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Os Epica vão tocar em Portugal, no VOA – Heavy Rock Festival, em Agosto. A banda tem estado a preparar-se, também, para lançar um novo EP, intitulado “The Solace System”, que inclui temas que não fizeram parte do seu último álbum “The Holographic Principle”. O Mark Jansen, que começou a banda, falou-nos de tudo isto, vejam lá:

M.I.- O sétimo álbum dos Epica, "The Holographic Principle", foi lançado no ano passado. Como é que surgiu a ideia para um título tão poderoso como este e o que pretendiam expressar através do mesmo?

Já o álbum “The Quantum Enigma” falava de física quântica e do facto de que, quando observamos pequenas partículas no mundo quântico, nós influenciamo-las apenas pelo simples facto de as estarmos a observar. É fascinante. O “The Holographic Principle” é uma teoria de que, o universo como o conhecemos, poderá ser um holograma, o que significa que vivemos numa espécie de “matrix”. É fascinante também e é capaz de explicar algumas incoerências de teorias mais antigas.


M.I.- Qual consideras ser o tema mais relevante deste último álbum e porquê?

O tema, precisamente, sob o nome do álbum. Eu levei anos a acabá-lo e, além disso, com o produtor Joost e todos os “epicanos”, ainda trabalhamos vários meses nesse tema, mesmo depois de o ter concluído. Mas, agora que está finalizado de vez, posso dizer que valeu todos os esforços. Ainda é o meu tema favorito do álbum. Contém todos os elementos de Epica e tem umas mudanças porreiras.


M.I.-  O que se destacou mais/o que é que melhor caracterizou o processo de composição/criação deste álbum e como é que geralmente funciona? És tu, Mark, quem toma as rédeas desta fase, tratando de todos os instrumentos ou, por outro lado, há um instrumento a “liderar” e, depois, cada músico cria a parte correspondente ao seu próprio instrumento?

O processo é bem diferente! Todos nós compomos e, quando temos as nossas músicas feitas, sentamo-nos todos juntos e trabalhamos nos temas uns dos outros. Portanto, vejamos, como exemplo, o Rob. Ele compõe o baixo e também partes da guitarra e orquestração. Até uma linha de voz! Mas tudo pode ser alterado. Estamos sempre a apostar no melhor resultado e isso é mais importante do que qualquer outra coisa. Portanto, quando uma música precisa de ser destruída para que fique melhor, nós fazemo-lo.


M.I.- Normalmente, a cada dois anos, os Epica lançam um novo álbum. Como é que vocês conseguem conciliar a vossa vida na estrada com a composição de um álbum? Vocês “fazem uma pausa” para o efeito ou a criação do álbum acontece em simultâneo com os concertos e, depois, apenas numa fase final do processo criativo, é que os Epica se afastam da vida atarefada de estrada e reúnem-se para “limar as arestas”?

Até agora, esse era, efectivamente, o modo como fazíamos as coisas, mas isso vai ter que mudar um pouco, pois, após sete álbuns de estúdio, sentimos que, uma pequena pausa para trabalharmos no oitavo álbum, será muito bem-vinda. Durante as sessões do “The Holographic Principle”, nós ainda estávamos em digressão e, apesar de isso ter vantagens, também nos tira imensa energia e uma qualquer ideia de vida social fica reduzida a, praticamente, zero, haha. Portanto, para o próximo álbum, vamos tirar um pouco mais de tempo para ter tudo equilibrado.


M.I.- Já agora, qual é o álbum que consideram ser o mais importante para a carreira dos Epica e porquê?

Eu não consigo escolher um álbum em particular, pois todos são importantes de maneiras distintas. Toda a gente diz que o terceiro álbum de uma banda é o mais importante da carreira, pois determina se és uma banda meramente passageira ou se vieste para ficar. Considero que nós lançámos um terceiro álbum muito forte, de modo a que pudéssemos “ficar”, haha.


M.I.- Bem, os Epica nasceram em 2002 e têm tido, sem dúvida, um notável percurso, com um grupo de fãs cada vez maior, com uma imensa diversidade de concertos com diferentes bandas e em variadíssimos países, com sete álbuns de estúdio, colaborações com outros projectos, enfim… Até agora, qual foi o maior obstáculo que tiveram que enfrentar, para conseguirem chegar até aqui?

A falência da nossa primeira editora; nós estamos no meio do processo de gravação do terceiro álbum e tudo tornou-se muito dúbio. Quase ninguém sabe que, para que nos pudéssemos manter no horário estipulado, o meu pai teve que financiar por completo o terceiro álbum, pois ele acreditava assim tanto em nós. É claro que lhe pagámos de volta, depois de termos sido acolhidos pela Nuclear Blast, mas, sem a ajuda dele, nós teríamos tido um atraso de, pelo menos, um ano. Continuo-lhe imensamente agradecido e ele continua a colaborar com os Epica, mas mais “nos bastidores”.


M.I.-  Depois de todos estes anos, consideras que os Epica actuais são diferentes dos Epica que lançaram o "The Phantom Agony" ou o "Consign to Oblivion"?

Nós temos três membros diferentes e cada um deles trouxe algo de diferente para o projecto. Se a pergunta vai além disso, alguma diferença mais a nível de sonoridade, é melhor perguntar-te eu a ti. Nós estamos dentro do processo, pelo que torna-se difícil para nós sermos como que “o talhante que julga a própria carne”  Eu entendo que, cada pessoa que já cresceu mais de quinze anos (a banda começou em 2002), aprendeu imensas coisas na vida, tal como nós: toda a nossa experiência de vida, de certo modo, vai traduzida na nossa música.


M.I.-  Os Epica vêm cá tocar em Agosto, no VOA - Heavy Rock Festival. Na verdade, vocês tocam imenso em Portugal (o que, para nós, é óptimo)! Como é que caracterizam o público português? Levam convosco alguma memória dos fãs portugueses ou já tocaram em tantos países que já não nos conseguem distinguir uns dos outros? [Sem remorsos, se assim for o caso, é claro.]

Os fãs de Metal, pelo mundo fora, têm mais semelhanças do que propriamente diferenças. É uma cena brutal. Mas quando comparas os fãs portugueses, aos fãs do norte da Europa, devo dizer que gosto imenso do modo como os fãs portugueses vivem um concerto, pois mostram a sua paixão bem mais do que os nórdicos. E, para uma banda, isso é óptimo, quanto mais selvagem e mais paixão houver num concerto, mais energéticos ficamos nós. Quando os nórdicos bebem bastante, por vezes conseguem atingir esse nível de paixão também, hahaha.


M.I.-  Sendo um pouco “spoiler” (mas não muito), com o que é que os vossos fãs em Portugal podem contar, relativamente ao vosso concerto em Agosto?

Vamos tocar algumas músicas que nunca tocamos ao vivo, do nosso novo EP e do último álbum, também; vamos ter que ver, pois ainda não decidimos o alinhamento, mas haverá uma mistura entre o novo trabalho e os nossos “clássicos”.


M.I.-  Por fim, a nossa última pergunta: se os Epica pudessem escolher uma banda (com a qual ainda não tenham partilhado o palco, é claro), para irem em digressão, que banda seria e porquê?

Os Opeth, porque eles tocam o melhor cock-rock do mundo! 
Muito obrigada, encontramo-nos em Agosto, no VOA!

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Entrevista por Evie