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Reportagem: Arch Enemy, Behemoth, Carcass e Unto Others @ Coliseu dos Recreios, Lisboa – 07.10.2022



Talvez tenha sido dos últimos, senão mesmo o último, dos concertos que foram sendo adiados por culpa da pandemia. Esta European Siege foi assim empurrada para uma nova data e para uma outra sala, mas finalmente ocorreu. O público, esse, acorreu em força e quase encheu o mítico Coliseu de Lisboa para assistir à atuação de algumas bandas de referência, no que à música extrema diz respeito.

O arranque sonoro desta noite foi feito pelos Unto Others. Originalmente chamados Idle Hands, estes norte americanos viram-se forçados, por questões legais, a alterar o nome do seu projeto. De qualquer das formas, foi uma estreia no nosso país. Que dizer da sua atuação? Entretiveram de forma competente a meia casa que quis assistir a todas as bandas da noite. Em cima da mesa estava o mais recente álbum, Strengh, de onde extraíram a maioria dos temas para este concerto. Espetáculo muito agradável, com uma sonoridade que fazia lembrar um pouco, aqui e ali, os britânicos Killing Joke.

Os senhores que se seguiram dispensam apresentações. Com mais de 35 anos de carreira, estes ingleses eram uns ilustres convidados para esta tour. Isso ficou bem visível logo que entraram em palco. Se ao segundo tema já havia quem fizesse stage diving, ao terceiro já estava aberto o mosh pit. Como não poderia deixar de ser, o clássico álbum Heartwork de 1993 não ficou esquecido, assim com o novíssimo Torn Arteries, do passado ano. O vocalista Jeff Walker esteve durante toda a atuação a distribuir palhetas e lembrou a sua passagem por Portugal, em Corroios, com Obituary e Napalm Death. O concerto desta noite encerrou com dois temas obrigatórios: “Corporal Jigsore Quandary” e “Heartwork”.

Não é mentira nenhuma que muito do público presente nesta noite, no Coliseu, ali estava devido aos Behemoth. Também é verdade que até poderiam ser eles a banda a encerrar a noite. O culto existente à sua volta é notório e a sala estava cheia, a comprovar isso mesmo. Um pano branco tapava todo o palco e sobre ele estava a ser projetada um vídeo de Nergal cantando “Post-God Nirvana”. A banda encontrava-se por trás desse mesmo pano e quando ele por fim foi removido deu-se a loucura total. “Ora Pro Nobis Lucifer” deu início a uma atuação de 70 minutos que percorreu grande parte da carreira desta banda norueguesa. O black metal destes senhores está bem vivo entre o público português e cada tema era recebido efusivamente. Nergal mudou de indumentaria para “Bertzabel” e todo o Coliseu cantou o refrão. Das poucas vezes que o vocalista falou com o público, lamentou a ausência forçada, fruto da pandemia. Como é normal, o melhor ficou guardado para o final: “Blow Your Trumpets Gabriel”, “Versvs Christvs” e “Chant For Eschaton 2000” puseram fim a mais uma atuação memorável dos Behemoth no nosso país. Salientar também como os temas novos de Opvs Contra Natvram foram tão bem recebidos, sinal claro de que a banda está viva e recomenda-se.

Coube então aos Arch Enemy encerrar com a sua atuação esta fantástica noite onde a música extrema foi rainha. “Pure Fucking Metal” era a mensagem que se podia ler na tela gigante que cobria todo o palco e o que todos os presentes esperavam. “Deceiver, Deceiver” começou a ser ouvida pelas 22h10, altura em que a referida lona caiu, pondo a descoberto a banda de Michael Amott, onde se encontram algumas estrelas como a atlética vocalista Alissa White-Gluz e o virtuoso guitarrista Jeff Loomis. Com músicos desta categoria é difícil um concerto não correr bem. Se não tivermos em conta a postura mais estática do baixista, toda a banda estava a puxar pelo público e a gostar da calorosa receção de que estava a ser alvo. O novíssimo Deceivers foi devidamente apresentado, sendo que os temas retirados desse álbum do presente ano foram sabiamente intercalados com “malhões” como, “War Eternal” e “Ravenous”, por exemplo. “The Eagle Flies Alone” trouxe um pouco de calma à atuação dos Arch Enemy, para logo depois se recuperar o ritmo com “Hanshake With Hell”. O som da banda estava qualquer coisa de maravilhoso, com destaque para as guitarras (sobretudo quando solavam em simultâneo, ou parecendo em despique) e também para a bateria, que estava com um som poderoso. Ainda faltavam uns temas obrigatórios, que estavam reservados para o final. “Snow Bound” e “Nemesis” encerraram a atuação da banda sueca de death metal melódico, pondo um ponto final nesta encantadora noite promovida pela Prime Artists.


Texto por António Rodrigues
Fotografias por Paulo Jorge Pereira
Agradecimentos: Prime Artists