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Após uma pausa na sua carreira, devido a dificuldades de saúde de Marta Gabriel, os Crystal Viper estão de volta e mais fortes do que nunca. Estivemos em conversa com a incrível Marta relativamente a este tão esperado regresso de uma banda que, sem dúvida, está aqui para ficar!

M.I. - Antes de mais nada: uau! Os Crystal Viper estão de volta à estrada e com um novíssimo álbum. Como estão as correr as coisas, até agora?

Estamos felizes por estar de volta e por podermos tocar novamente e estamos muito entusiasmados com o nosso sexto álbum, "Queen Of The Witches". E, sim, terminámos agora a nossa digressão europeia, portanto, dentro de alguns meses, vamos começar a aparecer nos festivais de verão!


M.I. - Qual a história que deu origem ao título "Queen Of The Witches"; sobre o que trata este álbum?

"Queen Of The Witches" é um álbum conceitual, que conta a história acerca de lutar contra o verdadeiro mal, que vive dentro de alguns seres humanos e conseguir a vingança. Não quero dizer-vos sobre o que fala cada tema, porque não quero arruinar a surpresa. Seguir as letras, é como ler um livro ou assistir a um filme, além de que cada música pode ser interpretada separadamente das outras.


M.I. - Já agora, como foi levado a cabo o processo criativo deste álbum? Vocês encontraram-se todos e as músicas advieram de sessões de improviso, ou houve uma espécie de ordem: um instrumento liderou a música/o processo de criação e, depois, os outros instrumentos seguiram aquele riff/aqueles acordes? Quem está responsável por o quê, como e em que momento? Por outras palavras, como é que vocês compõem os temas?

Desde o início que eu sou a única compositora na banda. Quando tenho uma ideia para uma música, eu simplesmente sento-me com os meus instrumentos – regra geral, ao piano – e gravo a música inteira, ou apenas uma ideia que se irá tornar numa música, no futuro. Eu componho quando algo me inspira: a música, a meteorologia daquele dia, o modo como as pessoas se comportam, como encaro o mundo de forma geral… Filmes de “Hammer Films” e “Amicus” são muito inspiradores, bem como livros, a história do mundo… Imensa coisa. Eu absorvo tudo o que acontece à minha volta, como uma esponja; no final, este “tudo” transforma-se num estado de espírito para o qual eu componho uma banda sonora. Eu componho a toda a hora; tenho, literalmente, centenas de ideias para músicas. O processo tem sido o mesmo, há anos. Quando começo a trabalhar num novo álbum, revejo algumas ideias anteriores, completo-as com novas ideias e, simplesmente, crio um álbum, sem pensar em quantas músicas deveria ter ou em quantas mais me faltam. Quando me apercebo de que já existem muitas músicas completas, eu escolho as melhores com o meu produtor e decidimos quais as que devem constar do álbum e quais não. Depois, envio os temas ao resto do pessoal da banda, para que possam aprender as partes deles e prepararem-se para as sessões de gravação.


M.I. - O vosso último álbum foi lançado em 2013. Sabemos que a banda teve que parar um pouco, devido aos teus problemas de saúde, mas isso significou que todos os membros da banda tiveram que descansar também ou mantiveram-se todos ocupados no entretanto?

Nós somos uma banda hiperactiva. Entre 2007 e 2013 – portanto, durante seis anos –, lançamos cinco álbuns de estúdio, sete singles e compilações e andámos em digressão por quinze países diferentes. Em 2013, enfrentei problemas de saúde sérios e a minha capacidade para continuar a cantar ficou em dúvida, pelo que tive que parar o projecto Crystal Viper. Mas, como eu amo a música – é tudo na minha vida –, no entretanto eu fiz imensa coisa: apareci em palco um par de vezes como convidada especial de outras bandas, toquei com os Jack Starr's Burning Starr, enquanto guitarrista no Festival “Keep It True”, na Alemanha e, um ano mais tarde, toquei na digressão europeia deles. Também fui convidada para cantar com a banda de covers dos Heavy Load, os Heathens From The North e cantei com eles dois temas no Festival “Up The Hammers”, no ano passado, sendo que, recentemente, juntei-me aos Tytan em palco, em Sheffield, durante a actuação deles no Festival “HRH NWoBHM”. Convidaram-me para interpretar com eles o tema "Women On The Frontline", uma vez que esse tema foi, originalmente, gravado pela Jody Turner, da banda de heavy metal “Rock Goddess”. Também estive sempre a compor temas novos.


