo inglês Bentham – é a chave principal do álbum. Em poucas palavras, podes explicar aos nossos leitores o que representa a teoria panóptica?

Jeremy Bentham, um filósofo e teórico social inglês, criou o conceito Panóptico com a intenção de ser uma instituição/prisão especial. A instituição consistiria numa torre central onde os detidos não conseguiriam discernir se estavam a ser observados ou não. Apenas um vigilante seria preciso, porque o comportamento dos prisioneiros seria governado pela incerteza de não saber se havia olhos postos neles: seria, assim, “um novo método para obter o poder da mente sobre a mente”. Mesmo que não tenha sido construída, perfaz uma metáfora muito boa para o mundo moderno. Deixo o resto para que o leitor decida por si próprio.


M.I. - Pois, já ia chegar aí. Podemos então dizer que a sociedade actual é como um panopticon, certo?

Acho que foi por isso que escolhi o tema. É um tema algo corrente. As pessoas sempre estiveram emprisionadas de uma forma ou de outra, mas agora mais do que nunca. Especificamente em relação à informação: como sociedade vivemos num mundo de segredos. A verdade está escondida de nós – até se pode argumentar que noutros tempos era igual, mas aqui estamos claramente a fazer uma distinção. De qualquer forma, quer estejamos, ou não, debaixo do polegar de um controle de estado imoral, acredito, acima de tudo, que estamos escravizados por um sistema repulsivo e globalizado que tem diminuído a nossa apreciação da vida e da nossa liberdade enquanto indivíduos.


M.I. - Para além das teorias de Bentham, também incluíram inspirações nas obras “Nós”, de Zamyatian, e “Insatiability”, de Witkiewicz. Como é que estes livros se cruzam com Bentham?

Com este álbum reuni três fontes chave que me influenciaram durante os dois anos de escrita musical. “Nós” representa um cenário distópico que é uma analogia ficcionada em relação aos princípios filosóficos adiantados por Bentham: demonstra uma futura nação urbana construída quase inteiramente por vidro, permitindo que os polícias e espiões informem e supervisionem o público de forma mais fácil. Em “Insatiability” encontrei mais paralelismos: por exemplo, o medo de que a China se infiltrasse e tomasse conta da Europa; a perda de individualismo e a vontade para resistir a mudanças indesejadas (um tema proeminente em “Nós”); controlo totalitário da mente. Escrito em 1927, é, como muitas obras, bastante profético, mas eu não espero que muitas pessoas fora da Polónia conheçam o escritor, e acredito que é assim que se deve manter. Não estou a tentar chamar atenção para escritores menos conhecidos; tenho, simplesmente, um interesse pessoal no legado cultural de cada país europeu. Seria mais lógico dizer que vários estudiosos académicos tenham lido “Nós” já que inspirou o “1984” de Orwell.


M.I. - Apesar do conceito teórico e académico, o som dos Lychgate é bastante vampírico. Como explicas isso?

Bem, existem elementos “góticos” – nunca pensei no termo “vampírico” como meio para descrever a música e nada vampírico dentro do reportório gótico alguma vez me interessou muito. Por certo, não temos nenhuma relação com isso. Dito isto, perguntei a mim próprio uma questão parecida algumas vezes: como é que esta sonoridade pode ser relacionada com o tema? Mas no fim, instrumentos como o órgão e alguns arranjos melódicos/harmónicos são apenas ferramentas tradicionais usadas no contexto moderno. Todo o álbum é moderno – para os meus ouvidos tem flertes com as características do horror que referes, mas na realidade tem mais em comum com os elementos do Séc. XXI. Decidi representar este cenário de prisão do Séc. XXI através dos olhos de uma pessoa tradicional.


M.I. - A utilização de um organista profissional é um dos aspectos mais empolgantes do disco. Achas que é a cereja no topo do bolo?

Sim, e uma vez que sou eu a ditar as regras, não gosto de gravações falsas com teclados horríveis e artificiais (com algumas excepções clássicas anotadas). Se uma banda deseja usar um certo instrumento nas suas gravações, então que sejam eles a tocá-lo em vez de o programar, e idealmente deviam tentar usar algo verdadeiro. Nem sempre é possível, claro. Para o próximo álbum de Lychgate elaborei algumas secções para um quarteto de cordas, por isso pergunto-me: deverei financiar as gravações com a verdade ou deverei tentar enganar artificialmente? Para abordar esta questão, posso dizer seguramente que para o produto final não tencionamos usar qualquer falsidade.


M.I. - Este álbum não é de fácil audição, não é para toda a gente. Quão preparada tem de estar uma pessoa para se comprometer com Lychgate?

É verdade, pode ser um álbum cansativo. A edição em vinil é a melhor maneira para apreciar o trabalho, porque é um LP duplo e, como resultado, o ouvinte pode absorver tudo em quatro partes. Isto não é música directa e o ouvinte precisa de estar preparado para tirar algum tempo para apanhar tudo, para digerir e tentar entrar no mundo contido no disco. Para dizer a verdade, estou um bocado cansado de ouvir o mesmo tipo de lançamentos da cena metal. Todos os anos há uma nova tendência. Depois, para tornar tudo pior, as estatísticas mostram que o intervalo de atenção de uma pessoa comum não é capaz de ouvir mais do que os primeiros temas: ‘parece que nunca ouviram realmente o álbum inteiro!’ Claro que se não gostam do álbum depois das primeiras impressões está tudo bem para mim, mas não é a isso que me estou a referir. Há pessoas que tentam ouvir milhares de artistas no Last.fm, mas não é exequível para se apreciar artistas chave da forma que eles merecem; não com tamanha atitude peculiar. Portanto, assim te dou o tipo de envolvimento com que lidamos no que toca a preparação e apreciação!


Entrevista por Diogo Ferreira