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M.I. – Quando formaste a banda, esperavas que durasse tanto tempo?

Claro que não.


M.I. – Os membros da banda são os mesmos desde o início… qual o segredo para a longevidade da vossa relação?

Pode tornar-se cansativo estar 24 horas diariamente com alguém, mas temos de saber quando parar de os irritar e isso ajuda-nos a rir e a aguentar tudo, funciona assim em qualquer relação.


M.I. – Qual foi o ponto de viragem para os Paradise Lost?

Penso que foi com o álbum “Shades of God” que notámos que havia um certo burburinho por nossa causa.


M.I. – Porquê “The Plague Within”? Qual a mensagem presente?

O título “The Plague Within” é sobre o estado de saúde mental, insanidade ou sobre o que se classifica como tal, e é um assunto fascinante.


M.I. – A capa apresenta um homem de duas faces… uma caveira com uma coroa de folhas a lembrar o passado glorioso das civilizações e uma face velha e decrépita do outro lado, ambos em cima de um monte de lixo. Qual o verdadeiro significado afinal? Tem algo a ver com a industrialização e a perda de valores morais por causa do dinheiro?

Por acaso, a capa representa Sysyphus a transportar o seu fardo por uma ilusão gelada, mas a tua descrição também é muito boa.


M.I. – A banda recuperou sonoridades presentes em álbuns anteriores… sentias-vos nostálgicos? Supostamente o novo álbum agradará a fãs mais antigos e mais recentes, achas que tal é mesmo possível? Qual a receita secreta?

Só escrevemos riffs cujo som nos agrada, não há segredos, temos a sorte de ainda estar na mesma cena que nos viu nascer, apesar de nos termos desviado aqui e ali, mas ainda somos grandes fãs de metal, caso não fossemos, tal era perceptível na música.


M.I. – O vídeo para o tema “Beneath broken Earth” é bastante básico, é para mostrar que a humanidade deveria voltar a uma existência básica para permitir a salvação do planeta?

Não, é simplesmente um vídeo.


M.I. – O vídeo foi dirigido por Ash Pears. Quem criou o conceito?

Não podes fazer headbang ou ficar louco com este tema, portanto tocámo-lo como fazemos na sala de ensaios, com alguma iluminação. O Ash fez um trabalho fantástico. Já vi demasiados vídeos de headbang e saltos loucos!!!


M.I. – A procura dos vinis coloridos do novo álbum tem sido excepcional. Considerando a evolução da tecnologia, compensa investir em vinis?

Duvido que volte a ser como era mas percebo que as pessoas, principalmente as da minha geração, tenham interesse neste tipo de material. Os anos do vinil foram mágicos, algo que se perdeu com a geração mais nova. 


M.I. – Os Paradise Lost integraram a lista de metal do The Guardian. Aposto que nunca esperavas ver isto a acontecer?!

Podes crer! O Dom Lawson tem um gosto muito perspicaz! 


M.I. – Com o novo álbum, a banda tem estado a ter um Verão agitado. Como lidais com o stress de andar em tournée durante muito tempo? Qual o maior obstáculo que tens de enfrentar?

Simplesmente habituamo-nos a isso, é divertido mas a falta de espaço pessoal começa a moer após algum tempo, mas podia ser pior… podíamos ter um emprego a sério! 


M.I. – Porque é que Portugal não consta da tour?

Penso que não encaixava no roteiro mas acho que tocaremos aí mais tarde.


M.I. – Qual a tua opinião sobre as tatuagens em vossa honra?

É uma decisão pessoal.


M.I. – Qual a melhor memória da carreira dos Paradise Lost? E a pior?

Visitar locais e fazer montes de amigos que nunca faríamos noutras circunstâncias, tem sido espectacular. A pior é estar muito tempo longe de casa.


M.I. – Agora que o Nick é o frontman dos Bloodbath, como lidas com horários e tournées de ambas as bandas?

Os Bloodbath têm sido uma banda de festivais durante o verão, podemos fazer alguns concertos em salas mas serão limitados. Os nossos espectáculos não se têm cruzado com nenhuma das nossas bandas, portanto tem corrido bem. 


M.I. Que pensas da evolução do underground desde que formaste os Paradise Lost?

Como tudo hoje em dia, a música tem a ver com marketing. A cena underground que eu conheci tinha fãs a apoiar bandas por puro gosto. Penso que é mais difícil para as boas bandas conseguirem algo nos dias que correm, já que às vezes as que não valem nada têm mais sorte por causa de conhecimentos e afins. 


M.I. – Como estão as tuas cordas vocais após tantos anos de cantos e grunhidos? Como tratas delas?

Muitas horas de descanso, evitar clubes nocturnos e concertos. Após os concertos costumo festejar visualizando um filme no autocarro. 


M.I. – A banda costuma envolver-se em recolha de fundos para obras de caridade. Recentemente o Aaron envolveu-se em caridade para crianças. Porque vos envolveis em acções deste género?

Eu já me envolvi várias vezes ao longo dos anos, é excelente fazer algo assim porque é um desafio e se for possível juntar dinheiro para ajudar alguém que necessite, é uma situação vantajosa para todos os envolvidos.


M.I. – Deixa uma mensagem para os fãs portugueses e leitores da Metal Imperium.

Muito obrigado pelo apoio. Espero tocar com os Paradise Lost em 2015 ou 2016, mas iremos aí com certeza! Obrigado!

Entrevista realizada por Sónia Fonseca