M.I. - Sentiram algumas restrições/condicionantes da indústria musical, devido a este hiato temporal?

Nunca é fácil regressar depois de uma longa pausa, porque quando não se é uma banda activa, as pessoas esquecem-nos facilmente. Há tanto a acontecer, tantas bandas, álbuns, festivais e tournées, que é muito difícil estar a par de tudo. Claro que os nossos fãs leais estiveram a fazer figas por nós e estiveram sempre a apoiar-nos o máximo que puderam. Mas, para ser honesta, considero que o “Queen Of The Witches” é um novo começo. Tínhamos que relembrar as pessoas de que é que são feitos os Crystal Viper.


M.I. - Ainda relativamente ao mercado da música: que feedback é que têm recebido, relativamente ao vosso regresso, especialmente considerando que, hoje em dia, existem tantas bandas novas a aparecer? Sentem que enfrentam maiores dificuldades agora, devido a tal circunstancialismo ou, felizmente, não entendem que tal configura um obstáculo crucial?

O feedback tem sido fantástico, temos tido imensas entrevistas e reviews, a nossa editora AFM Records apoia-nos em tudo o que fazemos e os nossos fãs – que nunca nos fizeram sentir como se nos tivessem esquecido – ficaram tão felizes por estarmos de volta! Quanto a dificuldades, novas bandas e afins, sabes, eu nem penso nisso. Eu concentro-me no que adoro fazer: compor músicas, gravar, tocar ao vivo. Está-me no sangue e eu não consigo imaginar uma vida diferente. Eu componho música e se alguém gostar também, então, óptimo, sinto-me feliz e honrada. Isso é que é o mais importante.


M.I. - O que é que me podes dizer quanto à tour da banda? Infelizmente para nós, já percebemos que vocês não vão passar por Portugal, pelo menos por agora, certo? Conta-nos tudo!

A tournée tem sido muito boa, temo-nos divertido imenso! Acho que foi um bom pack, porquanto os Bloodbound tocam power metal melódico e nós tocamos heavy metal tradicional. Ou seja, somos diferentes, mas ambas as bandas têm imensos fãs em comum. Também tivemos a oportunidade de tocar perante novas plateias, bem como conhecer os nossos fantásticos fãs, que tinham estado a aguardar há imenso tempo para ver-nos tocar ao vivo. Estar em digressão é algo que poderíamos fazer o tempo todo. Eu poderia estar em digressão permanentemente!


M.I. - Na verdade, os Crystal Viper deveriam ter tocado em Portugal, pela primeira vez, em 2014, no Pax Julia Metal Fest IV, mas vocês tiveram que cancelar esse concerto, devido aos teus problemas de saúde. O que é que os fãs portugueses têm que fazer para vos trazer ao nosso país? Tens sugestões?

Nós adoraríamos tocar em Portugal! Eu sei que temos imensos fãs aí, porque eles contactam-nos por Facebook e escrevem-nos e-mails. Infelizmente, desde o nosso regresso, ainda não obtivemos quaisquer propostas para tocarmos no vosso país. Eu também conheço e gosto de duas bandas portuguesas, os Ironsword e os Midnight Priest, seria muito fixe tocar com eles!


M.I. - O vosso álbum de estreia foi lançado há dez aos atrás. O que é que vos vem à mente, quando o ouvem?

Para mim, o nosso primeiro álbum foi como que o desvendar se conseguíamos, realmente, fazer isto. Eu não era uma compositora experiente e não tocava outros instrumentos além do piano, naquela altura. Estava no início do meu percurso enquanto intérprete do género que canto hoje em dia, portanto era tudo muito selvagem e, não sei como dizer, mas era tudo muito, muito, “inicial”. As nossas aptidões eram diferentes; sem dúvida de que, actualmente, somos melhores músicos do que éramos há onze anos atrás, quando nos preparávamos para gravar o nosso primeiro álbum. Mas, em geral, "The Curse Of Crystal Viper" é um álbum muito importante para mim, é como um sonho tornado realidade. Graças a esse álbum, eu percebi que a música é a única coisa que quero fazer com a minha vida.


M.I. - Por fim, diz-me: com este novo álbum, novos vídeos e nova tournée, quais são os principais objectivos da banda, pelo menos para um futuro próximo?

Neste momento, estamos concentrados em promover o álbum "Queen Of The Witches" e pretendemos e esperamos dar o maior número de concertos possível. É o mais importante para nós, de momento.

For English version, click here.

Entrevista por Evie