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A entrada de “Datura’s Crimson veils” só com um drone de guitarra, seguido da bateria, recorda “Engine of Ruin” de “Bees Made honey in the Lions’ Skull”, o segundo álbum dos Earth a contar com Adrienne Davis. Agora, passados 18 anos do início dessa colaboração, a banda de drone rock mais influente dos Estados Unidos (ou até do género) vê-se reduzida apenas ao par de músicos.

No caso do supra referido tema de abertura, apenas um riff de guitarra e base de baixo (ambos cortesia de Dylan Carlson), sem desenvolvimentos melódicos com a bateria sempre a manter a mesma dinâmica ditam a forma de simplicidade que nos espera ao longo do álbum, com uma redução de camadas de som que vão sendo introduzidas nos temas (ironicamente trata-se do tema mais longo do álbum). O segundo tema “Exaltation of the Larks” começa como se o ouvinte fosse levado para uma actuação que já estava a decorrer, com a atmosfera quase country omnipresente e um breve solo de guitarra que se esfuma.

Ao entrarmos em “Cats’ on the Briar” a sonoridade é mais esperançosa, ao passo que a síncope das guitarras em “The Colour of Poison” é algo mais desconcertante e frontal (a variação de dinâmicas dentro do tema é muito bem conseguida).  “Descending Belladonna”, por sua vez, consegue ser o tema mais pop-rock de todo o álbum, com destaque para o cowbell e para a incrível subida de acordes na guitarra.

O disco encontra-se dividido ao meio com o segundo tema mais longo “She Rides an Air of Malevolance” (onze minutos no total), mas, ao mesmo tempo, um dos mais enérgicos e dinâmicos do álbum. Seguido por “Maiden’s Catafalque”, um tema conciso com delay e uma atmosfera mais asfixiante, da qual o ouvinte é “resgatado” no tema seguinte (o luminoso “An Unnatural Carousel”). A sensação de alegria e rebeldia mantém-se nos últimos dois temas do disco (destaque para a percussão no início de “The Mandrake’s Dream”)

Concluindo, “Full upon her burning lips” é um álbum despojado ao nível instrumental, mas que compensa essa “falta” com composições bastante bem conseguidas e executadas pelo duo de músicos que compõe os Earth neste lançamento. Em resumo, trata-se de um disco de drone e de rock instrumental que se recomenda tanto a apreciadores do género como quem a ainda não o conhece.

Nota: 8/10

Review por Raúl Avelar