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O mestre está de volta. Ihsahn sempre foi visto como a alma dos Emperor – isto sem querer menosprezar o trabalho de músicos como Samoth – mais que não fosse criativamente. Estava mais que evidente, principalmente após o último álbum dos Emperor, “Prometheus – The Discipline Of Fire & Demise”, que o músico já estava com a cabeça noutro sítio, sendo que a sua carreira a solo até se pode considerar como um seguimento lógico e natural desse canto de cisne. Ihsahn criou então uma entidade com o seu próprio nome que surpreendeu tanto como fez sucesso, principalmente para aqueles que são fãs de sonoridades mais progressivas e experimentais.

Isto já foi há algum tempo e entretanto, Ihsahn chega ao sexto álbum com este “Arktis.” sem grandes necessidades de provar o quer que seja a quem quer que seja, embora houvesse alguma expectativa já que o anterior trabalho não foi tão consensual como o que se esperaria. O factor experimental, para muitos, foi algo difícil de assimilar e a expectativa vinha mesmo no sentido se saber se “Arktis.” seria mais um passo à frente ou se haveria um arrepiar caminho. É um misto dos dois – seguir em frente e dar um passo atrás, já que este trabalho é um dos mais diversos da discografia do músico.

Temos aquele feeling progressivo ao lado de peças que assentam em ritmos electrónicos (aquela “South Winds” é algo de extremamente viciante), ao lado de outras onde a melodia é rainha e senhora (como na “In The Vaults” e na “Until I Too Dissolve”, esta última com um riff de guitarra bem hard rock). Como de costume, todos os instrumentos excepto pela bateria (a cargo de Tobias Ørnes Andersen dos Shining) e o saxofone (a cargo de Jørgen Munkeby, também ele nos Shining) que é possível ouvir em alguns temas (e que efeito positivo que tem nas “Crooked Red Line”). Também é de salientar as aparições nas vozes de Einar Solberg (dos Leprous, banda que já tocou com o músico ao vivo) e Matt Heafy (dos Trivium), neste trabalho que é possivelmente o mais completo do músico até agora. Continua a explorar terrenos que ainda não tinha pisado antes e continua a fazer no processo obras desafiadoras e intrigantes, sem esquecer todas as trademarks que uma obra de metal tem.

Surpreendentemente viciante.


Nota: 9/10

Review por Fernando Ferreira