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Nervosa – uma banda de thrash metal de São Paulo (Brasil) constituída apenas por raparigas – vai este mês viajar para os Estados Unidos para gravar o seu segundo álbum. A gravação deste álbum vai acontecer no estúdio The Foundation, de Sylvia Massy (que já trabalhou com bandas como Exodus, Red Hot Chili Peppers, System of a Down e Tool) em Ashland, Oregon, e nos Norcal Studios com o produtor Brendan Duffey.

Fernanda Lira, vocalista e baixista da banda comentou: “Isto é um grande passo, e um sonho tornado realidade para a banda poder gravar este álbum nos Estados Unidos! Estamos felizes por poder trabalhar com o Brendan, um produtor que apreciamos bastante, e ainda mais realizadas por poder gravar o som da bateria no estúdio da produtora Sylvia Massy!”

Quando questionadas pela Planet Mosh acerca do motivo para o “rápido sucesso” de Nervosa, Fernanda disse: “Eu não lhe chamaria um sucesso, mas concordo que tenha sido rápido. Algumas bandas demoram anos a chegar onde nós estamos e nós estamos muito agradecidas por isso”.

Ela continuou: “Eu tenho uma teoria, de que o metal se está constantemente a renovar; há sempre alguma coisa nova. Como, por exemplo, o caso do folk metal – quando houve uma explosão do estilo de folk metal com flautas, violinos e tudo o mais. Por isso acho que qualquer coisa que seja nova no panorama do metal consegue, de alguma maneira, chamar a atenção – positiva e negativa, claro. Mas diria que maioritariamente positiva porque tudo quanto é novo provoca alguma curiosidade nas pessoas. E aquilo que é novo na nossa banda é o facto de sermos três raparigas a tocarem thrash metal – o que não é comum. Eu confesso que gostava de ver mais casos destes; gosto muito de ver apoiantes do poder feminino, especialmente na comunidade metaleira”.

Fernanda disse ainda: “Acho que isto é um processo em transição. Em poucos anos vai ser mais natural, porque vejo cada vez mais raparigas a envolverem-se no meio, mas por enquanto ainda é novidade. Acho que situações como a nossa podem ser uma ajuda. Não só por sermos raparigas, mas isso ajuda a chamar a atenção. Claro que a comunidade pode ser muito exigente, e não ouvir a nossa música só pelo rótulo que lhe está associado, como é o caso desta situação de ‘thrash metal só de raparigas’. Embora ajude a chamar a atenção, isso não é tudo. No fim o que importa é a música”.

Quando lhe perguntaram o que diria às pessoas que dizem que o metal não é para raparigas, Fernanda respondeu: “Não nos preocupamos muito com isso porque sabemos que não é a opinião da maior parte das pessoas.”

Acrescentou: “Ter uma banda de thrash metal no Brasil, que é um país bastante sexista, pode ser muito difícil. No início tivemos algumas dificuldades, porque embora tivéssemos mais comentários positivos do que negativos, os negativos eram mesmo muito maus. Muita gente dizia disparates como, ‘Elas só arranjam espetáculos porque se deitam com os promotores’ ou ‘Oh, ouvi dizer que para terem espetáculos elas enviam fotografias delas nuas aos promotores’, e outras coisas do género. Podem rir-se, porque os comentários são efetivamente estúpidos”.

Fernanda disse também: “No início foi mesmo complicado. Eu sou muito emocional e cheguei a chorar com o assunto: ‘Porque é que as pessoas dizem isto sobre nós? Elas nem sequer me conhecem!’ Mas depois apercebi-me que era só preconceito. Infelizmente, há muitos preconceitos – ainda hoje em dia e em todo o lado, em relação a tudo – e a situação não ia ser diferente connosco, para além de ser novo, os homens continuam a ser os ‘machos’ que pensam que as mulheres devem dedicar-se à cozinha e afins. A única ‘cozinha’ de que eu gosto é o baixo e a bateria. [risos] Embora no início tenha sido difícil, hoje em dia ignoramos. Algumas vezes até nos rimos bastante, porque as pessoas conseguem ser muito criativas quando querem dizer mal de alguém. A melhor maneira de lidar com isso é desprezar. Sabemos que são só comentários superficiais, que as pessoas usam para libertar a sua raiva.”

Por: Andreia Teixeira - 16 Janeiro 16