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Os Scorpions continuam a ser um dos nomes que mais gerações faz mover. E muito embora já tenham mencionado algumas vezes que se iam despedir dos palcos, a verdade é que acabaram por não resistir e voltaram à estrada. E por cada vez que voltam à estrada, têm um recinto bem composto à sua espera. Esta vez não foi exceção. 


A primeira parte do evento esteve a cargo dos The Dead Daisies, acabados de lançar o seu quarto álbum, “Burn It Down”. Apesar de ser um grupo relativamente recente (foi formado em 2013, por David Lowy), conta com músicos experientes e reconhecidos de nomes como Thin Lizzy, Mötley Crüe, Journey, entre outros. Donos de um rock bastante orelhudo, a banda conseguiu motivar o público desde o início da atuação, pedindo várias vezes que cantassem consigo ou que batessem palmas. 


“Boa noite! Lisbon, how are you tonight? Are you ready to party? Are you ready to scream? Are you ready to…make some noise?”. Por exemplo, foi desta forma que o vocalista John Corabi apresentou o tema “Make Some Noise”, sendo que o público fez jus ao nome da faixa. Em “With You And I”, Corabi menciona que é um tema com uma letra muito especial, terminando a performance dizendo, em português, “Paz e Amor!”. Ainda houve lugar para ouvir uma cover dos The Rolling Stones, referente ao tema “Bitch”. Corabi referiu, orgulhoso, que é uma das bandas e temas preferidos do grupo. 

No fim da atuação, Corabi diz “muito obrigado” e o baixista Marco Mendoza conclui com um “até à próxima”, ambos falando na língua portuguesa. O grupo tinha toda a lição bem estudada e o público passou-os com distinção. 


Assim que os germânicos entram em palco, ao som de “Going Out With A Bang”, o público saúda-os com muitos aplausos. Em “Make It Real”, vemos a bandeira portuguesa nos ecrãs gigantes, por detrás da figura dos músicos. Neste tema, a voz de Klaus Meine (que, recorde-se, acabou de completar 70 anos) surgiu bastante estremecida e existia o receio de não aguentar nos temas que se avizinhavam. Felizmente, percebemos mais tarde que aqueles primeiros temas foram uma espécie de aquecimento e que Meine ainda consegue levar os temas a bom porto, provocando arrepios e sorrisos por toda a plateia. “Boa noite Lisboa, como estás?”, diz Meine. Parece que, nesta noite, a língua portuguesa é que estava a dar! 


Em “Is There Anybody There?”, o público vai entoando a melodia do tema e “The Zoo” culmina com baquetas a serem oferecidas à plateia. É de mencionar que, com tantos álbuns lançados ao longo de mais de 50 anos de carreira, a banda não deve ter a vida facilitada ao escolher quais as faixas a apresentar em cada atuação, optando por apresentar alguns medleys (e, mesmo assim, tanto fica por tocar!). Porém, ao fazer um apanhado geral de toda a plateia ali presente, fica a sensação de que muitas pessoas apenas conhecem os temas mais emblemáticos da banda. Basta dizer que mais de metade do público “acordou” assim que se ouviram os primeiros acordes de “Send Me An Angel” (e, ainda assim, houve quem gritasse “é a Wind Of Change” nesse momento – não fizeram o trabalho de casa!). Claro que “Send Me An Angel”, “Wind Of Change” (com a lágrimazita ao canto do olho), “Big City Nights”, “Still Loving You” e “Rock You Like A Hurricane” teriam de ser temas muito aplaudidos, e foi isso mesmo que aconteceu. Contudo, todos os restantes temas foram interpretados com muita emoção, continuando a provar que os Scorpions não são uma banda de meia dúzia de baladas (ainda que estas tenham sempre o seu encanto). Ainda para mais, não desfazendo do anterior baterista James Kottak, atualmente contam com o excelente Mikkey Dee, que fez parte da última formação dos Motörhead. Inclusivamente, a banda decidiu prestar um tributo à banda e, especialmente, a Lemmy Kilmister (cuja imagem apareceu nos grandes ecrãs), apresentando a sua versão do tema “Overkill”. Não podemos deixar de dizer que havia quem se questionasse quem era Lemmy, apostando que seria o ex-baterista dos Scorpions. Novamente questionamos: então, esse trabalho de casa? Bem, na realidade, os Scorpions movem massas até aos seus concertos e facilmente se percebe que o seu público é completamente heterogéneo, variando desde o fiel seguidor de rock e metal (que, obviamente, saberá quem era Lemmy) até ao fã que é mais eclético e que não segue propriamente todas as pisadas do rock. A boa notícia é que há sempre espaço para todos (desde que não gritem "Wind Of Change" quando começa a "Send Me An Angel", por favor!).

Nesta atuação, ainda pudemos contar com um solo de Mikkey Dee (que, divertido, parou a meio para perguntar ao público se estava a ser bom, voltando a pegar nas baquetas depois de a resposta ter sido positiva). No fim, vemos Meine a envergar carinhosamente a bandeira portuguesa. Foi uma atuação não só competente, como encantadora. Metaforicamente falando, sentimo-nos abraçados por todos os membros da banda, por toda a forma como interagiram ao longo da noite. Não queremos, de forma alguma, que esta tenha sido a última vez. 



Texto por Sara Delgado
Fotografias por João Moura
Agradecimentos: Everything Is New