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Os primeiros momentos de "Inert Insanity", o primeiro tema deste "Human Wisdom" remete-nos para algo meio djent, meio death metal técnico. Quando a voz melódica e meio operática de Dysdemona, fica-se meio desorientado. Olha-se para os lados, verifica-se se o telemóvel está desligado ou se o vizinho do lado não está a ouvir metal gótico. Não, não é engano, é mesmo a junção de duas coisas que não têm nada a ver uma com a outra. A parte engraçada é que em boa parte do tempo resulta. Resulta e bem. Confessamos que em alguns momentos da já citada primeira música, parece algo desconjuntada, mas nessa mesma música, quando resulta, resulta em pleno.

Temos também a adição de vozes guturais que dão aquele toque ainda mais pesado mas não seria necessário, já que o peso instrumental é de tal ordem que parece que temos um conjunto de bigornas a baterem-nos na cabeça. E isto faz levar-nos aquele ponto perigoso: o meio. É death metal técnico/djent/whatever pelas guitarras frenéticas, bateria exuberante, voz gutural e baixo bem grave e é metal gótico porque a dita menina tem um tom que nos remete para os After Forever ou, com esforço, para os Epica, o que quer dizer que provavelmente não agradará nem uns nem outros.

Problema deles, porque isto é mesmo bom.

Longe dos clichês do metal gótico, a banda consegue ter um álbum interessante do início ao fim, cuja única exigência é ter a mente aberta para receber bem toda esta extremidade e esta melodia. No entanto, o melhor nem é mesmo esta dicotomia. O melhor é ver como isto resulta em músicas complexas que nos desafiam e que crescem cá dentro a cada audição. É o primeiro álbum da banda e existe muito espaço para evoluir, e até podemos arriscar previsões em como se continuarem neste caminho chegam depressa a um beco sem saída, no entanto, o que é importante salientar é que este álbum surpreende e hoje em dia isso acontecer não é fácil. Só por isso tem a nossa apreciação.


Nota: 8.2/10


Review por Fernando Ferreira