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Vamos por partes, os Novelists não são maus de todo. Possuem alguma capacidade técnica e aqui e ali tentam sair da sua zona de conforto com ideias interessantes. No entanto chamar a "Souvenirs", o seu álbum de estreia de metal progressivo, como a banda quer fazer passar só pode ser uma piada. É verdade que hoje em dia se utiliza o termo por tudo e por nada, mas há que tentar ser um pouco sério.

Para começar, não há nada de especialmente novo ou sequer inovador no som geral do coletivo. Mesmo para quem não está especialmente familiarizado com as sonoridades mais ligadas ao metalcore ou djent, facilmente consegue quase que de forma inconsciente chegar à conclusão de que “já ouvi isto em qualquer lado”. Segundo, o facto das composições aqui presentes não seguirem os padrões mais tradicionais, não faz delas menos previsíveis ou unidimensionais. Afinal de contas o que temos aqui acaba por ser a dose habitual servida de outra maneira; dualidade vocal extrema e clean feita segundo os manuais, guitarras ala djent e secção rítmica assente em breakdowns e ritmos complexos. Se em tempos estes atributos eram mais do que suficientes para captar a atenção de muito apreciador de metal, hoje em dia o truque já não passa tão incólume. Especialmente quando falamos de um lançamento por vezes extremamente monótono e entediante, muito por culpa do vocalista Matt Gelsomino que em questão de personalidade e carisma deixa muito a desejar.

Ainda assim é possível destacar alguns temas como o introspetivo "5,12 A.M", abrilhantado por uma vocalista convidada, "Echoes" com boas linhas vocais e "Voyager" que conta com um refrão muito interessante. Mas talvez o mais admirável em "Souvenirs" é o facto de falarmos de uma banda francesa, que conseguiu a proeza de americanizar de tal forma a sua sonoridade, que desde a instrumentação e vocalizações até à própria produção do disco, tudo soa como como se tivesse sido feito no outro lado do Atlântico.

Porém, para a história fica mais uma estreia sensaborona, de um coletivo com talento, mas que poderia ter sido um pouco mais ambicioso na procura de uma identidade própria. Veremos se melhores escolhas serão feitas no futuro.

Nota: 6/10

Review por António Salazar Antunes